Polícias Civil e Militar de SP investigam morte de mulher baleada por PM
As polícias Civil e Militar de São Paulo investigam a morte de uma mulher que foi baleada por uma PM. No registro da ocorrência, a policial e o marido da vítima deram versões contraditórias sobre o que aconteceu.
O enterro de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi neste sábado (4) de manhã, na zona leste de São Paulo. Ela morreu na madrugada de ontem com um tiro disparado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos.
Há duas versões para o que aconteceu: a dos policiais e a do companheiro da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, que estava com ela. Segundo o boletim de ocorrência, as duas começam do mesmo jeito: o casal andava pela rua quando o carro da polícia passou.
Segundo os policiais, Luciano perdeu o equilíbrio e bateu o braço no retrovisor. Foi aí que começou uma discussão. A policial que atirou em Thawanna disse que o casal apresentava sinais de embriaguez.
Relatou que o homem se aproximava muito de um dos policiais. E que foi agredida pela mulher com tapas no braço e no rosto. E que, segundo a PM, foi necessário usar força para cessar a agressão e garantir a segurança da equipe e dos envolvidos.
Luciano diz que não foi desse jeito.
“Simplesmente eles passaram em perseguição. A policial falou: ‘sai da frente vagabunda’. Minha mulher falou: vagabunda é você. Eles pegaram, deram ré e aí começou a confusão", disse Luciano.
"Ela chegou já oprimindo, já oprimindo minha mulher, deu um chute. Saí pra cima pra tentar socorrer minha mulher. E escutei só o disparo", complementou.
Um vídeo mostra Thawanna no chão, cercada por policiais.
“A moça tá agonizando ali, cara, ó", diz um morador.
Ela chega a se erguer e um dos policiais aponta a arma para ela. Outro vídeo mostra os agentes impedindo Luciano de se aproximar.
“Fica aí, tio", diz o policial. "Por que eu ficar aqui? Balearam minha mulher, mano...", comenta Luciano.
Ontem à noite, moradores protestaram contra a morte de Thawanna. Mais policiais foram acionados e reagiram com bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que lamenta profundamente a morte de Thawanna. Informou que a policial foi afastada e que a arma dela foi apreendida. Os inquéritos serão conduzidos pelas polícias Civil e Militar, e acompanhados pelas corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos da perícia, que já fazem parte da investigação.
Por fim, a secretaria afirmou que a polícia não tolera desvios de conduta e que toda irregularidade é punida com rigor. As investigações devem esclarecer as contradições entre os depoimentos dos agentes e de Luciano.
“Nós vivia junto, nós tinha plano de casar. Infelizmente não deu pra fazer o casamento, não deu pra comemorar o aniversário dela, que era agora dia 8 de abril", lamenta Luciano.
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Escrito em 05/04/2026

