Filme mais caro da história da Coreia do Sul, "Hope - O primeiro impacto" divide opiniões de público e de críticos desde sua exibição na competição pela Palma de Ouro do Festival de Cannes, em maio. g1 já viu: 'Hope - O primeiro impacto' abre mão de melhor abertura do ano por ficção científica batida Uma das maiores estrelas do elenco, Hoyeon tem orgulho da divisão gerada pela ficção científica, que custou estimados US$ 46 milhões e estreou nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros. "Mesmo com um orçamento considerado enorme para a Coreia, e todas as pressões práticas da realidade, ter um diretor que se mantém fiel à sua visão é precioso demais. Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante", diz a atriz de 32 anos em entrevista ao g1. "Sendo sincera, quantos diretores no mundo conseguiriam fazer um filme tão louco — no bom sentido — como este? Acho que poucos." Assista ao trailer de 'Hope - O primeiro impacto' Em "Hope", a modelo interpreta uma policial em perseguição atrás de uma criatura misteriosa, que tem deixado um rastro de destruição e morte em um pequeno vilarejo de pescadores. Em seu primeiro trabalho mais relevante desde que se tornou a grande revelação da primeira temporada do fenômeno mundial "Round 6", Hoyeon reverencia Na Hong-jin, que assina a direção e o roteiro do filme. Ela não é a única. O último filme do cineasta de 52 anos, "O lamento" (2016), é considerado por muitos um dos melhores terrores do século — e tem até hoje uma aprovação de 99% dos críticos do site agregador Rotten Tomatoes. "O que me fez achar o diretor Na um gênio foi algo que li em uma crítica: 'O lamento' pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa. 'Hope' pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples", afirma a atriz. "Quem assistiu a 'O lamento' e esperava o próximo filme dele jamais imaginaria uma comédia. Achei essa escolha genial. O filme desafia as expectativas da plateia o tempo todo: quando você acha que vai acontecer tal coisa, ele vai para outro lado e joga piadas. Isso foi totalmente intencional." Hoyeon em cena de 'Round 6' Divulgação Leia abaixo a entrevista na íntegra, editada para clareza (com tradução de Julie Kim): g1 - Oi, Hoyeon, como você está hoje? Hoyeon - Bem. Hoje é meu dia de folga. Estive trabalhando, filmando uma série, e tem sido muito bom. Hoje é um dia relaxante, com exceção desta entrevista. Acho que vou comer um kimchi-jjigae depois daqui. g1 - Parece uma boa ideia. Kimchi-jjigae é ótimo e aqui está bem na hora da janta. Parabéns pelo filme. Demora bastante tempo até a sua primeira cena neste filme, mas ela é muito marcante. O quanto você conversou com o diretor Na sobre o que aconteceu com a sua personagem até aquele momento? Hoyeon - Assim como o Bum-seok (Hwang Jung-min) e o Sung-ki (Zo In-sung), depois da transmissão no rádio, pela própria personalidade extrema da Sung-ae, ela pegou todas as armas que estavam no depósito da delegacia e saiu com tudo. Ela realmente juntou todas as armas que pôde, levou com ela e já estava andando por aí para ajudar as pessoas do vilarejo. Foi sobre isso que conversei com o diretor. Se você reparar bem, a caracterização dos machucados da Sung-ae mostra que ela já vinha rolando no chão e passando por perrengues. Para mostrar isso, entendi e atuei pensando que não era como se ela estivesse encarando aquela situação pela primeira vez — embora, para o público, seja a primeira vez que a veem. g1 - O cinema coreano das últimas décadas ficou muito conhecido por lidar com temas sociais e luta de classes. Este filme é mais voltado para a ação e lida com essa criatura que, durante a primeira metade, a gente nem consegue ver direito. O que faz deste filme uma história universal? Ter que enfrentar uma ameaça desconhecida torna a história universal? Hoyeon - Filmes como "Parasita" (2019) ou o novo do diretor Lee Chang-dong, "Amor possível", tratam de classes de um jeito bem coreano, mas acho que também dá para dizer que são histórias universais. No caso de "Hope", pegamos uma história muito universal e fizemos um filme de ação comercial, de entretenimento. Mas acho que todas as histórias, quando olhamos de perto, parecem casos muito individuais, só que no fim das contas a história daquela pessoa não é tão diferente da minha, nem da de alguém que vive em outro país. Os seres humanos, por mais diferentes que pareçam — será que o modo de vida deles é tão diferente assim? Fico sempre pensando nisso. Hoyeon e Hwang Jung-min em cena de 'Hope: O primeiro impacto' Divulgação g1 - O que faz do diretor Na um cineasta tão único? Hoyeon - A forma como ele enxerga o mundo é muito especial. Conversando com o diretor, penso muito: "Nossa, dá para olhar por esse ângulo também". Ele pensa na situação e nas consequências que ela vai trazer, mas também capta a intenção das pessoas com muita precisão. Ele percebe as coisas rápido demais: a intenção de alguém, a situação em si e o resultado daquilo. Aprendi muito durante as filmagens. O olhar dele sobre o mundo é muito rápido e, às vezes, me pego pensando: "Ele repara até nesse tipo de detalhe, até nessa intenção?". Coisas que uma pessoa comum nem pensaria. É justamente por enxergar tudo dessa maneira que ele consegue escrever roteiros assim e ter uma imaginação tão única. g1 - Este é um filme muito ambicioso. A primeira hora é uma sequência de ação tão maluca e tão boa que escrevi que é a melhor primeira hora do ano todo no cinema, com folga. Mas ele também dividiu opiniões. Vocês já esperavam reações tão intensas, desde o Festival de Cannes até na Coreia? Há muito o que processar, já que o filme tem partes muito diferentes entre si. Hoyeon - Desde a fase do roteiro até ver o resultado final, achei um filme absurdamente engraçado, o melhor entretenimento possível. Adorei todo o humor. Ao ler o roteiro, o que me fez achar o diretor um gênio foi algo que li em uma crítica: "O lamento" pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa; "Hope" pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples. Concordei muito com isso. Kunimura Jun em cena de 'O lamento' Divulgação Se ele tentasse repetir a fórmula de "O lamento", será que sairia algo superior? Acho difícil, nunca saberemos. Mas, mantendo a identidade dele, ele transformou isso em algo cômico. Quem assistiu a "O lamento" e esperava o próximo filme dele jamais imaginaria uma comédia. Achei essa escolha genial. O filme desafia as expectativas da plateia o tempo todo: quando você acha que vai acontecer tal coisa, ele vai para outro lado e joga piadas. Isso foi totalmente intencional. E, sendo sincera, quantos diretores no mundo conseguiriam fazer um filme tão louco — no bom sentido — como este? Acho que poucos. Ter uma identidade própria, bancar suas ambições e, mesmo com um orçamento considerado enorme para a Coreia e todas as pressões práticas da realidade, ter um diretor que se mantém fiel à sua visão é precioso demais. Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante. Diretores como ele precisam continuar existindo e fazendo os filmes que querem, do jeito deles, seja qual for o gênero. Trabalhar com ele e vivenciar "Hope" foi uma experiência empolgante e eletrizante para mim como cinéfila, não importa o que digam.Hwang Jung-min e Hoyeon em cena de 'Hope - O primeiro impacto'
'Hope - O primeiro impacto': Filme mais caro da Coreia do Sul dividiu o público — sua estrela se orgulha disso
Escrito em 09/10/2026
Filme mais caro da história da Coreia do Sul, "Hope - O primeiro impacto" divide opiniões de público e de críticos desde sua exibição na competição pela Palma de Ouro do Festival de Cannes, em maio. g1 já viu: 'Hope - O primeiro impacto' abre mão de melhor abertura do ano por ficção científica batida Uma das maiores estrelas do elenco, Hoyeon tem orgulho da divisão gerada pela ficção científica, que custou estimados US$ 46 milhões e estreou nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros. "Mesmo com um orçamento considerado enorme para a Coreia, e todas as pressões práticas da realidade, ter um diretor que se mantém fiel à sua visão é precioso demais. Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante", diz a atriz de 32 anos em entrevista ao g1. "Sendo sincera, quantos diretores no mundo conseguiriam fazer um filme tão louco — no bom sentido — como este? Acho que poucos." Assista ao trailer de 'Hope - O primeiro impacto' Em "Hope", a modelo interpreta uma policial em perseguição atrás de uma criatura misteriosa, que tem deixado um rastro de destruição e morte em um pequeno vilarejo de pescadores. Em seu primeiro trabalho mais relevante desde que se tornou a grande revelação da primeira temporada do fenômeno mundial "Round 6", Hoyeon reverencia Na Hong-jin, que assina a direção e o roteiro do filme. Ela não é a única. O último filme do cineasta de 52 anos, "O lamento" (2016), é considerado por muitos um dos melhores terrores do século — e tem até hoje uma aprovação de 99% dos críticos do site agregador Rotten Tomatoes. "O que me fez achar o diretor Na um gênio foi algo que li em uma crítica: 'O lamento' pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa. 'Hope' pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples", afirma a atriz. "Quem assistiu a 'O lamento' e esperava o próximo filme dele jamais imaginaria uma comédia. Achei essa escolha genial. O filme desafia as expectativas da plateia o tempo todo: quando você acha que vai acontecer tal coisa, ele vai para outro lado e joga piadas. Isso foi totalmente intencional." Hoyeon em cena de 'Round 6' Divulgação Leia abaixo a entrevista na íntegra, editada para clareza (com tradução de Julie Kim): g1 - Oi, Hoyeon, como você está hoje? Hoyeon - Bem. Hoje é meu dia de folga. Estive trabalhando, filmando uma série, e tem sido muito bom. Hoje é um dia relaxante, com exceção desta entrevista. Acho que vou comer um kimchi-jjigae depois daqui. g1 - Parece uma boa ideia. Kimchi-jjigae é ótimo e aqui está bem na hora da janta. Parabéns pelo filme. Demora bastante tempo até a sua primeira cena neste filme, mas ela é muito marcante. O quanto você conversou com o diretor Na sobre o que aconteceu com a sua personagem até aquele momento? Hoyeon - Assim como o Bum-seok (Hwang Jung-min) e o Sung-ki (Zo In-sung), depois da transmissão no rádio, pela própria personalidade extrema da Sung-ae, ela pegou todas as armas que estavam no depósito da delegacia e saiu com tudo. Ela realmente juntou todas as armas que pôde, levou com ela e já estava andando por aí para ajudar as pessoas do vilarejo. Foi sobre isso que conversei com o diretor. Se você reparar bem, a caracterização dos machucados da Sung-ae mostra que ela já vinha rolando no chão e passando por perrengues. Para mostrar isso, entendi e atuei pensando que não era como se ela estivesse encarando aquela situação pela primeira vez — embora, para o público, seja a primeira vez que a veem. g1 - O cinema coreano das últimas décadas ficou muito conhecido por lidar com temas sociais e luta de classes. Este filme é mais voltado para a ação e lida com essa criatura que, durante a primeira metade, a gente nem consegue ver direito. O que faz deste filme uma história universal? Ter que enfrentar uma ameaça desconhecida torna a história universal? Hoyeon - Filmes como "Parasita" (2019) ou o novo do diretor Lee Chang-dong, "Amor possível", tratam de classes de um jeito bem coreano, mas acho que também dá para dizer que são histórias universais. No caso de "Hope", pegamos uma história muito universal e fizemos um filme de ação comercial, de entretenimento. Mas acho que todas as histórias, quando olhamos de perto, parecem casos muito individuais, só que no fim das contas a história daquela pessoa não é tão diferente da minha, nem da de alguém que vive em outro país. Os seres humanos, por mais diferentes que pareçam — será que o modo de vida deles é tão diferente assim? Fico sempre pensando nisso. Hoyeon e Hwang Jung-min em cena de 'Hope: O primeiro impacto' Divulgação g1 - O que faz do diretor Na um cineasta tão único? Hoyeon - A forma como ele enxerga o mundo é muito especial. Conversando com o diretor, penso muito: "Nossa, dá para olhar por esse ângulo também". Ele pensa na situação e nas consequências que ela vai trazer, mas também capta a intenção das pessoas com muita precisão. Ele percebe as coisas rápido demais: a intenção de alguém, a situação em si e o resultado daquilo. Aprendi muito durante as filmagens. O olhar dele sobre o mundo é muito rápido e, às vezes, me pego pensando: "Ele repara até nesse tipo de detalhe, até nessa intenção?". Coisas que uma pessoa comum nem pensaria. É justamente por enxergar tudo dessa maneira que ele consegue escrever roteiros assim e ter uma imaginação tão única. g1 - Este é um filme muito ambicioso. A primeira hora é uma sequência de ação tão maluca e tão boa que escrevi que é a melhor primeira hora do ano todo no cinema, com folga. Mas ele também dividiu opiniões. Vocês já esperavam reações tão intensas, desde o Festival de Cannes até na Coreia? Há muito o que processar, já que o filme tem partes muito diferentes entre si. Hoyeon - Desde a fase do roteiro até ver o resultado final, achei um filme absurdamente engraçado, o melhor entretenimento possível. Adorei todo o humor. Ao ler o roteiro, o que me fez achar o diretor um gênio foi algo que li em uma crítica: "O lamento" pega uma história simples e a desenvolve de forma complexa; "Hope" pega uma história complexa e a desenvolve de forma simples. Concordei muito com isso. Kunimura Jun em cena de 'O lamento' Divulgação Se ele tentasse repetir a fórmula de "O lamento", será que sairia algo superior? Acho difícil, nunca saberemos. Mas, mantendo a identidade dele, ele transformou isso em algo cômico. Quem assistiu a "O lamento" e esperava o próximo filme dele jamais imaginaria uma comédia. Achei essa escolha genial. O filme desafia as expectativas da plateia o tempo todo: quando você acha que vai acontecer tal coisa, ele vai para outro lado e joga piadas. Isso foi totalmente intencional. E, sendo sincera, quantos diretores no mundo conseguiriam fazer um filme tão louco — no bom sentido — como este? Acho que poucos. Ter uma identidade própria, bancar suas ambições e, mesmo com um orçamento considerado enorme para a Coreia e todas as pressões práticas da realidade, ter um diretor que se mantém fiel à sua visão é precioso demais. Por isso, ver o público se dividir entre quem ama e odeia é a coisa mais natural do mundo. Quebrar expectativas é fascinante. Diretores como ele precisam continuar existindo e fazendo os filmes que querem, do jeito deles, seja qual for o gênero. Trabalhar com ele e vivenciar "Hope" foi uma experiência empolgante e eletrizante para mim como cinéfila, não importa o que digam.Hwang Jung-min e Hoyeon em cena de 'Hope - O primeiro impacto'

