Exército deve ter primeira mulher general da história do país; conheça a coronel médica indicada

Escrito em 08/03/2026


Coronel Cláudia Lima Gusmão Cacho foi proposta para promoção a general de brigada. Centro de Comunicação Social do Exército "Coronel”, “tenente-coronel”, “major”, “tenente”, "cabo". Nas Forças Armadas, as patentes quase sempre são usadas no masculino, mesmo quando uma mulher veste a farda. Quanto mais perto do topo da hierarquia, menor a representatividade – e a necessidade de um nome específico. Mas neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Exército Brasileiro se aproxima de um momento inédito: uma mulher pode chegar ao generalato. A escolhida é a coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, indicada para promoção ao posto de general de brigada. Se confirmada, ela será a primeira mulher general do Exército Brasileiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A indicação foi aprovada em votação secreta pelo Alto Comando do Exército. O processo agora segue o trâmite formal: o comandante apresenta a proposta ao ministro da Defesa, que encaminha o nome ao presidente da República. A publicação no Diário Oficial da União está prevista para 31 de março. Quem é Cláudia Cacho Coronel Cláudia Lima Gusmão Cacho foi proposta para promoção a general de brigada. Centro de Comunicação Social do Exército/Divulgação Nascida em Recife (PE), Cláudia é médica pediatra formada pela Universidade de Pernambuco (UPE). Ela ingressou no Exército em 1996, inicialmente como oficial temporária no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia (GO). Em 1998, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos da Escola de Saúde do Exército, iniciando uma carreira de quase três décadas na área de saúde militar. Atualmente, é subdiretora do Hospital Militar de Área de Brasília. A expectativa é que, após a promoção, ela assuma a direção da unidade. Mulheres nas Forças Armadas Cerimônia de incorporação feminina ao serviço militar em Brasília As primeiras soldados mulheres do Exército Brasileiro foram incorporadas somente neste ano — 1.467 pioneiras em 13 estados e no Distrito Federal. A cermônia de incorporação em Brasília foi no primeiro dia útil de março, o mês da mulher. Segundo o Exército, durante o primeiro semestre de 2025, cerca de 33 mil jovens se alistaram para o Serviço Militar Inicial Feminino. A presença feminina cresceu gradualmente nas últimas décadas. Em 1992, 52 mulheres ingressaram no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público. A partir de 1997, engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas militares se formaram elo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela Escola de Saúde do Exército. Outra ampliação ocorreu em 2016, quando o Exército passou a permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico, com vagas em cursos de formação de sargentos e na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. No ano passado, pela primeira vez, seis mulheres foram promovidas à graduação de subtenente, o posto mais alto entre as praças. Mas afinal: é general ou "generala"? Segundo a professora de língua portuguesa Vânia Beneveli, do ponto de vista gramatical, a língua portuguesa permite a formação do feminino para patentes militares. Assim, termos como “generala”, “coronela” e “sargenta” são considerados possíveis dentro das regras do idioma. A especialista explica que a gramática prevê a flexão de gênero para nomes de cargos e profissões. “Substantivos que designam pessoas podem variar em gênero por meio de alterações morfológicas ou pelo acréscimo da desinência feminina”, afirma a especialista. Dicionários e registros oficiais da língua também reconhecem essas formas. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, por exemplo, inclui palavras como “generala”, “coronela”, “sargenta” e “capitã”. Apesar disso, nem todas as formas são comuns no uso cotidiano. Segundo Beneveli, algumas palavras ainda não se consolidaram socialmente, já que as patentes militares foram ocupadas majoritariamente por homens ao longo da história. "O uso institucional consolidou uma prática diferente: manter o nome da patente no masculino e indicar o gênero por meio do artigo. Dessa forma, em documentos oficiais e na comunicação institucional, costuma-se dizer 'a coronel', 'a general' ou 'a sargento'", explica. A professora reforça que a sociedade passa por um momento de transição, em que a presença feminina nesses cargos começa a influenciar também a língua. "Como lembram os estudos da historiografia linguística, a língua é um organismo que se transforma à medida que a sociedade que a fala passa pelas suas transformações sociais e culturais", explica a professora. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.