Grupo ligado à morte de menina de 13 anos era ‘secreto’ e só aceitava usuários por convite, diz Discord

Escrito em 15/09/2026


Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias Um servidor privado investigado pelo Discord em meio ao caso da morte de Lívia, de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, só podia ser acessado por convite e não era encontrado por outros usuários da plataforma. Segundo a empresa, pessoas envolvidas em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação no espaço, desativado antes da morte da adolescente. ‘Panelas’ e ‘hype’ com violência: 6 adolescentes são apreendidos após morte de menina transmitida ao vivo Polícia mira suspeitos de induzir menina de 13 anos ao suicídio durante 'live' em rede social A informação foi repassada pelo Discord ao g1 nesta terça-feira (15), quando seis adolescentes foram apreendidos na segunda fase da Operação Lívia. Segundo a Polícia Civil, eles faziam parte de grupos virtuais violentos, conhecidos como “panelas”, e tiveram participação no caso. Ao detalhar o que identificou, o Discord afirmou: “O Discord investigou um servidor privado no qual acredita-se que indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação e o desativou antes da morte da adolescente. O acesso ao servidor privado dependia de convite, e ele não podia ser encontrado por outros usuários.” A empresa não informou quantas pessoas participavam do servidor nem quem administrava o espaço. O Discord também afirmou que o caso envolveu diferentes plataformas e que o governo compartilhou evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outro serviço. A empresa não informou qual.Veja a nota do Discord na íntegra no fim da reportagem. Seis menores são apreendidos por morte de menina transmitida pelo Discord Reprodução Operação chegou a adolescentes de cinco estados A segunda fase da Operação Lívia foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio da investigação cibernética e do CyberLab. Foram cumpridos seis mandados contra adolescentes de 14 a 17 anos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os novos alvos foram identificados após a análise de celulares e outros materiais apreendidos na primeira fase. Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a polícia continua tentando identificar todas as pessoas que participavam das “panelas” e tiveram relação com a morte de Lívia. Cerca de 90% dos integrantes identificados até agora são adolescentes. Um adulto também foi identificado. A polícia encontrou ainda outras possíveis vítimas, algumas das quais não haviam contado aos pais que estavam sendo ameaçadas ou manipuladas. Como funcionavam as ‘panelas’ Segundo a investigação, as “panelas” tinham administradores, pessoas responsáveis por atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam os chamados “eventos”. Os grupos também disputavam reconhecimento: quanto mais extremo o conteúdo produzido, maior seria o prestígio entre os integrantes. Para a polícia, a morte de Lívia teria representado o ponto máximo de violência buscado pelo grupo investigado. As vítimas eram procuradas em redes sociais e plataformas de conversa. A aproximação começava de forma aparentemente amistosa e, em alguns casos, os investigados se passavam por pessoas da mesma idade ou do mesmo sexo para conquistar a confiança dos adolescentes. Depois, apresentavam os grupos. Quando a vítima não aceitava participar, poderiam começar as ameaças. A polícia encontrou casos em que nomes, telefones e fotos de familiares eram usados para intimidá-las. O Discord também afirmou que o caso teve atividades em diferentes plataformas e disse considerar que vem sendo tratado de forma isolada no debate público. Segundo a empresa, “o governo compartilhou com o Discord evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outra plataforma”. Itens apreendidos durante operação 'Lívia', da PF Reprodução/PF Discord rebate críticas A empresa também negou falta de cooperação com as autoridades brasileiras. Segundo o Discord, mantém diálogo com a Advocacia-Geral da União (AGU), concordou, em princípio, com os termos apresentados pelo órgão e entregou três versões de uma proposta. A plataforma afirma que foi a AGU que encerrou as negociações e diz que a falta de coordenação entre órgãos federais e de clareza sobre as medidas solicitadas tem dificultado as discussões. O Discord também rebateu a caracterização feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e afirmou que grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem violência “não têm lugar” na plataforma. Segundo a empresa, equipes especializadas atuam para identificar ameaças, possíveis vítimas e grupos violentos, além de remover conteúdos e usuários que violem suas políticas e fornecer informações às autoridades quando necessário. Atualmente, o Discord continua disponível no Brasil, mas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real estão suspensas. Mensagens, servidores, canais de voz e chamadas somente de áudio continuam funcionando, segundo a empresa. Veja a nota do Discord na íntegra “O Discord tem um profundo compromisso com a segurança dos usuários e queremos que nossa plataforma de comunicação seja o melhor lugar para amigos se conectarem antes, durante e depois de jogar. Utilizamos uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas. Mantemos sistemas robustos destinados a prevenir a disseminação de exploração sexual e aliciamento em nossa plataforma e também trabalhamos com outras empresas de tecnologia e organizações de segurança para aprimorar a segurança online em toda a internet. Nossos Termos de Serviço exigem que todos os usuários tenham pelo menos 13 anos para usar o Discord e a Central da Família oferece a pais e responsáveis ferramentas para ajudar seus adolescentes a terem uma experiência online mais segura, preservando sua privacidade. Seguimos totalmente comprometidos em cooperar com as autoridades locais neste caso.” Veja mais vídeos do Mato Grosso do Sul