Lula vence em 57 municípios do Amazonas; Flávio ganha em Manaus e outras quatro cidades Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, o Amazonas manteve uma tradição que já dura quase quatro décadas: desde a redemocratização, em 1989, o candidato à presidência da República mais votado no estado é eleito. O padrão se repetiu no segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25). No Amazonas, Lula recebeu 54,02% dos votos válidos, contra 45,98% de Flávio Bolsonaro (PL). Para tentar entender a coincidência, que também ocorre com o estado de Minas Gerais, o g1 conversou com o cientista político Helso Ribeiro, que analisou o cenário local e identificou fatores que podem ajudar a explicar o comportamento do estado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Interior tende a apoiar o PT e Manaus se mantém a centro-direita Segundo Helso, o interior do Amazonas tem uma tendência de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto Manaus apresenta maior propensão a votar em candidaturas de centro e centro-direita. Lula venceu a disputa em 57 dos 62 municípios amazonenses. A maior votação proporcional no Amazonas do presidente eleito ocorreu em Barreirinha, onde recebeu 90,90% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 9,10%. O petista também teve votações expressivas em Boa Vista do Ramos, com 86,92%, em Maués, com 83,64%, e em São Paulo de Olivença, onde recebeu 83,42% dos votos válidos. Na capital amazonense, o candidato do PL recebeu 55,83% dos votos, contra 44,17% de Lula. Em relação ao primeiro turno, Flávio teve um aumento de 2,50% na votação, enquanto o petista registrou crescimento de 18,54%. Apuí foi o município com o melhor desempenho proporcional de Flávio Bolsonaro no estado. Ele obteve 72,55% dos votos válidos, contra 27,35% de Lula. Flávio também foi o mais votado em Guajará, Boca do Acre e Humaitá. Para Ribeiro, a diferença entre o comportamento eleitoral da capital e o do interior é uma característica importante para compreender os resultados no estado. Ele também pondera que a coincidência entre a votação amazonense e o resultado nacional precisa ser investigada para identificar os fatores que explicam essa sequência histórica. “Diferente de Minas, o Amazonas há uma tendência do interior apoiar maciçamente o presidente Lula e o PT. O PT principalmente, que isso ocorreu com a Dilma, com Haddad, e já a capital ser mais propensa a candidaturas mais, eu diria, voltadas para centro, para centro-direita”, afirmou. Mapa de votação para presidente no Amazonas no 2° turno. Veja resultado por municípios Infográfico: arte/g1 Amazonas acompanha resultado nacional desde 1989 O levantamento considera as dez eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2026. Nesse período, o candidato mais votado no Amazonas e em Minas Gerais também venceu a disputa nacional. Histórico de votação para presidente da República no AM desde 1989 Na avaliação de Helso Ribeiro, a coincidência pode estar relacionada à maneira como os eleitores dos dois estados recebem os discursos políticos apresentados durante as campanhas. “O que a gente pode interpretar dessa coincidência que já dura 10 pleitos é que a população, tanto de Minas quanto do Amazonas, talvez assimile um sentimento de aceitação ou não de discursos que podem ser a tendência do Brasil”, disse. Diferenças entre os estados Apesar do histórico semelhante nas eleições presidenciais, Amazonas e Minas Gerais têm características territoriais e eleitorais distintas, segundo Ribeiro. O Amazonas tem aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados e 62 municípios. Minas Gerais, por sua vez, tem o segundo maior colégio eleitoral do país e um eleitorado que, na avaliação do cientista político, é bastante heterogêneo. “Fora essa coincidência de dez eleições, a gente vê que em Minas o eleitorado é bem heterogêneo e pode até representar, de certa forma, a heterogeneidade que nós vemos da população brasileira”, afirmou. O cientista político ressaltou que a sequência de resultados ainda demanda estudos estatísticos para explicar porque os dois estados acompanham o vencedor da eleição presidencial. “Penso que ainda vai demandar estudos e estatísticos para verificar esta incrível coincidência”, concluiu. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) após o resultado do segundo turno das eleições Montagem/g1
Amazonas mantém histórico de 'cravar' todos os presidentes eleitos desde 1989; cientista político explica
Escrito em 27/10/2026
Lula vence em 57 municípios do Amazonas; Flávio ganha em Manaus e outras quatro cidades Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, o Amazonas manteve uma tradição que já dura quase quatro décadas: desde a redemocratização, em 1989, o candidato à presidência da República mais votado no estado é eleito. O padrão se repetiu no segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25). No Amazonas, Lula recebeu 54,02% dos votos válidos, contra 45,98% de Flávio Bolsonaro (PL). Para tentar entender a coincidência, que também ocorre com o estado de Minas Gerais, o g1 conversou com o cientista político Helso Ribeiro, que analisou o cenário local e identificou fatores que podem ajudar a explicar o comportamento do estado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Interior tende a apoiar o PT e Manaus se mantém a centro-direita Segundo Helso, o interior do Amazonas tem uma tendência de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto Manaus apresenta maior propensão a votar em candidaturas de centro e centro-direita. Lula venceu a disputa em 57 dos 62 municípios amazonenses. A maior votação proporcional no Amazonas do presidente eleito ocorreu em Barreirinha, onde recebeu 90,90% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 9,10%. O petista também teve votações expressivas em Boa Vista do Ramos, com 86,92%, em Maués, com 83,64%, e em São Paulo de Olivença, onde recebeu 83,42% dos votos válidos. Na capital amazonense, o candidato do PL recebeu 55,83% dos votos, contra 44,17% de Lula. Em relação ao primeiro turno, Flávio teve um aumento de 2,50% na votação, enquanto o petista registrou crescimento de 18,54%. Apuí foi o município com o melhor desempenho proporcional de Flávio Bolsonaro no estado. Ele obteve 72,55% dos votos válidos, contra 27,35% de Lula. Flávio também foi o mais votado em Guajará, Boca do Acre e Humaitá. Para Ribeiro, a diferença entre o comportamento eleitoral da capital e o do interior é uma característica importante para compreender os resultados no estado. Ele também pondera que a coincidência entre a votação amazonense e o resultado nacional precisa ser investigada para identificar os fatores que explicam essa sequência histórica. “Diferente de Minas, o Amazonas há uma tendência do interior apoiar maciçamente o presidente Lula e o PT. O PT principalmente, que isso ocorreu com a Dilma, com Haddad, e já a capital ser mais propensa a candidaturas mais, eu diria, voltadas para centro, para centro-direita”, afirmou. Mapa de votação para presidente no Amazonas no 2° turno. Veja resultado por municípios Infográfico: arte/g1 Amazonas acompanha resultado nacional desde 1989 O levantamento considera as dez eleições presidenciais realizadas entre 1989 e 2026. Nesse período, o candidato mais votado no Amazonas e em Minas Gerais também venceu a disputa nacional. Histórico de votação para presidente da República no AM desde 1989 Na avaliação de Helso Ribeiro, a coincidência pode estar relacionada à maneira como os eleitores dos dois estados recebem os discursos políticos apresentados durante as campanhas. “O que a gente pode interpretar dessa coincidência que já dura 10 pleitos é que a população, tanto de Minas quanto do Amazonas, talvez assimile um sentimento de aceitação ou não de discursos que podem ser a tendência do Brasil”, disse. Diferenças entre os estados Apesar do histórico semelhante nas eleições presidenciais, Amazonas e Minas Gerais têm características territoriais e eleitorais distintas, segundo Ribeiro. O Amazonas tem aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros quadrados e 62 municípios. Minas Gerais, por sua vez, tem o segundo maior colégio eleitoral do país e um eleitorado que, na avaliação do cientista político, é bastante heterogêneo. “Fora essa coincidência de dez eleições, a gente vê que em Minas o eleitorado é bem heterogêneo e pode até representar, de certa forma, a heterogeneidade que nós vemos da população brasileira”, afirmou. O cientista político ressaltou que a sequência de resultados ainda demanda estudos estatísticos para explicar porque os dois estados acompanham o vencedor da eleição presidencial. “Penso que ainda vai demandar estudos e estatísticos para verificar esta incrível coincidência”, concluiu. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) após o resultado do segundo turno das eleições Montagem/g1

