Caso Gustavo: pai diz que ficou 'rodando de carro' após morte do filho por não ter o que dizer à mãe da criança

Escrito em 31/10/2026


'Dei pisões nele', disse pai do menino Gustavo em novo depoimento O advogado Igor Veloso afirmou que ficou "rodando de carro" após perceber que o filho, Gustavo Feitosa, de 3 anos, havia morrido, antes de procurar a polícia. Em depoimento ao qual a TV Anhanguera teve acesso, ele foi questionado sobre o que fez durante as seis horas que levou para comparecer à delegacia. Igor justificou a demora dizendo que não sabia o que falar para a mãe do menino, Sabrina da Silva Feitosa. “Eu fiquei rodando de carro, e, se eu pudesse, eu estava rodando nesse carro até hoje. Em outro momento, eu teria tido outra postura, mas eu já tive problemas anteriores com a Sabrina. Eu não tinha o que dizer para a mãe desse menino, por isso eu saí", afirmou Igor. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O crime aconteceu no dia 2 de agosto de 2026, na casa de Igor, pai da vítima. Gustavo foi encontrado com marcas de agressões físicas e sinais de violência sexual. Igor e a madrasta da criança, Kathellen Moreira da Silva, estão presos. Os dois foram indiciados em 28 de setembro. Recentemente, viraram réus após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO). Igor Veloso de Sousa é acusado dos crimes de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen Moreira da Silva responde por vicaricídio, por omissão diante das agressões praticadas contra o enteado, e fraude processual. O crime aconteceu poucos dias depois de a Justiça determinar que Igor pagasse pensão alimentícia ao filho. Os pais do menino viviam em meio a disputas judiciais e ocorrências que se arrastavam desde 2023, quando Igor foi denunciado por ameaçar a mãe da criança, Sabrina Feitosa. Pai e a madrasta da criança foram presos e indiciados em 28 de setembro Reprodução/TV Anhanguera Em depoimento, Igor confessou que espancou o menino na área da casa. Ele contou que se irritou ao encontrar a criança na piscina sem autorização e afirmou que o filho quase se afogou no local. “Quando eu chacoalhei ele, ele bateu a cabeça na parede, e aí eu joguei ele pra frente e dei pisões nele, nas costas dele e na barriga. Então, por aquela questão da barriga dele ser grande, ele já tinha problemas, não tenho dúvidas. Então, ali eu acho que houve aquele problema no intestino. Então, eu o chutei", relatou. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a criança morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por lesões graves em várias partes do corpo. O exame identificou hematomas na cabeça e no intestino, além de laceração anal. Segundo o laudo dos legistas, houve violência sexual. Igor, no entanto, nega ter cometido esse tipo de violência. “Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”, afirmou. LEIA MAIS Caso Gustavo: pai admite agressões contra filho antes da morte em novos depoimentos; VÍDEO Caso Gustavo: pai e madrasta viram réus pela morte de menino agredido até a morte no TO Caso Gustavo: o que se sabe sobre o indiciamento do pai e da madrasta pela morte da criança Pai e madrasta suspeitos da morte do menino Gustavo são presos em Palmas A defesa de Igor Veloso afirmou que tudo será esclarecido nos autos. Já a defesa de Kathellen Moreira informou, em nota, que ela não presenciou nem ouviu agressões contra Gustavo. Segundo a nota, ela foi impedida pelo companheiro de entrar no quarto e só soube da morte do menino no dia seguinte. A defesa sustenta a inocência de Kathellen e afirma que apresentará provas ao longo do processo (veja nota completa abaixo). Íntegra da nota de Kathellen Moreira A defesa de Kathellen Moreira, diante da matéria jornalística acerca de seu depoimento, esclarece que os trechos destacados devem ser compreendidos no contexto integral das declarações prestadas à autoridade policial. Kathellen relatou, com riqueza de detalhes, que não presenciou nem ouviu qualquer agressão contra Gustavo. Conforme os relatos mencionados em seu depoimento e as declarações do próprio Igor Veloso, as agressões ocorreram na área externa da residência, enquanto ela permanecia no quarto da sua bebê de cinco meses de idade, a qual estava amamentando. O próprio Igor Veloso afirmou que Kathellen não teve qualquer participação nos fatos e que, nas circunstâncias narradas, não poderia ter escutado as agressões. Em momento posterior, Kathellen esclareceu que ouviu apenas um barulho proveniente do cômodo onde Igor se encontrava com Gustavo, sem compreender do que se tratava. Ao tentar ingressar no quarto, foi impedida por Igor, que reagiu de forma agressiva, proferindo xingamentos e ameaças, além de determinar que não voltasse a incomodá-lo. Importa destacar que Kathellen afirmou expressamente não ter presenciado qualquer agressão contra a criança, tampouco ouvido sons que lhe permitissem identificar a ocorrência de violência. Kathellen declarou, ainda, que somente tomou conhecimento da morte de Gustavo no dia seguinte, segunda-feira, 3 de agosto de 2026, tendo recebido de Igor a versão de que o menino Gustavo havia se afogado. Kathellen Moreira está sendo injustiçada e tem vivenciado o pior momento de sua vida, privada de sua liberdade e há mais de 60 dias sem receber a visita de sua bebê de cinco meses, enquanto responde por um crime que não cometeu e o qual não tinha qualquer conhecimento. As demais provas e informações que corroboram sua inocência serão apresentadas nos autos, no momento adequado para o esclarecimento das imputações. A defesa reafirma sua convicção de que a inocência de Kathellen será comprovada no curso da ação penal. Kathellen reafirma seu compromisso com a verdade, permanecendo à disposição da Justiça para colaborar com a elucidação dos fatos. Por fim, Kathellen e sua defesa lamentam profundamente o falecimento de Gustavo e manifestam respeito à sua memória e à dor de seus familiares. Igor Veloso e Kathellen Moreira prestaram outro depoimento após os dois viraram réus Reprodução/TV Anhanguera Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.