'Me mantém viva': diabéticos sofrem sem insumos para bomba de insulina no interior de SP

Escrito em 18/07/2026


Falta de insumos para bomba de insulina afeta pacientes com diabetes no interior de SP Os pacientes com diabetes tipo 1 estão enfrentando dificuldades para dar continuidade ao tratamento por causa da falta de insumos necessários ao funcionamento das bombas de insulina, essenciais para o controle da doença, e que deveriam ser oferecidos pela prefeitura. Em nota, a Prefeitura de Mococa informou que atende 15 pacientes, em cumprimento de decisões judiciais que determinam o fornecimento contínuo de bombas de insulina e dos respectivos insumos necessários ao tratamento e que essas demandas representam um investimento anual superior a R$ 1 milhão, integralmente suportado pelo município (Veja o posicionamento completo abaixo). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram A bomba de insulina é um equipamento que fica preso ao corpo do paciente, fazendo a função que seria do pâncreas: liberar as doses de insulina para controle da glicose no corpo. "A gente depende dela para viver. Nós estamos precisando com urgência desses insumos, senão não dá para a gente ter uma vida normal. É uma bomba-relógio", disse o comerciante Luiz Desuó Filho. A bomba de insulina custa cerca de R$ 20 mil. Luiz e a esposa entraram na Justiça para conseguir os insumos, que deveriam ser retirados todos os meses na Farmácia Municipal. Falta de insumos para bomba de insulina afeta pacientes com diabetes tipo 1 em Mococa EPTV/Reprodução Em 23 de junho, o comerciante retirou parte dos insumos, mas faltou o cateter. Luiz retornou nesta semana, e a resposta foi a mesma: a compra foi temporariamente suspensa. "É uma luta longa, faz bastante tempo que a gente vem, falta. Às vezes tem a insulina, mas não tem o cateter. E o cateter é o que leva a insulina para o corpo. Não adianta ter a insulina, tem que ter a bomba, tem que ter o minilink", disse a cabeleireira e esposa de Luiz, Carla Maria Rafaldinis Desuó. A situação não é um problema isolado, são muitas pessoas que dependem da bomba de insulina. Os dois filhos da professora Rilda Alves têm diabetes tipo 1. No entanto, de acordo com ela, a doença da filha é mais grave. "Meu filho tirou a bomba porque não tem os insumos e a minha filha hoje já tem retinopatia diabética", disse a professora. 🔎 A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que danifica os vasos sanguíneos da retina, podendo causar perda irreversível da visão. É silenciosa no início, mas pode evoluir para visão embaçada, manchas flutuantes e cegueira. Mais notícias da região: LUTO: Fundador do Caminho da Fé, Almiro José Grings, morre aos 85 anos no interior de SP VÍDEO: Coletor de lixo vira Homem-Aranha e enfrenta frio no interior de SP: 'Tem que ser herói' CRIME: 'drive-thru' do tráfico rendia R$ 300 mil ao mês no interior de SP, diz polícia; 16 pessoas são presas Custo elevado do cateter Falta de insumos para bomba de insulina afeta pacientes com diabetes tipo 1 em Mococa EPTV/Reprodução A professora explicou que não consegue arcar com as despesas dos tratamentos dos filhos. "A gente não tem condições. Aí eu entrei pelo Estado também, eu ganhei para ele, para ela, não. Aí meu filho tirou a bomba, deu a bomba para a irmã usar porque a irmã precisa mais do que ele. [...] Ele está usando insulina normal com seringa, aplicando com seringa e ela está usando os insumos da bomba". Mesmo não sendo o ideal para o menino, ele está se sacrificando ao abrir mão da bomba para ajudar a irmã. "É porque a irmã corre o risco de ficar cega e é coisa grave, não é brincadeira". A atendente comercial Maria Aparecida Boarati também está na luta pelo filho, que foi diagnosticado com a doença há 22 anos, sendo que há aproximadamente 12 precisa usar a bomba. "A pessoa perde os sentidos, cai. A bomba já foi indicada para o meu filho para isso, para ajudar nesse ponto". Dificuldades no monitoramento Assim como os outros pacientes, a recepcionista Ana Luiza da Silva só tem o cateter que está no corpo. A bomba está funcionando sem o sensor e, por isso, ela não consegue controlar como estão os níveis de glicose. "Para mim é muito ruim. Eu moro sozinha, é mais difícil ainda. Porque, se eu não tiver isso [sensor], é a minha vida, é a minha salvação, é o que me mantém viva", pontuou. As famílias pedem com urgência que a entrega dos insumos seja normalizada. "Que a gente consiga ter tudo normalizado como era, porque normaliza um tempo, [depois] falta. E nesse tempo que falta, como que a gente fica? Não é fácil", afirmou Ana Luiza. O que diz a Prefeitura Falta de insumos para bomba de insulina afeta pacientes com diabetes tipo 1 em Mococa EPTV/Reprodução Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Mococa, por meio da prefeitura, informou que enfrenta uma situação excepcional relacionada ao fornecimento de insumos destinados aos pacientes que utilizam bombas de infusão contínua de insulina. De acordo com a administração municipal, a cidade atende 15 pacientes, em cumprimento de decisões judiciais que determinam o fornecimento contínuo de bombas de insulina e dos respectivos insumos necessários ao tratamento e que essas demandas representam um investimento anual superior a R$ 1 milhão, integralmente suportado pelo município. "Embora a assistência à saúde seja, por determinação da Constituição Federal e da Organização do Sistema Único de Saúde (SUS), uma responsabilidade compartilhada entre União, Estados e Municípios, as decisões judiciais relacionadas a esses pacientes atribuíram ao município de Mococa a obrigação de custear integralmente o tratamento", disse a prefeitura. Em razão de pendências financeiras acumuladas junto à empresa responsável pelo fornecimento dos produtos, surgiram dificuldades concretas à realização de novas aquisições. A prefeitura tentou regularizar a situação, inclusive com proposta de parcelamento dos débitos, mas, até o momento, não houve uma solução compatível com as finanças do município. A administração disse que, ao longo dos últimos anos, foram cumpridas essas determinações, garantindo a continuidade da assistência e o fornecimento dos insumos necessários, entretanto, em razão de pendências financeiras acumuladas junto à empresa responsável pelo fornecimento dos produtos compatíveis com os equipamentos usados pelos pacientes, surgiram dificuldades concretas à realização de novas aquisições. "É importante esclarecer que não se trata de uma decisão administrativa de interromper o tratamento nem de qualquer questionamento ao direito dos pacientes. A situação decorre de uma impossibilidade material e temporária de aquisição dos insumos, ocasionada por circunstâncias excepcionais que impedem, neste momento, a continuidade do fornecimento pela via administrativa", disse. A prefeitura informou que está adotando as medidas administrativas e judiciais cabíveis para buscar uma solução que assegure a continuidade dos tratamentos. "O objetivo é submeter a situação ao Poder Judiciário, apresentando de forma transparente a impossibilidade temporária de aquisição e buscando uma alternativa juridicamente segura que preserve o atendimento aos pacientes". ASSISTA À REPORTAGEM COMPLETA: REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara