Michelle Nogueira transforma superação em acolhimento e propósito

Escrito em 09/10/2026


Aos 43 anos, Michelle Nogueira olha para a própria trajetória como um caminho de reconstrução. Depois de conviver por 28 anos com o alcoolismo e por 17 anos com a dependência química, ela afirma ter encontrado na sobriedade, no estudo e no apoio de pessoas próximas a base para reorganizar a vida e estabelecer novos objetivos. Segundo Michelle, o processo de mudança exigiu disciplina, responsabilidade e uma decisão diária de seguir em frente. Para ela, os anos mais difíceis não determinam o fim de uma história, mas podem se transformar em ponto de partida para uma nova fase. Wiitch Plant Divulgação A trajetória de superação de Michelle Nogueira também se conecta à comunidade feminina Wiitch Plant, criada por Iago França Rodrigues. Integrante do grupo, Michelle encontra nesse ambiente uma oportunidade de compartilhar sua história de reconstrução pessoal e profissional, marcada pela busca por conhecimento, acolhimento e novos caminhos. Estudo como parte do recomeço Nos últimos quatro anos de sobriedade, Michelle intensificou a dedicação aos estudos. O objetivo, segundo ela, era compreender melhor temas relacionados à mente humana, aos traumas, às dependências e às dinâmicas emocionais que fazem parte de sua própria experiência e do trabalho de acolhimento que passou a desenvolver. Nesse período, buscou formação como psicanalista, terapeuta e orientadora. Para Michelle, o conhecimento técnico se tornou uma forma de organizar vivências pessoais e ampliar sua capacidade de escuta e acompanhamento de pessoas que atravessam momentos de dificuldade. A rede de apoio também teve papel importante nessa fase. Michelle destaca a participação de Robinson, conhecido como Binho, seu parceiro de vida, amigo e pai de seu filho. Enquanto ela conciliava os estudos com a criação dos dois filhos e a reconstrução da rotina, ele ajudou nos cuidados familiares e também na aquisição de seu primeiro notebook, equipamento que viabilizou parte de sua formação. Vivência, espiritualidade e atendimento A trajetória de Michelle também é marcada pela espiritualidade, que ela considera parte importante de seu processo pessoal. Em seus atendimentos, afirma combinar estudo constante, experiência de vida, escuta e práticas ligadas à cartomancia. Para ela, esse trabalho não se resume à busca por respostas sobre o futuro. Michelle entende sua atuação como uma forma de orientar pessoas que se sentem confusas ou desorientadas diante de situações difíceis, sempre a partir da perspectiva e dos métodos que desenvolveu ao longo de sua caminhada. A união entre vivência pessoal, espiritualidade e estudos também motivou Michelle a desenvolver um livro. Na obra, ela pretende abordar autoconhecimento, transformação pessoal e os aprendizados acumulados durante seu processo de reconstrução. Família como base As raízes familiares ocupam espaço central na trajetória de Michelle. Ela guarda com carinho a memória do pai, Orlando, a quem descreve como um dos grandes amores de sua vida. Ele morreu em 1º de abril deste ano, e Michelle afirma que seguir em frente também é uma forma de preservar seu legado. Em casa, encontra força nos filhos, Maria Vitória e Davi. Michelle descreve Maria Vitória como amiga e parceira, enquanto Davi representa alegria e renovação para a família. Para ela, poder estar presente na vida dos filhos, de forma sóbria e consciente, é uma de suas maiores conquistas. Uma história voltada ao próximo Hoje, Michelle afirma dedicar sua rotina ao acolhimento e à orientação de pessoas que procuram apoio em momentos de transformação. A experiência que viveu, somada aos estudos e à espiritualidade, tornou-se parte do propósito que escolheu seguir. Sua história é apresentada por ela como um exemplo de que recomeços são possíveis e de que pedir ajuda, construir uma rede de apoio e buscar conhecimento podem abrir novos caminhos. Mais do que apagar o passado, Michelle busca ressignificá-lo e transformá-lo em aprendizado para a vida que constrói no presente. Para quem atravessa um momento difícil, ela deixa uma mensagem baseada na própria experiência: reconhecer a necessidade de mudança, aceitar apoio e acreditar na possibilidade de reconstrução podem ser os primeiros passos para uma nova etapa.