Recomendações do Reino Unido sobre estoque de comida são alvo de desinformação nas redes sociais

Escrito em 03/11/2026


Um cliente caminha por um corredor dentro de um supermercado Tesco em Manchester, no Reino Unido. REUTERS/Phil Noble Estoque de nove litros de água engarrafada e comida suficiente para três dias. Essas foram algumas das recomendações que o governo britânico anunciou no fim de outubro para enfrentar possíveis emergências do dia-a-dia. As medidas, porém, passaram a circular nas redes sociais de maneira distorcida, como se sinalizassem um alerta de colapso mundial. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os posts alegam que diversos países estariam indicando estoque de água e alimentos como precaução para uma possível emergência global. "Dessa vez o apagão é real e deve acontecer nos próximos dias" e "Um apagão de energia e internet vem aí", dizem algumas das mensagens. Alguns conteúdos desinformativos ainda fazem críticas ao governo brasileiro e aos meios de comunicação do país, que não estariam orientando a população: "E nós aqui no Brasil? Ficamos só assistindo?". Lançada em 22 de outubro, a campanha "Be Ready" ("esteja preparado", em tradução livre), na verdade, incentiva que as famílias britânicas tenham em casa suprimentos necessários para se manter durante situações adversas, como crises climáticas, ataques cibernéticos, além de interrupção de fornecimento de energia, água, telefone e internet. "Aqueles que puderem seguir essas recomendações deve segui-las", afirmou Dan Jarvis, ministro da Segurança do Reino Unido. Segundo ele, as medidas também servem para reduzir a pressão de serviços de emergência em momentos de crise, como durante tempestades severas. Agora no g1 Além de água e alimentos, a campanha também indica que a população mantenha itens como cobertores, kit de primeiros socorros, medicamentos essenciais, lanterna e dinheiro em espécie. O governo britânico esclareceu que as medidas se alinham com instruções governamentais de outros países, como França, Alemanha e Suécia, que também tem planos de emergência similares. A iniciativa parte de um plano governamental de três anos de conscientização pública e foi lançada antes da temporada de inverno no Reino Unido, período que tem sido marcado por uma série de tempestades severas na região. Em setembro deste ano, a secretária do Meio Ambiente do Reino Unido, Angela Eagle, também já havia orientado o estoque de comida para enfrentar o Super El Niño, que pode provocar mais de 800 mil mortes relacionadas ao calor extremo até março de 2027. A recomendação ocorre após uma falha grave de segurança que levou empresas e governos ao redor do mundo a retirarem milhares de sites do ar em outubro deste ano.