Conselho da Paz ainda não tem nomes de peso, e Lula ganha tempo para decidir, dizem assessores

Escrito em 22/01/2026

Trump lança 'Conselho da Paz' em Davos O Conselho de Paz lançado nesta quinta-feira (22) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não tem uma representação de peso mundial e, por isso, o presidente Lula ganha tempo para decidir enquanto aguarda o posicionamento de outras potências que ainda não se pronunciaram sobre o convite do norte-americano. Essa é a avaliação de assessores do presidente Lula sobre a iniciativa de Donald Trump. Um ponto destacado é que, dos 193 membros da Organização das Nações Unidas (ONU), somente cerca de 20 estavam em Davos na cerimônia organizada pelos Estados Unidos. Isso significa que o Brasil não está sozinho ao avaliar com cuidado os passos a seguir. Da União Europeia, apenas a Hungria estava representada pelo primeiro-ministro, Viktor Orbán. Nem a Itália, que tem um posicionamento mais alinhado com a direita trumpista, entrou. Do G7, apenas os Estados Unidos. Em relação à América do Sul, dois presidentes prestigiaram o anúncio de Donald Trump, nomes já esperados, sem nenhuma surpresa. Os presidentes da Argentina, Javier Milei, e o do Paraguai, Santiago Peña, estavam no grupo que acompanhou o lançamento do Conselho de Paz para a região da Faixa de Gaza. O Brasil tem o cuidado de evitar um posicionamento que represente um esvaziamento da ONU. O presidente Lula tem críticas à atual conformação de regras da entidade, mas defende uma reforma da organização, não o seu enfraquecimento. Tem a mesma posição sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC). Por enquanto, segundo assessores presidenciais, o Conselho de Paz pode ser uma iniciativa importante, mas não pode representar uma entidade permanente que venha a substituir a ONU. Esse risco ainda não está afastado. O Brasil e outras potências mundiais não dariam apoio a uma iniciativa como essa. Não agrada ainda ao Brasil e a outras potências a possibilidade de Trump ser o único com poder de veto do conselho, o que transformaria a entidade num conselho do Trump, não dos países que venham a integrá-lo.