'Tesoureira' de esquema de desvios de drogas na Polícia Civil é transferida para prisão domiciliar, na Paraíba

Escrito em 24/07/2026


'Tesoureira' de esquema de desvios de drogas na Polícia Civil é posta em prisão domiciliar, na Paraíba Reprodução / Polícia Civil da Paraíba A Justiça da Paraíba concedeu prisão domiciliar a Vanessa Dantas Fernandes, investigada por atuar como a "tesoureira" de um esquema de desvio de drogas envolvendo policiais civis no Sertão do estado. Ela estava presa temporariamente no âmbito da Operação Perfidus, que também resultou na prisão do delegado Braz Morroni e de dois agentes da Polícia Civil. A decisão foi proferida pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano de Brito Cordeiro, da 2ª Vara Regional das Garantias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Segundo as investigações, Vanessa disponibilizava contas bancárias para receber, fracionar e distribuir recursos provenientes do tráfico internacional e interestadual de drogas, repassando parte dos valores aos policiais investigados. Entenda mais abaixo. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Vanessa Dantas até a última atualização desta reportagem. Ao conceder a prisão domiciliar, a magistrada impôs uma série de medidas cautelares. Vanessa deverá usar tornozeleira eletrônica, podendo sair de casa apenas para consultas médicas. Ela também está proibida de deixar a comarca por mais de oito dias sem autorização judicial, deverá manter endereço e telefone atualizados e não poderá manter contato com os demais investigados nem com testemunhas da Operação Perfidus. Além de Vanessa, a operação também prendeu o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires, conhecido como "Bomba", e Eduardo Jorge, apelidado de "Mão Branca". O delegado e os dois agentes já foram indiciados pela Polícia Civil em um dos inquéritos que apuram o esquema de desvio de drogas. LEIA TAMBÉM: Agentes da polícia presos tentaram ficar com parte de dinheiro de tráfico que seria entregue a delegado na PB Polícia pede a prisão preventiva de delegado e agentes investigados por desvio de drogas, na PB Investigação que levou à prisão de delegado na PB começou após denúncia de traficante, diz polícia A operação Operação Perfidus, da Polícia Civil da Paraíba (Polícia Civil da Paraíba/Divulgação) A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados. Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes. O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa. Quem é quem no esquema Everton Aires, Eduardo Jorge e Braz Morroni Reprodução/TV Globo O principal apontado como operador do grupo criminoso é o investigador da Polícia Civil, Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba". Conforme a decisão judicial que autorizou a operação e mostra a suposta participação do esquema, ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina, orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro e até atuar em esquemas paralelos de importação irregular de mercadorias e comercialização de anabolizantes. O documento também menciona movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda e diversas transações com suspeitos ligados ao tráfico. Eduardo Jorge Ferreira - agente da Polícia Civil Também conforme a decisão, outro personagem do esquema é o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O documento judicial afirma que ele participava diretamente das ações de subtração de drogas, monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência. O documento destaca ainda movimentações financeiras milionárias, relações comerciais consideradas suspeitas e mecanismos de ocultação patrimonial por meio de empresas e terceiros. João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth e Paulo Ricardo - integrantes do grupo criminoso Outro apontado pela investigação é João Wicttor Alves de Lima, conhecido como "Vitor", que a Justiça coloca como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema. Brendo Roberth Fernandes Sobral, o "Breno", seria subordinado de João Wicttor e atuaria na guarda, refino e distribuição dos entorpecentes. Já Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", é apontado como informante dos policiais e distribuidor de drogas, fornecendo informações sobre depósitos de facções rivais em troca de parte das cargas desviadas, além de participar da movimentação financeira do grupo por meio de empresas próprias. José Alexandrino de Lira Júnior - chefe de distribuição de carregamentos de drogas Com atuação principalmente voltada para o Sertão da Paraíba, José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como "Júnior Lira", é descrito como líder da distribuição de grandes carregamentos de drogas na região etambém no Rio Grande do Norte, financiando remessas interestaduais e mantendo relações diretas com Everton, citado anteriormente. Dankennedy Vieira - integrante de facção criminosa A decisão também menciona Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau", integrante da facção criminosa Nova Okaida. Segundo a investigação, ele teria sido uma das vítimas do desvio de drogas praticado pelos policiais e foi quem divulgou imagens nas redes sociais que deram origem às apurações. Ele foi o único que não foi preso no cumprimento do mandado de prisão. Todos os outros citados anteriormente, foram presos. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba