Líder supremo do Irã responsabiliza Trump por mortes em protestos
Cerca de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da violência durante a onda de protestos no Irã, afirmou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters.
➡️ Iranianos protestam há mais de 20 dias em manifestações que começaram por conta da crise econômica e do alto custo de vida no país do Oriente Médio, mas que terminaram pedindo o fim do regime dos aiatolás, que governam o Irã há mais de 40 anos com duras leis de repressão, principalmente às mulheres.
A repressão aos protestos — com relatos de que policiais e militares matam a tiros manifestantes, gerou reação mundial —, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã, reativando as tensões entre os dois países rivais.
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O governo iraniano nega e diz que as mortes de civis e agentes de segurança são causadas pelos próprios manifestantes, que incitam a violência. Teerã acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.
O novo balanço ainda não havia sido confirmado oficialmente até a última atualização desta reportagem. A fonte do governo iraniano ouvida pela Reuters, no entanto, afirmou que, desse total, cerca de 500
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse, neste sábado (17), que as autoridades "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes", e culpou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão à recente onda de protestos.
"Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (...) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos", disse a uma multidão de apoiadores reunidos por ocasião de uma festividade religiosa.
"A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição", acrescentou.
Desde 28 de dezembro, o Irã é sacudido por uma onda de protestos, que começou entre comerciantes descontentes com a crise econômica no país e logo levou a uma mobilização contra o regime teocrático vigente desde a revolução de 1979.
As autoridades iranianas, que qualificam os protestos de "terroristas" e acusam os Estados Unidos de instigá-los, desencadearam uma campanha de repressão que, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, deixou pelo menos 3.428 mortos. O governo também cortou a internet desde 8 de janeiro.
Khamenei aproveitou seu discurso para criticar Trump, que havia ameaçado atacar o Irã caso o regime começasse a executar alguns dos manifestantes detidos.
"Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana", disse o aiatolá, no poder desde 1989. "Tudo isso foi uma conspiração americana", declarou, acrescentando que "o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (...) é submeter o Irã militar, política e economicamente".
O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta do governo foi "firme, dissuasiva e rápida".
Magnitude da repressão
No entanto, a preocupação com o número de mortos na repressão aumentava. Os dados são de difícil verificação, devido às restrições impostas à internet.
A ONG de monitoramento da segurança cibernética Netblocks anunciou hoje que detectou uma pequena retomada da atividade na internet no Irã, após mais de 200 horas de corte.
"As medições mostram um aumento muito leve da conectividade na manhã de hoje", informou a ONG. "A conectividade geral permanece em torno de 2% dos níveis habituais, e não há sinais de uma recuperação significativa."
Desde o restabelecimento das conexões telefônicas, iranianos no exterior recebem notícias de familiares por meio de comunicações curtas, devido ao seu custo elevado e por temerem que as mensagens sejam interceptadas ou que as autoridades os considerem espiões.
Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, 3.428 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. A ONG ressalta que esse balanço poderia ser maior.
O canal de oposição Iran International, com sede no exterior, anunciou que 12.000 pessoas morreram nas manifestações, citando autoridades do governo e fontes da segurança.
Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência
Escrito em 18/01/2026

