VÍDEO: Mulher chora ao reconhecer nome de irmão desaparecido em porta de prisão em mostra sobre regime de Assad, na Síria

Escrito em 03/09/2026


Mulher chora ao reconhecer nome de irmão desaparecido em exposição sobre prisões de Assad "Vocês podem me dar essa porta, por favor?", perguntou, emocionada, uma mulher ao funcionário de uma exposição sobre os horrores do regime de Bashar al-Assad em Damasco, na Síria. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Identificada como Lama Awad, ela reconheceu a assinatura do irmão, Anas, entalhada em uma das portas de uma prisão — que também funcionava como centro de tortura — para opositores do ex-ditador sírio, deposto em 2024. Anas, até hoje, é considerado desaparecido político. A cena foi publicada na última terça-feira (1º) nas redes sociais do Arquivo da Revolução Síria e circulou por veículos de imprensa ao redor do mundo. A porta da cela faz parte da mostra "Quando os Muros Falam", que reúne itens de prisões e centros de tortura do regime Assad. A exposição, em Damasco, foi criada pelo Ministério do Interior da Síria. Boa parte dos objetos em exposição foram recolhidos de notórios centros de detenção da época de Assad, a Seccional 215 e a Seccional 244. Não foi divulgado de qual das prisões saiu a porta da cela na qual Lama Awad reconheceu o nome do irmão. Mulher se emociona ao reconhecer nome de irmão desaparecido em porta de prisão em mostra sobre regime de Assad, na Síria Reprodução/@syrevarch/Instagram Condenação à morte Após sua deposição, em dezembro de 2024, Bashar al-Assad se exilou na Rússia. A Síria atualmente é governada por Ahmed al-Sharaa, um ex-militante dos grupos terroristas Al Qaeda e Estado Islâmico que lutou contra o regime na guerra civil síria, iniciada em 2011. No último dia 11, um tribunal sírio condenou à morte Assad e seu irmão mais novo, Maher, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos do conflito, que deixou cerca de 500 mil mortos. Bashar al-Assad, em imagem de arquivo JOSEPH EID / AFP Um dos primos maternos de Assad, chamado Atef Najib, também foi condenado à morte no mesmo processo, acusado de por liderar uma repressão na província de Daraa, no sul do país, que "incitou uma guerra civil e conflitos sectários", segundo o tribunal. Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu dentro de uma jaula, usando uniforme de presidiário, enquanto o juiz lia a sentença em um tribunal criminal (veja na foto abaixo). Ex-general do Exército sírio, Najib não conseguiu fugir da Síria e se tornou um dos funcionários de mais alto escalão da ditadura Assad a ser levado a julgamento. Atef Najib, primo de Bashar al-Assad e ex-chefe do Departamento de Segurança Política de Daraa, aparece em jaula durante julgamento no Palácio da Justiça, em Damasco, na Síria. Foto de 26 de abril de 2026. AP Photo/Ghaith Alsayed/Arquivo Dinastia Assad Bashar al-Assad sucedeu no poder o pai, Hafez al-Assad, que morreu 2000 após governar a Síria por três décadas. Seu regime foi fruto de um golpe de Estado dado em 1971. A família Assad é alauita, uma minoria religiosa xiita na Síria. Nascido em 11 de setembro de 1965, em Damasco, estudou medicina e se especializou em oftalmologia. Em Londres, cursou uma pós-graduação. Em 1994, Basil, seu irmão mais velho e sucessor natural de Hafez, morreu num acidente. Com isso, Bashar tornou-se o herdeiro do poder na família. Em 10 de junho de 2000, ele foi declarado presidente pelo parlamento após um referendo popular no qual recebeu uma aprovação de 97,29%. Naquele momento, Bashar tinha 34 anos. Ele herdou e fez uso de uma extensa rede de opressão herdada do pai para se garantir no poder até a chegada dos insurgentes a Damasco, em 8 de dezembro de 2024.