Em encontro histórico no Paquistão, EUA e Irã negociam fim da guerra sob clima de desconfiança

Escrito em 12/04/2026

EUA e Irã começam negociações no Paquistão para tentar encerrar a guerra Estados Unidos e Irã começaram neste sábado (11), no Paquistão, as negociações pra encerrar a guerra. Em Islamabad, o clima é de blindagem total. A capital paquistanesa foi tomada por forças de segurança. Ruas bloqueadas, acesso restrito, e um hotel completamente isolado. É nesse ambiente que Estados Unidos e Irã tentam negociar. Antes, cada lado se reuniu separadamente com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. As negociações começaram com as mensagens transmitidas pelo anfitrião, o intermediário. Era um diálogo indireto - o que mostrava o nível de desconfiança entre os dois lados. Só depois todos os países se reuniram. É o primeiro encontro presencial entre Irã e Estados Unidos desde 2015. E o contato de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979. Mas, nos bastidores, as suspeitas continuam. A delegação americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, ao lado do enviado especial da Casa Branca Steve Witkoff e do genro de Donald Trump, Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o presidente do parlamento Mohammad Baqer Qalibaf e o ministro das relações exteriores Abbas Araqchi. Teerã chegou à mesa com condições que considera inegociáveis. Quer garantias de que terá o controle do Estreito de Ormuz, o desbloqueio de ativos financeiros e o fim dos ataques no Líbano. “O cessar-fogo deve ser respeitado em todas as frentes”, disse o porta-voz do regime, Esmaeil Baghaei. Enquanto a diplomacia tenta avançar, a pressão militar segue em tempo real. A delegação iraniana mantém contato constante com aliados, inclusive o grupo extremista libanês Hezbollah. Fora das salas de negociação, os ataques israelenses no Líbano ameaçam a trégua. Em Beirute, explosões atingiram bairros densamente povoados. O exército de Israel afirma que os alvos são instalações e integrantes do Hezbollah. O governo do Líbano pede um cessar-fogo imediato. Este sábado, o número de mortos no país passou de 2 mil. O primeiro-ministro de Israel fez um pronunciamento na TV e declarou que quer um pacto de paz verdadeiro com os libaneses. Mas Benjamin Netanyahu disse que a batalha contra o Hezbollah ainda não acabou. O grupo vem atacando Israel desde o início da guerra no Irã. O caminho para uma solução continua incerto. Autoridades americanas relataram ao jornal "The New York Times" que o Irã não está encontrando as minas que colocou pra bloquear o Estreito de Ormuz. E isso estaria atrasando a possibilidade de um acordo. Neste sábado, os Estados Unidos fizeram uma operação pra liberar a rota mesmo sem a autorização dos iranianos. Um navio de guerra americano se aproximou da região. O Irã emitiu um alerta: disse que poderia atacar em até 30 minutos. Mas não houve bombardeio. Nas redes sociais, Donald Trump afirmou que as forças americanas estavam "limpando" o Estreito de Ormuz. Mais tarde, o pentágono confirmou que não apenas um, mas dois navios de guerra atravessaram a passagem como parte de uma operação pra retirar as minas marinhas do Irã e liberar a rota. Foi a primeira vez que embarcações americanas passaram pelo estreito desde o início da guerra. Ormuz é uma das principais rotas de petróleo do mundo. No fim do dia, a imprensa estatal iraniana noticiou que o controle da passagem continuava sendo um ponto de sérias divergências nas negociações. O regime avaliou as demandas americanas como excessivas - o que pode indicar que um acordo ainda está longe. LEIA TAMBÉM Governo firma acordo com agência dos EUA para combate ao tráfico de armas e drogas