Katya Wolf/Pexels Seu filho pede um cachorro, promete passear todos os dias, colocar comida e cuidar do animal. Para muitas famílias, a dúvida é conhecida: ter um cãozinho pode fazer companhia, ensinar responsabilidade e criar um vínculo afetivo — mas isso, por si só, não significa que a experiência será benéfica para toda criança ou adolescente. Um estudo publicado neste mês no periódico científico "Journal of Adolescence" reforça justamente essa ideia. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A pesquisa, feita nos Estados Unidos com 514 adolescentes de 13 a 17 anos com níveis elevados de ansiedade social, analisou como diferentes tipos de relação com os cães estavam associados à maneira como esses jovens lidavam com situações de estresse entre colegas. 🐶 Os pesquisadores avaliaram, por exemplo, quanto tempo os adolescentes passavam com o cachorro, se participavam dos cuidados, se procuravam o animal quando estavam chateados e se o consideravam mais importante do que os próprios amigos. ➡️ O resultado mostrou que companhia e cuidado com o animal estavam associados a maneiras mais saudáveis de enfrentar o estresse, como buscar soluções, controlar melhor as emoções e tentar enxergar um problema por outro ângulo. Apenas sentir carinho pelo cachorro, por outro lado, não apresentou uma associação significativa com essas estratégias. “Um dos resultados mais consistentes até agora é que a qualidade da relação parece importar, e não apenas se há ou não um cachorro em casa”, explica ao g1 Megan Mueller, professora da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, e diretora de um laboratório que estuda a relação entre pessoas e animais. Agora no g1 Segundo Mueller, ações concretas, como participar dos cuidados e passar tempo com o cão, podem ter um papel diferente do simples sentimento de carinho. A hipótese é que essas experiências ajudem o adolescente a exercitar comportamentos que também podem ser úteis diante de outras situações difíceis. ⚠️ Mas há uma diferença importante entre associação e causa. O estudo não mostra que ter ou cuidar de um cachorro melhora a saúde emocional de um adolescente. Também pode ser que jovens que já lidam melhor com o estresse construam relações diferentes com seus animais. 📝 O que o estudo sugere — e o que ele não permite concluir: Ter um cachorro, sozinho, não garante benefício emocional. Companhia e participação nos cuidados apareceram associadas a formas mais saudáveis de enfrentar o estresse. O estudo não mostra que adotar um cão reduza ansiedade ou resolva dificuldades de relacionamento. Todos os participantes já tinham cachorro, portanto a pesquisa não comparou adolescentes com e sem animais. Os resultados foram obtidos com adolescentes com níveis elevados de ansiedade social, por isso não podem ser automaticamente aplicados a todos os jovens. Um dos achados mais inesperados apareceu justamente quando os adolescentes buscavam o cachorro como fonte de apoio emocional. Quanto maior esse comportamento, maior também a associação com ruminação — ficar voltando repetidamente ao mesmo problema — e menor com estratégias como tentar reformular pensamentos negativos. Isso não significa que procurar conforto no animal faça mal. Uma das possibilidades levantadas pelos pesquisadores é que jovens com menos apoio de amigos ou familiares recorram mais ao cachorro nos momentos difíceis. “Não sabemos ao certo sem pesquisas adicionais, mas suspeitamos que isso possa estar relacionado à ideia de que um cachorro se tornar a principal fonte de apoio social de um adolescente pode refletir a falta de outras conexões sociais”, afirma Mueller. Stephen Chantzis/Pexels Ela ressalta que o estudo não permite concluir que a interação com o cão seja a causa desse resultado. ☝️ A pesquisa encontrou algo semelhante entre adolescentes que viam o cachorro como substituto das relações humanas, por exemplo ao dizer que o animal era mais importante do que qualquer amigo. Esse comportamento também apareceu ligado a algumas formas menos saudáveis de enfrentar o estresse. Para os pais, isso não significa que um vínculo muito forte com o animal seja um problema. O ponto de atenção é perceber se o cachorro faz parte da rede de afeto do jovem ou se está ocupando quase sozinho o espaço das relações com outras pessoas. 🐾 E, antes de dizer sim ao pedido por um cachorro, a decisão também passa por questões bem práticas. Mueller recomenda avaliar se todos na família querem o animal, quanto tempo haverá para cuidar e treiná-lo e se tamanho, nível de atividade e personalidade do cão combinam com a rotina da casa. “O que nossa pesquisa ajuda a destacar é que a qualidade das relações importa e que a dinâmica da família e a relação individual do jovem com o cachorro são fatores importantes para entender qualquer possível benefício”, destaca. LEIA TAMBÉM: Farmacêutica reduz preço das doses de 1,7 mg e 2,4 mg da Poviztra, caneta com semaglutida Creutzfeldt-Jakob, doença de Lito Sousa, não é a mesma que a 'vaca louca'; entenda Por que a definição sobre o autismo virou ponto central de uma batalha
Seu filho quer um cachorro? Estudo mostra o que importa nessa relação
Escrito em 23/08/2026
Katya Wolf/Pexels Seu filho pede um cachorro, promete passear todos os dias, colocar comida e cuidar do animal. Para muitas famílias, a dúvida é conhecida: ter um cãozinho pode fazer companhia, ensinar responsabilidade e criar um vínculo afetivo — mas isso, por si só, não significa que a experiência será benéfica para toda criança ou adolescente. Um estudo publicado neste mês no periódico científico "Journal of Adolescence" reforça justamente essa ideia. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A pesquisa, feita nos Estados Unidos com 514 adolescentes de 13 a 17 anos com níveis elevados de ansiedade social, analisou como diferentes tipos de relação com os cães estavam associados à maneira como esses jovens lidavam com situações de estresse entre colegas. 🐶 Os pesquisadores avaliaram, por exemplo, quanto tempo os adolescentes passavam com o cachorro, se participavam dos cuidados, se procuravam o animal quando estavam chateados e se o consideravam mais importante do que os próprios amigos. ➡️ O resultado mostrou que companhia e cuidado com o animal estavam associados a maneiras mais saudáveis de enfrentar o estresse, como buscar soluções, controlar melhor as emoções e tentar enxergar um problema por outro ângulo. Apenas sentir carinho pelo cachorro, por outro lado, não apresentou uma associação significativa com essas estratégias. “Um dos resultados mais consistentes até agora é que a qualidade da relação parece importar, e não apenas se há ou não um cachorro em casa”, explica ao g1 Megan Mueller, professora da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, e diretora de um laboratório que estuda a relação entre pessoas e animais. Agora no g1 Segundo Mueller, ações concretas, como participar dos cuidados e passar tempo com o cão, podem ter um papel diferente do simples sentimento de carinho. A hipótese é que essas experiências ajudem o adolescente a exercitar comportamentos que também podem ser úteis diante de outras situações difíceis. ⚠️ Mas há uma diferença importante entre associação e causa. O estudo não mostra que ter ou cuidar de um cachorro melhora a saúde emocional de um adolescente. Também pode ser que jovens que já lidam melhor com o estresse construam relações diferentes com seus animais. 📝 O que o estudo sugere — e o que ele não permite concluir: Ter um cachorro, sozinho, não garante benefício emocional. Companhia e participação nos cuidados apareceram associadas a formas mais saudáveis de enfrentar o estresse. O estudo não mostra que adotar um cão reduza ansiedade ou resolva dificuldades de relacionamento. Todos os participantes já tinham cachorro, portanto a pesquisa não comparou adolescentes com e sem animais. Os resultados foram obtidos com adolescentes com níveis elevados de ansiedade social, por isso não podem ser automaticamente aplicados a todos os jovens. Um dos achados mais inesperados apareceu justamente quando os adolescentes buscavam o cachorro como fonte de apoio emocional. Quanto maior esse comportamento, maior também a associação com ruminação — ficar voltando repetidamente ao mesmo problema — e menor com estratégias como tentar reformular pensamentos negativos. Isso não significa que procurar conforto no animal faça mal. Uma das possibilidades levantadas pelos pesquisadores é que jovens com menos apoio de amigos ou familiares recorram mais ao cachorro nos momentos difíceis. “Não sabemos ao certo sem pesquisas adicionais, mas suspeitamos que isso possa estar relacionado à ideia de que um cachorro se tornar a principal fonte de apoio social de um adolescente pode refletir a falta de outras conexões sociais”, afirma Mueller. Stephen Chantzis/Pexels Ela ressalta que o estudo não permite concluir que a interação com o cão seja a causa desse resultado. ☝️ A pesquisa encontrou algo semelhante entre adolescentes que viam o cachorro como substituto das relações humanas, por exemplo ao dizer que o animal era mais importante do que qualquer amigo. Esse comportamento também apareceu ligado a algumas formas menos saudáveis de enfrentar o estresse. Para os pais, isso não significa que um vínculo muito forte com o animal seja um problema. O ponto de atenção é perceber se o cachorro faz parte da rede de afeto do jovem ou se está ocupando quase sozinho o espaço das relações com outras pessoas. 🐾 E, antes de dizer sim ao pedido por um cachorro, a decisão também passa por questões bem práticas. Mueller recomenda avaliar se todos na família querem o animal, quanto tempo haverá para cuidar e treiná-lo e se tamanho, nível de atividade e personalidade do cão combinam com a rotina da casa. “O que nossa pesquisa ajuda a destacar é que a qualidade das relações importa e que a dinâmica da família e a relação individual do jovem com o cachorro são fatores importantes para entender qualquer possível benefício”, destaca. LEIA TAMBÉM: Farmacêutica reduz preço das doses de 1,7 mg e 2,4 mg da Poviztra, caneta com semaglutida Creutzfeldt-Jakob, doença de Lito Sousa, não é a mesma que a 'vaca louca'; entenda Por que a definição sobre o autismo virou ponto central de uma batalha

