Após compra de terrenos por R$ 3,9 milhões, Mohamad Hussein e Beto Louco planejaram sede 'faraônica' Reprodução A investigação da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou planos atribuídos a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, de transformar o Grupo Itajobi em uma potência do setor sucroenergético no interior paulista. Os dois, que seguiam foragidos da Justiça até a publicação desta reportagem, são apontados pelos promotores como chefes de um esquema criminoso que atuava no setor de combustíveis. Eles foram denunciados por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica (veja mais abaixo). Como parte desse projeto de expansão, segundo a denúncia, estava prevista a construção de uma sede para o conglomerado em Catanduva, no interior de São Paulo. O empreendimento foi descrito pelos promotores como um prédio corporativo de dimensões “faraônicas”: seriam três pavimentos e 6.733,36 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 10 mil m². Os terrenos onde a sede seria construída foram comprados por R$ 3,9 milhões. Segundo o Ministério Público, o dinheiro saiu da conta da Aster Petróleo, empresa adquirida por Beto Louco e Primo em 2020, e passou por cinco contas intermediárias antes de chegar à empresa que formalmente comprou os imóveis. Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades. Montagem/g1 Para os promotores, o caminho percorrido pelo dinheiro e a estrutura societária usada na aquisição tinham como objetivo ocultar os beneficiários finais dos imóveis e dificultar a identificação de quem efetivamente os controlava. Segundo a denúncia, a estrutura financeira investigada na Operação Carbono Oculto teria sido utilizada para ocultar dinheiro de fraudes que resultaram em mais de R$ 1 bilhão em impostos devidos. É nesse contexto que aparece o projeto da sede do Grupo Itajobi em Catanduva. Em nota, a defesa de Mohamad disse que a denúncia "repete todo o estratagema que a Operação Carbono Oculto vem desenvolvendo desde que foi deflagrada, que é a estratégia da especulação sobre fatos não provados e que são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade". "Não é possível, a partir da denúncia, extrair qual é o fato que está sendo objeto da acusação. É uma denúncia de 300 páginas, da qual nem sequer é possível apontar qual é o crime antecedente quer seria objeto de lavagem. Ora a denúncia fala de contexto, ora ela fala de outros processos em curso, de operações investigatórias que vieram antes, para no fim repetir aquela narrativa especulativa: de que há um grande processo de lavagem sem explicar qual é o dinheiro que está sendo lavado, proveniente de onde e de que maneira se dá a alegada lavagem". Já a defesa de Roberto Lemos disse que provará, no curso do processo," a improcedência da denúncia ofertada, demonstrando, outrossim, a nulidade do feito que tramita em Juízo Estadual, o que à toda evidência contraria os termos legais." Projeto de 6,7 mil m² Após compra de terrenos por R$ 3,9 milhões, Mohamad Hussein e Beto Louco planejaram sede 'faraônica' Reprodução Os dois terrenos destinados à sede foram adquiridos em outubro de 2023. Segundo a denúncia, o dinheiro utilizado na compra saiu da conta da Aster Petróleo às 13h14 e passou por cinco contas intermediárias até chegar à RGP Property, às 13h22. Na sequência, a empresa que recebeu os valores efetuou o pagamento aos vendedores, às 14h23. Em 11 de janeiro de 2024, a Usina Itajobi Ltda. — Açúcar e Álcool apresentou à Prefeitura de Catanduva um pedido de alvará para a construção de um prédio comercial destinado a escritório corporativo. O documento indicava que o objetivo era construir a sede do Grupo Itajobi. O projeto previa três pavimentos e 6.733,36 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 10 mil m². Para o Ministério Público, o tamanho do empreendimento representava um ativo imobiliário de grande porte, com elevado valor patrimonial e necessidade de investimento significativo. "A obra faraônica demonstra a intencionalidade expansionista da organização criminosa, regada com dinheiro ilícito", afirmou o MP. A responsabilidade técnica pelo projeto ficou a cargo da Conceb Engenharia Ltda., por meio do engenheiro Ali Mohamad Mourad, primo de Mohamad Hussein Mourad, segundo a denúncia. Durante uma diligência no local, os investigadores encontraram uma placa da empresa de engenharia no terreno, localizado na Rua Martinho Canozo, Quadra C, Lotes 5 e 6. A placa fazia referência ao Alvará nº 56.656 e ao processo nº 565/2024, de 11 de janeiro de 2024. Dinheiro passou por cinco contas De acordo com a denúncia, os R$ 3,9 milhões usados para comprar os terrenos saíram da conta da Aster Petróleo e foram transferidos, em sequência, pelas contas das empresas SM Serviços, HIMAD, INSIGHT e STRUCTURA, até chegar à RGP Property. Segundo o MP, foram cinco contas intermediárias entre a origem e o destino do dinheiro. Todo o percurso teria levado oito minutos, das 13h14 às 13h22. Para os promotores, as transferências não tinham justificativa econômica ou financeira e tinham como finalidade distanciar os beneficiários finais dos imóveis da origem dos recursos utilizados na compra. Quem era o dono dos terrenos Formalmente, os terrenos foram adquiridos pela RGP Participações Ltda., posteriormente renomeada FL Properties and Investments Ltda. Apesar disso, o pedido de construção apresentado à Prefeitura de Catanduva apontava a Usina Itajobi como responsável pelo empreendimento e indicava que o prédio seria a sede do Grupo Itajobi. Segundo a denúncia, isso demonstraria uma dissociação entre a propriedade formal dos imóveis e o beneficiário dos investimentos. O MP afirma que os terrenos eram destinados à futura sede do Grupo Itajobi, enquanto a propriedade formal estava vinculada a uma empresa que integrava a estrutura do Fundo Pompeia, sob a Scotia Holdings. Para a Promotoria, essa estrutura societária teria sido utilizada para ocultar os beneficiários finais e dificultar a identificação de quem efetivamente controlava os imóveis. O Ministério Público pediu à Justiça o perdimento dos dois terrenos e da construção relacionada ao Alvará nº 56.656. Lavagem de dinheiro e falsidade ideológica A nova denúncia do MP, resultado da Operação Carbono Oculto, aponta o uso de um intrincado mecanismo financeiro. O esquema ia de empresas de fachada a fundos de investimento para mascarar o patrimônio ilícito. Segundo o MP, os investigados tinham a pretensão de se estabelecer como uma potência sucroenergética na região, por meio do Grupo Itajobi. Carbono Oculto: MP denuncia 16 por esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em SP 'Beto Louco' e 'Primo': quem comandava esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis A origem principal dos recursos ilícitos seria a atuação da própria organização criminosa por meio da "fraude fiscal estruturada", na qual o grupo simulava importações para sonegar impostos. Além disso, o MP aponta que o dinheiro ilícito também vinha de crimes contra o consumidor — como fraudes em bombas e venda de combustível adulterado nos postos — e de infrações anteriores envolvendo a importação de nafta, um derivado do petróleo usado para adulterar combustíveis. Força-tarefa deflagra 2ª fase da Operação Carbono Oculto em 5 estados Para escoar o dinheiro gerado pelas fraudes, o grupo recorreu a três frentes no mercado financeiro, segundo o MP. Primeiro, registrou dezenas de firmas em nome de laranjas. Somente uma das empresas teria movimentado R$ 15 bilhões operando como uma espécie de caixa dois. Em seguida, contas de pagamento (fintechs) foram utilizadas para pulverizar os recursos. O esquema se valia de "contas bolsão" para camuflar a origem e o destino final do dinheiro, burlando o controle do Sistema Financeiro Nacional. No topo da cadeia, os recursos desaguavam no mercado de capitais. Com a participação de uma gestora e de um advogado, o esquema criava fundos fechados para “blindar” o dinheiro, escondendo os verdadeiros beneficiários. Infográfico - Quem é o chefe do esquema do PCC no setor de combustíveis Arte/g1
Após compra de terrenos por R$ 3,9 milhões, Mohamad Hussein e Beto Louco planejaram sede 'faraônica' no interior de SP, diz MP
Escrito em 04/09/2026
Após compra de terrenos por R$ 3,9 milhões, Mohamad Hussein e Beto Louco planejaram sede 'faraônica' Reprodução A investigação da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou planos atribuídos a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, de transformar o Grupo Itajobi em uma potência do setor sucroenergético no interior paulista. Os dois, que seguiam foragidos da Justiça até a publicação desta reportagem, são apontados pelos promotores como chefes de um esquema criminoso que atuava no setor de combustíveis. Eles foram denunciados por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica (veja mais abaixo). Como parte desse projeto de expansão, segundo a denúncia, estava prevista a construção de uma sede para o conglomerado em Catanduva, no interior de São Paulo. O empreendimento foi descrito pelos promotores como um prédio corporativo de dimensões “faraônicas”: seriam três pavimentos e 6.733,36 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 10 mil m². Os terrenos onde a sede seria construída foram comprados por R$ 3,9 milhões. Segundo o Ministério Público, o dinheiro saiu da conta da Aster Petróleo, empresa adquirida por Beto Louco e Primo em 2020, e passou por cinco contas intermediárias antes de chegar à empresa que formalmente comprou os imóveis. Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades. Montagem/g1 Para os promotores, o caminho percorrido pelo dinheiro e a estrutura societária usada na aquisição tinham como objetivo ocultar os beneficiários finais dos imóveis e dificultar a identificação de quem efetivamente os controlava. Segundo a denúncia, a estrutura financeira investigada na Operação Carbono Oculto teria sido utilizada para ocultar dinheiro de fraudes que resultaram em mais de R$ 1 bilhão em impostos devidos. É nesse contexto que aparece o projeto da sede do Grupo Itajobi em Catanduva. Em nota, a defesa de Mohamad disse que a denúncia "repete todo o estratagema que a Operação Carbono Oculto vem desenvolvendo desde que foi deflagrada, que é a estratégia da especulação sobre fatos não provados e que são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade". "Não é possível, a partir da denúncia, extrair qual é o fato que está sendo objeto da acusação. É uma denúncia de 300 páginas, da qual nem sequer é possível apontar qual é o crime antecedente quer seria objeto de lavagem. Ora a denúncia fala de contexto, ora ela fala de outros processos em curso, de operações investigatórias que vieram antes, para no fim repetir aquela narrativa especulativa: de que há um grande processo de lavagem sem explicar qual é o dinheiro que está sendo lavado, proveniente de onde e de que maneira se dá a alegada lavagem". Já a defesa de Roberto Lemos disse que provará, no curso do processo," a improcedência da denúncia ofertada, demonstrando, outrossim, a nulidade do feito que tramita em Juízo Estadual, o que à toda evidência contraria os termos legais." Projeto de 6,7 mil m² Após compra de terrenos por R$ 3,9 milhões, Mohamad Hussein e Beto Louco planejaram sede 'faraônica' Reprodução Os dois terrenos destinados à sede foram adquiridos em outubro de 2023. Segundo a denúncia, o dinheiro utilizado na compra saiu da conta da Aster Petróleo às 13h14 e passou por cinco contas intermediárias até chegar à RGP Property, às 13h22. Na sequência, a empresa que recebeu os valores efetuou o pagamento aos vendedores, às 14h23. Em 11 de janeiro de 2024, a Usina Itajobi Ltda. — Açúcar e Álcool apresentou à Prefeitura de Catanduva um pedido de alvará para a construção de um prédio comercial destinado a escritório corporativo. O documento indicava que o objetivo era construir a sede do Grupo Itajobi. O projeto previa três pavimentos e 6.733,36 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 10 mil m². Para o Ministério Público, o tamanho do empreendimento representava um ativo imobiliário de grande porte, com elevado valor patrimonial e necessidade de investimento significativo. "A obra faraônica demonstra a intencionalidade expansionista da organização criminosa, regada com dinheiro ilícito", afirmou o MP. A responsabilidade técnica pelo projeto ficou a cargo da Conceb Engenharia Ltda., por meio do engenheiro Ali Mohamad Mourad, primo de Mohamad Hussein Mourad, segundo a denúncia. Durante uma diligência no local, os investigadores encontraram uma placa da empresa de engenharia no terreno, localizado na Rua Martinho Canozo, Quadra C, Lotes 5 e 6. A placa fazia referência ao Alvará nº 56.656 e ao processo nº 565/2024, de 11 de janeiro de 2024. Dinheiro passou por cinco contas De acordo com a denúncia, os R$ 3,9 milhões usados para comprar os terrenos saíram da conta da Aster Petróleo e foram transferidos, em sequência, pelas contas das empresas SM Serviços, HIMAD, INSIGHT e STRUCTURA, até chegar à RGP Property. Segundo o MP, foram cinco contas intermediárias entre a origem e o destino do dinheiro. Todo o percurso teria levado oito minutos, das 13h14 às 13h22. Para os promotores, as transferências não tinham justificativa econômica ou financeira e tinham como finalidade distanciar os beneficiários finais dos imóveis da origem dos recursos utilizados na compra. Quem era o dono dos terrenos Formalmente, os terrenos foram adquiridos pela RGP Participações Ltda., posteriormente renomeada FL Properties and Investments Ltda. Apesar disso, o pedido de construção apresentado à Prefeitura de Catanduva apontava a Usina Itajobi como responsável pelo empreendimento e indicava que o prédio seria a sede do Grupo Itajobi. Segundo a denúncia, isso demonstraria uma dissociação entre a propriedade formal dos imóveis e o beneficiário dos investimentos. O MP afirma que os terrenos eram destinados à futura sede do Grupo Itajobi, enquanto a propriedade formal estava vinculada a uma empresa que integrava a estrutura do Fundo Pompeia, sob a Scotia Holdings. Para a Promotoria, essa estrutura societária teria sido utilizada para ocultar os beneficiários finais e dificultar a identificação de quem efetivamente controlava os imóveis. O Ministério Público pediu à Justiça o perdimento dos dois terrenos e da construção relacionada ao Alvará nº 56.656. Lavagem de dinheiro e falsidade ideológica A nova denúncia do MP, resultado da Operação Carbono Oculto, aponta o uso de um intrincado mecanismo financeiro. O esquema ia de empresas de fachada a fundos de investimento para mascarar o patrimônio ilícito. Segundo o MP, os investigados tinham a pretensão de se estabelecer como uma potência sucroenergética na região, por meio do Grupo Itajobi. Carbono Oculto: MP denuncia 16 por esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em SP 'Beto Louco' e 'Primo': quem comandava esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis A origem principal dos recursos ilícitos seria a atuação da própria organização criminosa por meio da "fraude fiscal estruturada", na qual o grupo simulava importações para sonegar impostos. Além disso, o MP aponta que o dinheiro ilícito também vinha de crimes contra o consumidor — como fraudes em bombas e venda de combustível adulterado nos postos — e de infrações anteriores envolvendo a importação de nafta, um derivado do petróleo usado para adulterar combustíveis. Força-tarefa deflagra 2ª fase da Operação Carbono Oculto em 5 estados Para escoar o dinheiro gerado pelas fraudes, o grupo recorreu a três frentes no mercado financeiro, segundo o MP. Primeiro, registrou dezenas de firmas em nome de laranjas. Somente uma das empresas teria movimentado R$ 15 bilhões operando como uma espécie de caixa dois. Em seguida, contas de pagamento (fintechs) foram utilizadas para pulverizar os recursos. O esquema se valia de "contas bolsão" para camuflar a origem e o destino final do dinheiro, burlando o controle do Sistema Financeiro Nacional. No topo da cadeia, os recursos desaguavam no mercado de capitais. Com a participação de uma gestora e de um advogado, o esquema criava fundos fechados para “blindar” o dinheiro, escondendo os verdadeiros beneficiários. Infográfico - Quem é o chefe do esquema do PCC no setor de combustíveis Arte/g1

