Giro do Patrimônio e Lugares da Memória promove visita ao Sítio Arqueológico Aldeia, em Santarém

Escrito em 12/01/2026


Primeira parada foi na Praça do Centenário Hannah Vingren Na manhã do último sábado (10), foi realizado o Giro do Patrimônio e os Lugares da Memória. Mais que um simples percurso urbano, a atividade foi um exercício de reconhecimento, escuta e valorização da história de Santarém, ao conduzir participantes por espaços que guardam vestígios materiais e simbólicos das populações que ocuparam a região ao longo de séculos. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A visita marcou a primeira etapa do projeto Cartilha de Educação Patrimonial do Baixo Amazonas, com a realização de um roteiro guiado pelo Sítio Arqueológico Aldeia, considerado o principal sítio relacionado à Cultura Santarém. A área reúne evidências dos períodos Pré-Colonial, Colonial e Histórico, revelando continuidades, rupturas e processos de resistência que permanecem vivos na paisagem urbana. “É importante pensar nesses pontos porque eles guardam marcos históricos da colonização, de memória da negritude, indígena e da ocupação anterior à ideia de Santarém. São lugares escolhidos para repensar a memória de Santarém e do Baixo Amazonas”, destacou a coordenadora do projeto, Débora Marcião. O percurso teve início no Porão Centro Cultural, no Bairro Aldeia, área de abrangência do sítio arqueológico. A partir dali, os participantes foram convidados a compreender a chamada “terra preta arqueológica”, um solo rico em vestígios de múltiplas ocupações humanas que comprovam a presença ancestral de povos indígenas na região. Cartilhas de Educação Patrimonial: encontro debate proteção da história do Baixo Amazonas A primeira parada foi na Praça do Centenário (São Raimundo Nonato), espaço marcado pela predominância de vestígios pré-coloniais. O local ajudou a contextualizar a ocupação indígena de Santarém antes da colonização europeia e a centralidade dos povos originários na formação do território. “Se trata da história e a história é para toda a população. Por isso é importante a participação da sociedade nesse processo de construção coletiva. O patrimônio não é individualizado, ele tem toda uma pluralidade e a partir do momento que nos unimos nessa discussão o produto sai fortalecido”, pontuou a arquiteta e curadora do projeto, Cessy Sussuarana. Parada próximo ao Theatro Victória Victor Ribeiro O trajeto seguiu pela Rua Vinte e Quatro de Outubro, antes conhecida como “Caminho dos Índios”. A segunda parada ocorreu nas proximidades do Theatro Municipal Victória, área onde pesquisas arqueológicas identificam vestígios de cerâmica que revelam processos de negociação e fusão de identidades indígenas, europeias e africanas. “Nosso presente é complexo e a gente fala só de uma parte da história, após a colonização portuguesa, mas temos uma história indigena muito antiga, que remonta há mais de 8 mil anos com vários acontecimentos até a chegada dos europeus [...] A gente precisa conhecer para pensar no futuro que a gente deseja”, comentou a arqueóloga e curadora do projeto, Camila Jácome. O giro pelo patrimônio e os lugares da memória terminou na Praça Rodrigues dos Santos, antigo “Tupana-Ocara”, aldeamento jesuíta que mais tarde se tornou o “Largo do Pelourinho”, símbolo da presença colonial e da escravidão. Hoje, o espaço abriga o Marco do Brasil 500 anos e representa a resistência dos 13 povos indígenas do Baixo Tapajós, além de preservar a memória da diáspora africana na região. Participantes do Giro reunidos na Praça Rodrigues doa Santos Hannah Vingren O projeto Cartilhas de Educação Patrimonial do Baixo Amazonas foi contemplado pelo Edital nº 02/2025 de Fomento à Criação de Projetos Culturais do Estado do Pará. Além da realização das oficinas, o projeto prevê a elaboração de 500 cartilhas educativas sobre educação patrimonial, que serão distribuídas em escolas. Além de Santarém, o projeto também contempla ações de contrapartida em municípios como Belterra e Monte Alegre. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região