Sob protestos na Ucrânia, Zelensky demite comandante do Exército O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nomeou nesta terça-feira (21) o general Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, como novo comandante-chefe das Forças Armadas do país. A troca representa a maior reformulação na cúpula militar ucraniana desde o início da guerra contra a Rússia, que já dura mais de quatro anos. Drapatyi substitui o general Oleksandr Syrskyi, de 60 anos, que ocupava o cargo desde o início de 2024. Considerado um dos comandantes mais respeitados das Forças Armadas, Drapatyi comandou as forças terrestres da Ucrânia entre 2024 e 2025. A mudança ocorre poucos dias após uma crise política provocada por uma reestruturação do governo que levou à saída do então ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, de 35 anos, responsável por impulsionar o desenvolvimento de tecnologias militares, especialmente drones. Zelensky demite comandante do Exército treinado na URSS após onda de protestos A demissão de Fedorov desencadeou protestos em Kiev e expôs uma disputa dentro do governo entre defensores de uma estratégia baseada em inovação tecnológica e integrantes da ala militar mais tradicional. Fedorov havia entrado em conflito com Syrskyi, a quem acusava de dificultar a implementação de projetos voltados ao uso de novas tecnologias no campo de batalha. Manifestantes que protestaram em frente ao gabinete de Zelensky nos últimos dias defendiam o retorno de Fedorov ao governo e a substituição de Syrskyi. Parte deles comemorou a escolha de Drapatyi para o comando das Forças Armadas. Ao anunciar a mudança, Zelensky afirmou que as operações militares continuarão sem interrupções. "As operações das Forças de Defesa da Ucrânia estão em andamento e precisam continuar de forma constante. O plano da Ucrânia para sanções de longo alcance e nosso programa de ataques de médio alcance serão executados com precisão absoluta", disse o presidente. O major-general Mykhailo Drapatyi participa de uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, Ucrânia, em 20 de julho de 2026. Reuters A troca no comando militar ocorre em um momento em que a Ucrânia tenta ampliar a pressão sobre a Rússia por meio de ataques contra a infraestrutura energética e a logística do país, considerados alvos estratégicos por afetarem a principal fonte de receitas do governo russo. A saída de Fedorov também despertou preocupação entre analistas militares, que temem um enfraquecimento dos avanços recentes da Ucrânia na área de inovação tecnológica aplicada ao conflito. Em uma publicação nas redes sociais, Drapatyi afirmou que assume o novo cargo com "responsabilidade" e "total dedicação". "Vou trabalhar com responsabilidade, com total dedicação e com respeito pelas pessoas que estão defendendo nosso país hoje", escreveu o general. Syrskyi teve papel decisivo na defesa de Kiev nos primeiros dias da invasão russa e comandava as Forças Armadas desde o início de 2024. Apesar do reconhecimento por sua atuação, também era alvo de críticas por seu estilo de comando, considerado rígido por parte dos militares, que o responsabilizavam por elevadas perdas entre as tropas. Zelensky não informou qual será o futuro de Syrskyi, mas disse que discutiu com o general sua continuidade na carreira militar. O presidente ucraniano também afirmou que ofereceu a Fedorov um "cargo digno" para coordenar a área de tecnologia do Estado. O ex-ministro, porém, já havia declarado que desejava apenas retornar à função que ocupava anteriormente. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante discurso na cúpula da Otan em 7 de julho de 2026. REUTERS/Yves Herman
Zelensky nomeia novo comandante das Forças Armadas após saída de ministro da Defesa
Escrito em 22/07/2026
Sob protestos na Ucrânia, Zelensky demite comandante do Exército O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nomeou nesta terça-feira (21) o general Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, como novo comandante-chefe das Forças Armadas do país. A troca representa a maior reformulação na cúpula militar ucraniana desde o início da guerra contra a Rússia, que já dura mais de quatro anos. Drapatyi substitui o general Oleksandr Syrskyi, de 60 anos, que ocupava o cargo desde o início de 2024. Considerado um dos comandantes mais respeitados das Forças Armadas, Drapatyi comandou as forças terrestres da Ucrânia entre 2024 e 2025. A mudança ocorre poucos dias após uma crise política provocada por uma reestruturação do governo que levou à saída do então ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, de 35 anos, responsável por impulsionar o desenvolvimento de tecnologias militares, especialmente drones. Zelensky demite comandante do Exército treinado na URSS após onda de protestos A demissão de Fedorov desencadeou protestos em Kiev e expôs uma disputa dentro do governo entre defensores de uma estratégia baseada em inovação tecnológica e integrantes da ala militar mais tradicional. Fedorov havia entrado em conflito com Syrskyi, a quem acusava de dificultar a implementação de projetos voltados ao uso de novas tecnologias no campo de batalha. Manifestantes que protestaram em frente ao gabinete de Zelensky nos últimos dias defendiam o retorno de Fedorov ao governo e a substituição de Syrskyi. Parte deles comemorou a escolha de Drapatyi para o comando das Forças Armadas. Ao anunciar a mudança, Zelensky afirmou que as operações militares continuarão sem interrupções. "As operações das Forças de Defesa da Ucrânia estão em andamento e precisam continuar de forma constante. O plano da Ucrânia para sanções de longo alcance e nosso programa de ataques de médio alcance serão executados com precisão absoluta", disse o presidente. O major-general Mykhailo Drapatyi participa de uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, Ucrânia, em 20 de julho de 2026. Reuters A troca no comando militar ocorre em um momento em que a Ucrânia tenta ampliar a pressão sobre a Rússia por meio de ataques contra a infraestrutura energética e a logística do país, considerados alvos estratégicos por afetarem a principal fonte de receitas do governo russo. A saída de Fedorov também despertou preocupação entre analistas militares, que temem um enfraquecimento dos avanços recentes da Ucrânia na área de inovação tecnológica aplicada ao conflito. Em uma publicação nas redes sociais, Drapatyi afirmou que assume o novo cargo com "responsabilidade" e "total dedicação". "Vou trabalhar com responsabilidade, com total dedicação e com respeito pelas pessoas que estão defendendo nosso país hoje", escreveu o general. Syrskyi teve papel decisivo na defesa de Kiev nos primeiros dias da invasão russa e comandava as Forças Armadas desde o início de 2024. Apesar do reconhecimento por sua atuação, também era alvo de críticas por seu estilo de comando, considerado rígido por parte dos militares, que o responsabilizavam por elevadas perdas entre as tropas. Zelensky não informou qual será o futuro de Syrskyi, mas disse que discutiu com o general sua continuidade na carreira militar. O presidente ucraniano também afirmou que ofereceu a Fedorov um "cargo digno" para coordenar a área de tecnologia do Estado. O ex-ministro, porém, já havia declarado que desejava apenas retornar à função que ocupava anteriormente. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante discurso na cúpula da Otan em 7 de julho de 2026. REUTERS/Yves Herman

