Dono de locadora denuncia racismo após ser chamado de macaco por turista em Noronha: ‘Foi muita humilhação’

Escrito em 23/01/2026


Turista inglesa xinga empresário de Noronha de macaco O dono de uma locadora de veículos em Fernando de Noronha, Wellington Paulo da Silva Gomes, conhecido como Xuxu, falou pela primeira vez, nesta sexta-feira (23), sobre o caso de racismo que sofreu na ilha. Ele afirmou que foi insultado e chamado de “macaco” por uma turista inglesa (veja vídeo acima). “Foi muita humilhação”, disse. O episódio aconteceu no dia 21 de dezembro de 2025. Segundo Wellington, ele alugou um buggy para um casal de estrangeiros, identificado como Marlena Ewa e Habspeter Pius. No dia da devolução, o veículo foi batido contra um muro, na Vila dos Remédios. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1PE Wellington Gomes denunciou racismo em Noronha Wellington Gomes/Acervo pessoal Após ser informado sobre o acidente, Wellington foi até o local para verificar os danos. Ele contou que avisou que acionaria a polícia para registrar a ocorrência, mas o homem que dirigia o carro não concordou com a chamada. De acordo com o dono da locadora, o motorista dizia que poderia perder o voo de retorno. “O homem que dirigia o meu buggy me empurrou, estava estressado porque dizia que iria perder o voo”, relatou. Wellington disse que a mulher pegou a chave do carro e tentou sair do local. Segundo ele, a turista entrou em um táxi, mas foi orientada pelo motorista a resolver a situação. Carro foi danificado na frente Wellington Gomes/Acervo pessoal Em seguida, ela teria ido até uma empresa de mergulho e acusado falsamente o proprietário do veículo de agressão. “Eu apenas pedia calma para resolver o problema”, afirmou. O dono da locadora disse ainda que o motorista afirmou que o buggy estava sem freios. Para rebater a acusação, Wellington chamou taxistas para confirmar que o veículo estava em perfeitas condições. Segundo ele, o estrangeiro pode ter se distraído com o celular antes da colisão. Ainda segundo Wellington, o casal seguiu para a pousada onde estava hospedado. Foi nesse local que, de acordo com ele, ocorreram as agressões racistas mais graves. “A turista fez gestos ofensivos, me chamou de macaco e foi muito agressiva. Dizia que, no país dela, eu não poderia falar com ela. Eu só queria que pagassem o prejuízo do carro. Chorei de raiva por não poder fazer nada”, relatou. Polícia O casal seguiu para o aeroporto sem pagar pelos danos no veículo. Diante da situação, Wellington disse que precisou acionar a polícia. Ele afirmou que, pós negociação com a polícia, o casal pagou o prejuízo de R$ 1.700. Wellington registrou um boletim de ocorrência por racismo. “No Brasil, isso é crime. Espero que responda pelo ato para aprender. Tomara que não volte, não precisamos desse tipo de turista”, afirmou. Wellington disse que o episódio teve impacto emocional. “Chorei muito, fiquei abalado e cheguei a adoecer”, contou. O g1 procurou a Polícia Civil para saber qual foi o encaminhamento do caso, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A turista acusada de racismo não foi localizada pela reportagem para avaliar a declaração do empresário da ilha. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias o