Casal que viaja o Brasil em casa sobre rodas chega ao Acre 🏠🚙 Acordar em uma cidade, dormir em outra e mudar os planos no meio do caminho. Para Aline Tavares e Luis Paulo, a rotina não depende de um endereço fixo nem de uma passagem de volta. É que há quase três anos, o casal trocou a vida que levava no interior do Rio de Janeiro por uma casa sobre rodas e chegou ao Acre no último final de semana para descobrir de perto uma cultura que consideram pouco explorada pelo turismo. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Em Rio Branco, os viajantes querem ir além dos pontos turísticos mais conhecidos. A ideia, segundo os dois, é experimentar a culinária, conhecer as paisagens e conviver com os moradores para entender melhor o modo de vida da região. De acordo com Aline, a parada no estado também faz parte de um caminho maior. Ela e o marido pretendem seguir até o Peru, mas, como já aprenderam na estrada, não há roteiro que não possa mudar. “Resolvemos ficar aqui por alguns dias para sentir a cultura do Acre. Um dos destaques daqui é uma cultura diferente de outras regiões do Brasil. A comida é mais forte, todo mundo é receptivo. A gente chegou aqui já se sentindo em casa, fomos muito bem recebidos. Então, nosso objetivo é viver um pouquinho, ter essa vivência da região, sabe?', contou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 e chegaram ao Acre no último final de semana Seronilson Marinheiro/Rede Amazônica A chegada ao Acre já rendeu experiências que entraram para a coleção de histórias da viagem. Uma delas foi o calor logo nas primeiras horas da manhã do último domingo (11). Ao sair para correr, por volta das 7h, o casal sentiu uma temperatura que, segundo Aline, parecia a de uma tarde inteira. “Foi a primeira vez que a gente viu 42 graus, 7H da manhã. [...] A volta parecia que já era insolação”, brincou. LEIA MAIS: Casal transforma trabalho com unhas em renda e desafia preconceitos no Acre: 'Conquistamos muitas coisas' Expedição de fuscas deve cruzar BR-319 e percorrer mais de 4 mil km entre Acre e Roraima: 'Propósito' Jornalista aceita ser madrinha e organiza festa de casamento do ex-marido no Acre: 'continuamos uma família' Aline e Luis Paulo também foram ao Mercado do Bosque, um dos espaços tradicionais da capital, para experimentar comidas típicas da região. No cardápio da descoberta, entraram o quibe de arroz, o quibe de macaxeira, o mingau de banana comprida, também conhecida como banana-da-terra, e o mingau de farinha de tapioca. Aline e Luis Paulo experimentam comidas típicas do Acre durante visita ao Mercado do Bosque, em Rio Branco Arquivo pessoal Mudança A vida sobre rodas começou a tomar forma depois de um encontro de motorhomes em São Paulo. Aline e Luis Paulo já gostavam de acampar e fazer trilhas, mas conhecer pessoas que viajavam dessa maneira fez o casal perceber que poderia transformar a vontade de conhecer o Brasil em um estilo de vida. A escolha foi rápida. Em cerca de três meses, eles decidiram como queriam viver, organizaram a mudança e conseguiram o trailer. Aline pediu exoneração do cargo público que ocupava, enquanto Luis Paulo colocou à venda o restaurante que mantinha na região onde moravam. O estabelecimento tinha 260 lugares e servia diferentes tipos de comida. Como era conhecido, atraiu interessados assim que o proprietário anunciou a venda. O negócio foi fechado em apenas dois dias. “Quando a gente comentou que ia vender, apareceu muita gente. A gente conseguiu vender em dois dias, assim. E aí foi até um susto, porque eu queria vender, mas você fica com medo, né? Quando vendeu, sabe quando você quer, mas logo chega alguém e fala: ‘Não sei se eu quero’. Aí ficamos com medo, mas conseguimos vender”, lembrou Luis Paulo. Casa sobre rodas de Aline e Luis Paulo chega ao Acre Seronilson Marinheiro / Rede Amazônica A decisão, segundo Aline, veio da vontade de realizar um sonho enquanto ainda havia tempo para aproveitá-lo. Para ela, esperar a aposentadoria para começar a fazer o que gosta não era a única possibilidade. O casal começou oficialmente a viver na estrada em dezembro de 2023. Desde então, a viagem passou a ser também uma forma de trabalho: eles compartilham pelas redes sociais a rotina, os lugares que conhecem e as experiências acumuladas pelo caminho para incentivar outras pessoas a perseguirem os próprios objetivos. “Eu acho que a gente é muito acostumado a trabalhar a vida inteira, CLT, para se aposentar e aí fazer o que ama, né? E às vezes não dá tempo. A gente conheceu vários exemplos de pessoas que não deram tempo, amigos próximos nossos. Então a gente resolveu fazer, dar tempo antes de ficar velhinho”, explicou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 Arquivo pessoal Uma casa pequena para viver A casa do casal é um trailer adaptado para a rotina de duas pessoas. O espaço tem cozinha compacta, fogão de duas bocas, geladeira e uma mesa pequena, que também serve para as refeições. Para eles, ter o necessário é mais importante do que contar com um veículo enorme. A escolha também tem relação com a logística. Como passam a maior parte do tempo na rua, precisam encontrar lugares para estacionar, abastecer com água e lidar com as necessidades do dia a dia. Um veículo muito grande, segundo Luis Paulo, poderia tornar essas tarefas mais complicadas. O casal costuma dormir em locais públicos, e não em campings ou hotéis, com exceções pontuais. Por isso, a segurança é uma preocupação constante. Entre os imprevistos mais comuns estão problemas com a energia, falta de água e a necessidade de mudar o local onde estacionaram. “Eu brinco que a gente é morador de rua. A gente tá há três anos dormindo na rua, literalmente. [...] Então a gente fica sempre com esse medo de ser seguro”, relatou Luis Paulo. Casa sobre rodas tem cama, cozinha compacta com fogão de duas bocas, geladeira e uma pequena mesa, onde o casal vive durante as viagens Arquivo pessoal Até agora, segundo ele, os problemas foram administráveis, sem acidentes ou situações graves. Quando precisam lidar com algum imprevisto, tentam adaptar a rotina e aproveitar o tempo disponível. A divisão das tarefas também faz parte dessa adaptação. Aline fica responsável pela cozinha, enquanto Luis Paulo cuida da limpeza. Os dois dirigem e se revezam nas viagens mais longas, embora as manobras com o trailer exijam mais atenção. Para ele, a convivência constante exige diálogo e colaboração. Como os dois compartilham um espaço pequeno durante praticamente todo o dia, os acordos são essenciais para evitar conflitos. “Se você não tiver uma troca, uma comunicação e uma troca de atividades, sempre vai dar briga”, resumiu. 'Ir com medo mesmo' Apesar de incentivar outras pessoas a conhecerem a estrada, o casal evita tratar a mudança como uma receita que funciona para todo mundo. Luis Paulo reconhece que a decisão dos dois foi arriscada e diz que não seria responsável recomendar que qualquer pessoa abandonasse o emprego e começasse a viajar sem considerar a própria realidade. “Eu brinco que a gente foi o louco que deu certo. [...] A gente fica com muito medo de dar dicas, porque eu vou falar: ‘Larga seu emprego, vai viajar’. E aí? É muito complicado isso”, ponderou. Aline também reconhece que o medo continua presente, mesmo depois de anos de viagem. Para ela, a experiência mostrou que não é necessário ter um veículo luxuoso ou levar tudo o que se imagina precisar para começar. “Minha dica é ir com o que você tem, ir com medo mesmo. Acredita que vai dar certo. [...] Às vezes a gente acha que precisa se organizar e ter um motorhome de um milhão, de ter isso, de ter aquilo. [...] É na estrada que você vai ver se precisa de mais, se precisa de menos. Na maioria das vezes, você precisa de menos”, completou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 Arquivo pessoal VÍDEOS: g1
Casal que viaja em casa sobre rodas chega ao Acre para conhecer tradições locais: 'Sentir a cultura'
Escrito em 14/10/2026
Casal que viaja o Brasil em casa sobre rodas chega ao Acre 🏠🚙 Acordar em uma cidade, dormir em outra e mudar os planos no meio do caminho. Para Aline Tavares e Luis Paulo, a rotina não depende de um endereço fixo nem de uma passagem de volta. É que há quase três anos, o casal trocou a vida que levava no interior do Rio de Janeiro por uma casa sobre rodas e chegou ao Acre no último final de semana para descobrir de perto uma cultura que consideram pouco explorada pelo turismo. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Em Rio Branco, os viajantes querem ir além dos pontos turísticos mais conhecidos. A ideia, segundo os dois, é experimentar a culinária, conhecer as paisagens e conviver com os moradores para entender melhor o modo de vida da região. De acordo com Aline, a parada no estado também faz parte de um caminho maior. Ela e o marido pretendem seguir até o Peru, mas, como já aprenderam na estrada, não há roteiro que não possa mudar. “Resolvemos ficar aqui por alguns dias para sentir a cultura do Acre. Um dos destaques daqui é uma cultura diferente de outras regiões do Brasil. A comida é mais forte, todo mundo é receptivo. A gente chegou aqui já se sentindo em casa, fomos muito bem recebidos. Então, nosso objetivo é viver um pouquinho, ter essa vivência da região, sabe?', contou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 e chegaram ao Acre no último final de semana Seronilson Marinheiro/Rede Amazônica A chegada ao Acre já rendeu experiências que entraram para a coleção de histórias da viagem. Uma delas foi o calor logo nas primeiras horas da manhã do último domingo (11). Ao sair para correr, por volta das 7h, o casal sentiu uma temperatura que, segundo Aline, parecia a de uma tarde inteira. “Foi a primeira vez que a gente viu 42 graus, 7H da manhã. [...] A volta parecia que já era insolação”, brincou. LEIA MAIS: Casal transforma trabalho com unhas em renda e desafia preconceitos no Acre: 'Conquistamos muitas coisas' Expedição de fuscas deve cruzar BR-319 e percorrer mais de 4 mil km entre Acre e Roraima: 'Propósito' Jornalista aceita ser madrinha e organiza festa de casamento do ex-marido no Acre: 'continuamos uma família' Aline e Luis Paulo também foram ao Mercado do Bosque, um dos espaços tradicionais da capital, para experimentar comidas típicas da região. No cardápio da descoberta, entraram o quibe de arroz, o quibe de macaxeira, o mingau de banana comprida, também conhecida como banana-da-terra, e o mingau de farinha de tapioca. Aline e Luis Paulo experimentam comidas típicas do Acre durante visita ao Mercado do Bosque, em Rio Branco Arquivo pessoal Mudança A vida sobre rodas começou a tomar forma depois de um encontro de motorhomes em São Paulo. Aline e Luis Paulo já gostavam de acampar e fazer trilhas, mas conhecer pessoas que viajavam dessa maneira fez o casal perceber que poderia transformar a vontade de conhecer o Brasil em um estilo de vida. A escolha foi rápida. Em cerca de três meses, eles decidiram como queriam viver, organizaram a mudança e conseguiram o trailer. Aline pediu exoneração do cargo público que ocupava, enquanto Luis Paulo colocou à venda o restaurante que mantinha na região onde moravam. O estabelecimento tinha 260 lugares e servia diferentes tipos de comida. Como era conhecido, atraiu interessados assim que o proprietário anunciou a venda. O negócio foi fechado em apenas dois dias. “Quando a gente comentou que ia vender, apareceu muita gente. A gente conseguiu vender em dois dias, assim. E aí foi até um susto, porque eu queria vender, mas você fica com medo, né? Quando vendeu, sabe quando você quer, mas logo chega alguém e fala: ‘Não sei se eu quero’. Aí ficamos com medo, mas conseguimos vender”, lembrou Luis Paulo. Casa sobre rodas de Aline e Luis Paulo chega ao Acre Seronilson Marinheiro / Rede Amazônica A decisão, segundo Aline, veio da vontade de realizar um sonho enquanto ainda havia tempo para aproveitá-lo. Para ela, esperar a aposentadoria para começar a fazer o que gosta não era a única possibilidade. O casal começou oficialmente a viver na estrada em dezembro de 2023. Desde então, a viagem passou a ser também uma forma de trabalho: eles compartilham pelas redes sociais a rotina, os lugares que conhecem e as experiências acumuladas pelo caminho para incentivar outras pessoas a perseguirem os próprios objetivos. “Eu acho que a gente é muito acostumado a trabalhar a vida inteira, CLT, para se aposentar e aí fazer o que ama, né? E às vezes não dá tempo. A gente conheceu vários exemplos de pessoas que não deram tempo, amigos próximos nossos. Então a gente resolveu fazer, dar tempo antes de ficar velhinho”, explicou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 Arquivo pessoal Uma casa pequena para viver A casa do casal é um trailer adaptado para a rotina de duas pessoas. O espaço tem cozinha compacta, fogão de duas bocas, geladeira e uma mesa pequena, que também serve para as refeições. Para eles, ter o necessário é mais importante do que contar com um veículo enorme. A escolha também tem relação com a logística. Como passam a maior parte do tempo na rua, precisam encontrar lugares para estacionar, abastecer com água e lidar com as necessidades do dia a dia. Um veículo muito grande, segundo Luis Paulo, poderia tornar essas tarefas mais complicadas. O casal costuma dormir em locais públicos, e não em campings ou hotéis, com exceções pontuais. Por isso, a segurança é uma preocupação constante. Entre os imprevistos mais comuns estão problemas com a energia, falta de água e a necessidade de mudar o local onde estacionaram. “Eu brinco que a gente é morador de rua. A gente tá há três anos dormindo na rua, literalmente. [...] Então a gente fica sempre com esse medo de ser seguro”, relatou Luis Paulo. Casa sobre rodas tem cama, cozinha compacta com fogão de duas bocas, geladeira e uma pequena mesa, onde o casal vive durante as viagens Arquivo pessoal Até agora, segundo ele, os problemas foram administráveis, sem acidentes ou situações graves. Quando precisam lidar com algum imprevisto, tentam adaptar a rotina e aproveitar o tempo disponível. A divisão das tarefas também faz parte dessa adaptação. Aline fica responsável pela cozinha, enquanto Luis Paulo cuida da limpeza. Os dois dirigem e se revezam nas viagens mais longas, embora as manobras com o trailer exijam mais atenção. Para ele, a convivência constante exige diálogo e colaboração. Como os dois compartilham um espaço pequeno durante praticamente todo o dia, os acordos são essenciais para evitar conflitos. “Se você não tiver uma troca, uma comunicação e uma troca de atividades, sempre vai dar briga”, resumiu. 'Ir com medo mesmo' Apesar de incentivar outras pessoas a conhecerem a estrada, o casal evita tratar a mudança como uma receita que funciona para todo mundo. Luis Paulo reconhece que a decisão dos dois foi arriscada e diz que não seria responsável recomendar que qualquer pessoa abandonasse o emprego e começasse a viajar sem considerar a própria realidade. “Eu brinco que a gente foi o louco que deu certo. [...] A gente fica com muito medo de dar dicas, porque eu vou falar: ‘Larga seu emprego, vai viajar’. E aí? É muito complicado isso”, ponderou. Aline também reconhece que o medo continua presente, mesmo depois de anos de viagem. Para ela, a experiência mostrou que não é necessário ter um veículo luxuoso ou levar tudo o que se imagina precisar para começar. “Minha dica é ir com o que você tem, ir com medo mesmo. Acredita que vai dar certo. [...] Às vezes a gente acha que precisa se organizar e ter um motorhome de um milhão, de ter isso, de ter aquilo. [...] É na estrada que você vai ver se precisa de mais, se precisa de menos. Na maioria das vezes, você precisa de menos”, completou. Aline Tavares e Luis Paulo viajam pelo Brasil desde dezembro de 2023 Arquivo pessoal VÍDEOS: g1

