Em nome de Canella, PM negociou com o tráfico tirar barricadas em troca de reduzir operações, diz PF As investigações da Polícia Federal que resultaram na prisão do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), na 8ª fase da Operação Unha e Carne, apontaram que o político mantinha um acordo com lideranças do Comando Vermelho para remover barricadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O intermediário do esquema, segundo a PF, era o capitão da PM Alessander Ribeiro Estrella Rosa, que foi preso em fevereiro por suspeita de negociar com traficantes. Ele não foi alvo da operação desta quinta-feira. De acordo com a investigação, a negociação funcionava assim: Alessander Ribeiro Estrela Rosa agia expressamente como canal de interlocução e intermediário de Márcio Canella com lideranças de cúpula do Comando Vermelho, incluindo Edgar Alves de Andrade, o Doca. Em troca, segundo a PF, a prefeitura e as forças de segurança garantiam menos operações policiais e a "subsequente devolução pacífica do pleno controle territorial aos integrantes do tráfico de entorpecentes" depois da retirada das barricadas. Meses antes, ele já era investigado por um suposto áudio atribuído a ele, em que estaria negociando a retirada das barricadas no município da Baixada. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia PM foi demitido; Órgão especial do TJ vai definir caso Estrella Rosa passou por uma demissão chamada ex- officio, que é o desligamento do oficial da ativa. Nas redes sociais, a corporação afirmou que o parecer teve como base o processo disciplinar feito após as acusações que levaram à sua prisão em 2025. "O Comando da Corporação entendeu que o referido policial não se enquadra nos critérios técnicos de comportamento e conduta necessários para a permanência nos quadros da SEPM", disse a PM no seu post. O parecer foi acolhido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SESP), que recomendou a perda do posto e da patente. Segundo a PM, o caso foi encaminhado ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. De acordo com a corporação, o policial está solto e lotado na subsecretaria de gestão de pessoas da PM. PM agia em nome de Canella, diz PF De acordo com a Polícia Federal, o oficial da PM " agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Márcio Canella". Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas últimas eleições Divulgação/ Alerj De acordo com a PF, Estrella Rosa era o responsável por entrar em contato, representando Márcio Canella, com chefes do CV. Entre eles, estavam Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como o principal chefe da facção, e José Severino da Silva Júnior, o "Soró", que é chefe do complexo do Castelar, uma das principais favelas da facção em Belford Roxo. A defesa de Márcio Canella afirmou que não vai se posicionar por enquanto, pois ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão. O g1 e a TV Globo não conseguiram contato com a defesa de Alessander Ribeiro Estrella Rosa. Traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca Reprodução LEIA TAMBÉM: PF aponta Canella como articulador político de organização criminosa Quem são os irmãos policiais detidos de novo pela PF Quem é quem na operação Unha e Carne e quais são as acusações Investigação aponta movimentação de R$ 7,6 bilhões em seis anos Capitão da PM é afastado após áudio atribuído a ele sugerir negociação com traficantes em Belford Roxo Alessander já tinha tido a demissão pedida pelo então secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes, por envolvimento com um grupo de extermínio. Conhecido como Tenente Alessander, ele recebeu homenagens na Assembleia Legislativa do Rio e foi alvo de uma operação contra policiais militares ligados ao jogo do bicho.
Em nome de Canella, PM negociou com o tráfico tirar barricadas em troca de reduzir operações, diz PF
Escrito em 16/10/2026
Em nome de Canella, PM negociou com o tráfico tirar barricadas em troca de reduzir operações, diz PF As investigações da Polícia Federal que resultaram na prisão do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), na 8ª fase da Operação Unha e Carne, apontaram que o político mantinha um acordo com lideranças do Comando Vermelho para remover barricadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O intermediário do esquema, segundo a PF, era o capitão da PM Alessander Ribeiro Estrella Rosa, que foi preso em fevereiro por suspeita de negociar com traficantes. Ele não foi alvo da operação desta quinta-feira. De acordo com a investigação, a negociação funcionava assim: Alessander Ribeiro Estrela Rosa agia expressamente como canal de interlocução e intermediário de Márcio Canella com lideranças de cúpula do Comando Vermelho, incluindo Edgar Alves de Andrade, o Doca. Em troca, segundo a PF, a prefeitura e as forças de segurança garantiam menos operações policiais e a "subsequente devolução pacífica do pleno controle territorial aos integrantes do tráfico de entorpecentes" depois da retirada das barricadas. Meses antes, ele já era investigado por um suposto áudio atribuído a ele, em que estaria negociando a retirada das barricadas no município da Baixada. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia PM foi demitido; Órgão especial do TJ vai definir caso Estrella Rosa passou por uma demissão chamada ex- officio, que é o desligamento do oficial da ativa. Nas redes sociais, a corporação afirmou que o parecer teve como base o processo disciplinar feito após as acusações que levaram à sua prisão em 2025. "O Comando da Corporação entendeu que o referido policial não se enquadra nos critérios técnicos de comportamento e conduta necessários para a permanência nos quadros da SEPM", disse a PM no seu post. O parecer foi acolhido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SESP), que recomendou a perda do posto e da patente. Segundo a PM, o caso foi encaminhado ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. De acordo com a corporação, o policial está solto e lotado na subsecretaria de gestão de pessoas da PM. PM agia em nome de Canella, diz PF De acordo com a Polícia Federal, o oficial da PM " agia expressamente como canal de interlocução e intermediário dos interesses da gestão municipal chefiada por Márcio Canella". Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas últimas eleições Divulgação/ Alerj De acordo com a PF, Estrella Rosa era o responsável por entrar em contato, representando Márcio Canella, com chefes do CV. Entre eles, estavam Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como o principal chefe da facção, e José Severino da Silva Júnior, o "Soró", que é chefe do complexo do Castelar, uma das principais favelas da facção em Belford Roxo. A defesa de Márcio Canella afirmou que não vai se posicionar por enquanto, pois ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão. O g1 e a TV Globo não conseguiram contato com a defesa de Alessander Ribeiro Estrella Rosa. Traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca Reprodução LEIA TAMBÉM: PF aponta Canella como articulador político de organização criminosa Quem são os irmãos policiais detidos de novo pela PF Quem é quem na operação Unha e Carne e quais são as acusações Investigação aponta movimentação de R$ 7,6 bilhões em seis anos Capitão da PM é afastado após áudio atribuído a ele sugerir negociação com traficantes em Belford Roxo Alessander já tinha tido a demissão pedida pelo então secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes, por envolvimento com um grupo de extermínio. Conhecido como Tenente Alessander, ele recebeu homenagens na Assembleia Legislativa do Rio e foi alvo de uma operação contra policiais militares ligados ao jogo do bicho.

