Ônibus ficou destruído após acidente na Rodovia Mogi-Bertioga Solange Freitas/G1 O acidente com um ônibus de estudantes que deixou 18 mortos e 17 feridos na Rodovia Mogi-Bertioga completa dez anos nesta segunda-feira (8). A tragédia, considerada uma das mais graves da história da região, ainda permanece na memória de quem atuou no resgate e de moradores impactados pelo caso. Na noite de 8 de junho de 2016, um ônibus que transportava 35 pessoas de Mogi das Cruzes para São Sebastião capotou no km 84 da rodovia, na divisa entre Mogi e Bertioga. Entre as vítimas estavam estudantes de instituições de ensino superior da cidade. Ao todo, 18 pessoas morreram, incluindo o motorista. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Na época, o então tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Jean Carlos Leite já havia encerrado o expediente quando recebeu uma ligação informando sobre a ocorrência. "Tinha acabado de sair do banho quando minha esposa atendeu a ligação do quartel. No primeiro momento, era só isso de informação que tinhamos". Ao chegar ao local, Jean Carlos encontrou um cenário de grande complexidade. O ônibus havia capotado e caído em um barranco, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e de outros órgãos de atendimento da região. VEJA MAIS Veja os destaques do g1 Segundo ele, além da gravidade do acidente, as equipes enfrentaram dificuldades provocadas pela localização do trecho, pela falta de sinal de telefonia e pelas condições climáticas durante a operação. "O deslocamento para lá tinha muita neblina, embora no local não tivesse. Em um trecho da rodovia, como foi fechada, a gente tinha que trafegar na contramão para poder chegar na ocorrência. Já foi um pouco complicado para chegar lá com todo o cuidado para não acabar causando um outro acidente, né?" "E o trabalho em si, dentro do ônibus capotado [também foi dificil]. Nós tivemos que fazer todo o escoramento do ônibus, travar nas viaturas através de cabos de aço, para que o ônibus não movimentasse com as equipes trabalhando lá dentro". Durante os trabalhos de atendimento e bloqueio da rodovia, um segundo acidente foi registrado no local. Um caminhão colidiu contra uma viatura do Corpo de Bombeiros que participava da ocorrência. Ninguém ficou ferido. "Só escutei uma buzina e uma gritaria. Quando eu olhei, um caminhão descendo desgovernado carregado de fruta. Ele veio e bateu em um guincho, que girou e não aguentou segurar. Bateu na viatura, que acabou servindo de amortecedor, porque senão aí sim seria uma situação grave" contou. Após 28 anos de atuação na corporação e incontáveis ocorrências atendidas, Jean Carlos afirma que a tragédia na Mogi-Bertioga foi a mais marcante da carreira. "Algumas imagens ficam na cabeça da gente, não tem como apagar. Ali é um lugar ruim de sinal, mas de vez em quando acendia um celular [de uma das vítimas], estava escrito lá: 'pai, mãe'. Não tem o que fazer" disse o tenente-coronel. O acidente também marcou pessoas que, na época, ainda eram crianças. A estudante Yara Gomes Leal tinha 11 anos e morava em São Sebastião quando a notícia da tragédia mobilizou a comunidade local. "Eu lembro que eu estava dormindo com a minha mãe neste dia. Eu tinha 11 anos. Ela recebeu uma ligação e era alguém falando que tinha acontecido um acidente na Serra de Mogi e no princípio a gente tomou um susto, né? Porque muitas pessoas conhecidas nossas faziam esse trajeto" contou a estudante. "Os pais desses alunos ficaram desesperados. Eles ficavam querendo saber se era o ônibus do filho deles ou não, se eles estavam bem." Anos depois, ao entrar na faculdade, ela passou a fazer o mesmo trajeto entre São Sebastião e Mogi das Cruzes em ônibus fretado. Segundo Yara, os primeiros meses foram difíceis por causa da lembrança do acidente. "Quando comecei a vir para Mogi eu tinha 18 anos. No início eu tive esse impacto também de passar pela Serra da Mogi-Bertioga, com medo do ônibus quebrar. Ficava prestando atenção na janela, nos espaços entre a rodovia e a floresta, achando que poderia acontecer alguma coisa. O início foi um pouquinho tenso, mas depois de um tempo a gente se acostuma" contou. Dois anos após entrar na universidade, a estudante decidiu se mudar para Mogi das Cruzes. Além de reduzir o tempo de deslocamento, a mudança representou o fim de uma rotina que ainda carregava o peso das memórias da tragédia. Para ela, o acidente trouxe mais conscientização sobre segurança e continua sendo lembrado pela comunidade por meio de homenagens às vítimas. "Foram dias difíceis. Então, assim, mudou a vida de muita gente, obviamente, das famílias. A população cobra mais a prefeitura. Sempre existe essa preocupação quanto à segurança e quanto a qualidade dos ônibus que vêm [ para Mogi das Cruzes ]. Eles sempre prezam por colocar um transporte de qualidade" explicou. Assista a mais notícias do Alto Tietê
Tragédia na Mogi-Bertioga: acidente que matou 18 pessoas completa dez anos
Escrito em 08/06/2026
Ônibus ficou destruído após acidente na Rodovia Mogi-Bertioga Solange Freitas/G1 O acidente com um ônibus de estudantes que deixou 18 mortos e 17 feridos na Rodovia Mogi-Bertioga completa dez anos nesta segunda-feira (8). A tragédia, considerada uma das mais graves da história da região, ainda permanece na memória de quem atuou no resgate e de moradores impactados pelo caso. Na noite de 8 de junho de 2016, um ônibus que transportava 35 pessoas de Mogi das Cruzes para São Sebastião capotou no km 84 da rodovia, na divisa entre Mogi e Bertioga. Entre as vítimas estavam estudantes de instituições de ensino superior da cidade. Ao todo, 18 pessoas morreram, incluindo o motorista. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Na época, o então tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Jean Carlos Leite já havia encerrado o expediente quando recebeu uma ligação informando sobre a ocorrência. "Tinha acabado de sair do banho quando minha esposa atendeu a ligação do quartel. No primeiro momento, era só isso de informação que tinhamos". Ao chegar ao local, Jean Carlos encontrou um cenário de grande complexidade. O ônibus havia capotado e caído em um barranco, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e de outros órgãos de atendimento da região. VEJA MAIS Veja os destaques do g1 Segundo ele, além da gravidade do acidente, as equipes enfrentaram dificuldades provocadas pela localização do trecho, pela falta de sinal de telefonia e pelas condições climáticas durante a operação. "O deslocamento para lá tinha muita neblina, embora no local não tivesse. Em um trecho da rodovia, como foi fechada, a gente tinha que trafegar na contramão para poder chegar na ocorrência. Já foi um pouco complicado para chegar lá com todo o cuidado para não acabar causando um outro acidente, né?" "E o trabalho em si, dentro do ônibus capotado [também foi dificil]. Nós tivemos que fazer todo o escoramento do ônibus, travar nas viaturas através de cabos de aço, para que o ônibus não movimentasse com as equipes trabalhando lá dentro". Durante os trabalhos de atendimento e bloqueio da rodovia, um segundo acidente foi registrado no local. Um caminhão colidiu contra uma viatura do Corpo de Bombeiros que participava da ocorrência. Ninguém ficou ferido. "Só escutei uma buzina e uma gritaria. Quando eu olhei, um caminhão descendo desgovernado carregado de fruta. Ele veio e bateu em um guincho, que girou e não aguentou segurar. Bateu na viatura, que acabou servindo de amortecedor, porque senão aí sim seria uma situação grave" contou. Após 28 anos de atuação na corporação e incontáveis ocorrências atendidas, Jean Carlos afirma que a tragédia na Mogi-Bertioga foi a mais marcante da carreira. "Algumas imagens ficam na cabeça da gente, não tem como apagar. Ali é um lugar ruim de sinal, mas de vez em quando acendia um celular [de uma das vítimas], estava escrito lá: 'pai, mãe'. Não tem o que fazer" disse o tenente-coronel. O acidente também marcou pessoas que, na época, ainda eram crianças. A estudante Yara Gomes Leal tinha 11 anos e morava em São Sebastião quando a notícia da tragédia mobilizou a comunidade local. "Eu lembro que eu estava dormindo com a minha mãe neste dia. Eu tinha 11 anos. Ela recebeu uma ligação e era alguém falando que tinha acontecido um acidente na Serra de Mogi e no princípio a gente tomou um susto, né? Porque muitas pessoas conhecidas nossas faziam esse trajeto" contou a estudante. "Os pais desses alunos ficaram desesperados. Eles ficavam querendo saber se era o ônibus do filho deles ou não, se eles estavam bem." Anos depois, ao entrar na faculdade, ela passou a fazer o mesmo trajeto entre São Sebastião e Mogi das Cruzes em ônibus fretado. Segundo Yara, os primeiros meses foram difíceis por causa da lembrança do acidente. "Quando comecei a vir para Mogi eu tinha 18 anos. No início eu tive esse impacto também de passar pela Serra da Mogi-Bertioga, com medo do ônibus quebrar. Ficava prestando atenção na janela, nos espaços entre a rodovia e a floresta, achando que poderia acontecer alguma coisa. O início foi um pouquinho tenso, mas depois de um tempo a gente se acostuma" contou. Dois anos após entrar na universidade, a estudante decidiu se mudar para Mogi das Cruzes. Além de reduzir o tempo de deslocamento, a mudança representou o fim de uma rotina que ainda carregava o peso das memórias da tragédia. Para ela, o acidente trouxe mais conscientização sobre segurança e continua sendo lembrado pela comunidade por meio de homenagens às vítimas. "Foram dias difíceis. Então, assim, mudou a vida de muita gente, obviamente, das famílias. A população cobra mais a prefeitura. Sempre existe essa preocupação quanto à segurança e quanto a qualidade dos ônibus que vêm [ para Mogi das Cruzes ]. Eles sempre prezam por colocar um transporte de qualidade" explicou. Assista a mais notícias do Alto Tietê

