VÍDEO: onça-pintada é vista atravessando rio a nado no interior de SP

Escrito em 11/02/2026


Onça-pintada é vista atravessando rio a nado no interior de SP Trabalhar em meio à natureza é um privilégio que proporciona experiências gratificantes. Esse é um resumo da trajetória de Rodrigo Coelho Dezotti, vigilante do Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), há mais de 10 anos. Em entrevista ao g1, Rodrigo conta que sua rotina no Pontal do Paranapanema já lhe rendeu momentos inesquecíveis, com o avistamento de animais importantes da fauna brasileira, como as onças-pintadas (Panthera onca). 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp O primeiro avistamento de 2026 pelo vigilante ocorreu no fim de semana, mais precisamente no sábado (7). Rodrigo conduzia a lancha com o parceiro de trabalho em patrulhamento pelas águas que margeiam a unidade de conservação, quando, por volta das 9h, se deparou com um exemplar da "rainha das matas" atravessando o Rio Paranapanema a nado. Veja no vídeo acima. "É um privilégio a gente estar trabalhando em um ambiente como esse e viver uma experiência dessa. É muito gratificante", destaca. Quando os dois notaram a presença do felino, Rodrigo controlou a lancha com mais cuidado e pediu ao parceiro que registrasse em vídeo a presença da onça. Onça-pintada foi vista nadando em rio no interior de SP Reprodução/Fundação Florestal Esta não foi a primeira vez que o vigilante encontrou o felino. Outras espécies também já chamaram a sua atenção, como antas e veados. Além do avistamento, o profissional já teve a oportunidade de ajudar um animal que estava em apuros no rio. "Retiramos ele do rio para não morrer afogado e fizemos a soltura margeando a mata. O que dá para a gente fazer, o que está ao nosso alcance, a gente vai tentando ajudar", diz. "É uma experiência única. Aqui no parque é um privilégio a gente estar trabalhando. A gente se depara não só com a onça-pintada, mas com outros animais. Já vimos e filmamos não só a onça, mas antas, veados, manadas de porco, espécies de pássaros. Tem várias outras espécies que temos o privilégio de ver e filmar. É grandioso", afirma. Com exceção do salvamento, a regra é clara ao avistar qualquer animal silvestre em seu habitat, como reforça Rodrigo: "Manter uma distância segura e não deixar o animal estressado." "Trabalhar convivendo com a natureza, não tem nem palavra para falar, é bom demais! Você levanta de manhã e sai cheio de energia para dar o seu melhor, e poder avistar um animal desse porte e fazer a filmagem é gratificante. É uma energia positiva", acrescenta. Como vigilante e um dos protetores da biodiversidade do pontal, Rodrigo reforça a importância de manter preservadas as matas e rios pelos moradores de Teodoro e os visitantes. "Deixa [os animais] permanecerem no seu lugarzinho, no seu habitat quietinho, deixando seguir o ritmo da natureza, da vida. Preservar em todos os momentos para as futuras gerações terem o privilégio de conhecer o que a gente está conhecendo", finaliza. Initial plugin text Exímias nadadoras Este não foi o primeiro registro de onça-pintada nas águas da região. Segundo conta ao g1 a diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal, Andréa Pires, a espécie costuma atravessar os rios em busca de alimento, incluindo capivaras, e pode se deslocar por grandes distâncias. Andréa conta que, em alguns pontos, de uma margem a outra a extensão é superior a 200 metros e a travessia é "tranquila". "Elas têm esse hábito e são boas nadadoras. É uma vantagem que elas têm. E o parque é a área de vida delas, a área 'core', como a gente chama, onde elas se mantêm, se reproduzem, enfim. Então, é uma prática delas usar o rio como um canal para se alimentar", explica. Segundo Andréa, o avistamento, sem dúvida, é positivo, porque mostra que as onças-pintadas estão persistindo na área. "O que preocupa, por exemplo, são as pessoas que eventualmente estejam no rio e não saibam lidar com esse avistamento, indo para cima da onça ou ficando assustadas, o que acaba piorando esse encontro", comenta. Diante disso, a diretora de Biodiversidade ressalta que, ao avistar o animal silvestre nadando no rio, é preciso deixá-lo à vontade e manter distância. "Ela já tem esse hábito. Uma atividade de nado de 200 metros é uma atividade que estressa o físico do animal e, se tem mais essa pressão de gente olhando e querendo chegar perto, é problemático", esclarece. A diretora de Biodiversidade ainda destaca: "Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de avistar o animal é um privilegiado. Eu já tive, e é uma emoção gigantesca poder ver esse animal na natureza. Então, é super importante entender o papel dessas áreas protegidas e das unidades de conservação para a conservação de todas essas espécies que ainda sobrevivem por aqui", afirma. Onça-pintada foi vista nadando em rio no interior de SP Reprodução/Fundação Florestal Topo de cadeia Atualmente, o oeste paulista abriga a segunda maior população de onças-pintadas remanescentes do estado de São Paulo. Esse fator eleva a importância da biodiversidade e dos programas de conservação da região de Presidente Prudente. A onça-pintada é um predador de topo de cadeia. Desta forma, ela prefere presas que também são de grande porte, e vai em busca delas. Animais de topo de cadeia são grandes predadores, como a onça-pintada, que exercem papel fundamental no equilíbrio ambiental. Ao controlar populações de outras espécies, eles mantêm toda a cadeia alimentar funcionando. Por isso, a onça é considerada uma "espécie guarda-chuva": ao protegê-la, preserva-se todo o ecossistema ao redor. "Então, manter a população saudável e viável de onça-pintada é um privilégio e é uma responsabilidade enorme nossa para fiscalização, para manter o ambiente saudável. Elas precisam de grandes áreas saudáveis, ambiente para poder se manter", diz Andréa. LEIA TAMBÉM: PRESERVAÇÃO: Capitão da PM destaca papel da denúncia no combate a crimes ambientais: 'Choca até quem tem casca grossa' SOLIDARIEDADE: Com apenas 2 anos, criança precisa de doador de medula e família mobiliza campanha no interior de SP OPORTUNIDADE: Unesp abre concursos no interior paulista com salários de até R$ 16 mil; veja como se inscrever Monitoramento O Pontal do Paranapanema é rico em fauna e flora, e proteger toda a extensão de mata e as espécies que nela habitam requer muito trabalho. Para apoiar essa missão, vários programas de monitoramento são realizados ao longo do ano. Um deles, ativo desde 2021, tem como objetivo a análise de comportamento e estudos das onças-pintadas que moram pela região ou que apenas passam pelo local periodicamente para reprodução, contando com câmeras e armadilhas fotográficas. Além das onças-pintadas, onças-pardas, lobos-guará, antas, quatis e outros são flagrados nas imagens. "Todas elas que caminham e passam em frente, não só as que caminham, as que voam também e às vezes param, dão show na frente das armadilhas fotográficas", comenta. Andréa lembra que, há cerca de 100 anos, a onça-pintada foi praticamente dada como extinta no estado de São Paulo, e ações de preservação de áreas como o Morro do Diabo, no oeste paulista, e outros parques no estado de São Paulo, deixam evidências de persistência e reprodução da espécie. "Áreas como o Morro do Diabo são muito importantes, porque conservam populações de topo de cadeia de predadores. E isso é super, super importante", destaca. Outros parques localizados no oeste paulista, como o Rio do Peixe e o Aguapeí, também participam desse monitoramento. Conforme Andréa, cada um tem mapeados os locais onde ficam distribuídas as armadilhas fotográficas e os registros são realizados periodicamente ao longo do ano, durante 24 horas. As informações obtidas revelam aos pesquisadores como a comunidade de fauna circula dentro da área protegida e a frequência de detecção de cada uma dessas espécies. "É uma coisa que é importante para a tomada de decisão, que é como elas usam esse território. Então, que local que elas mais usam, se é área de abrigo, se é área de reprodução. Então, enfim, a gente tem essa informação não só para a onça-pintada, mas para todas as espécies que passam nas armadilhas", conta. Apesar de o Pontal do Paranapanema ser uma exceção no oeste paulista por concentrar áreas protegidas, os animais silvestres ainda enfrentam diversas ameaças. Entre as principais estão a fragmentação de habitats, provocada pelo desmatamento, as colisões em rodovias, os incêndios florestais e a caça ilegal — hoje menos frequente que no passado, mas ainda presente. Segundo a especialista, a população pode contribuir utilizando essas áreas de forma consciente, entendendo sua importância para a conservação da biodiversidade, cobrando investimentos do poder público e denunciando qualquer irregularidade à Polícia Ambiental, medida considerada fundamental para garantir a proteção das espécies e a manutenção de populações saudáveis. Onças Sarado e Chico foram flagradas por armadilhas fotográficas de programa de monitoramento no Pontal do Paranapanema Reprodução/Guia de Identificação Onças-pintadas do Estado de SP Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM