Dia do Choro: rodas, aulas e eventos enchem e revitalizam o gênero O gênero musical urbano mais antigo do Brasil vive dias de renascimento em vários pontos do Rio. De execução complexa e parente do samba, do maxixe e até da música clássica, o choro tem lotado rodas e espaços fechados no Centro e nas zonas Sul e Norte, com público de faixa etária diversificada. Um dos termômetros do interesse pelo choro atualmente é a quantidade de alunos da Escola de Música Portátil, braço educacional da Casa do Choro, espaço referência para a conservação e o estudo do gênero. A iniciativa tem atualmente cerca de mil alunos por semestre e fila de espera para o aprendizado de vários instrumentos. Nos inícios das tardes de sábado, dezenas de estudantes da EPM, que têm aulas presenciais na UniRio neste dia, se reúnem para tocar clássicos como “Lamentos”, de Pixinguinha, no que professores chamam de “bandão”, com uma plateia de outros alunos, parentes, curiosos e até turistas a caminho de pontos turísticos na Urca. A faixa etária de estudantes e público vai de crianças a pessoas de meia-idade e idosos, reunidos para admirar um ritmo que começou a ser tocado na década de 1870 por músicos como o flautista Joaquim Callado e a pianista Chiquinha Gonzaga. Ao longo da manhã, rodas improvisadas menores podem ser vistas no local, com músicos praticando clarinetes, trombones, flautas, pandeiros, violões e cavaquinhos. Em Laranjeiras, bairro vizinho também na Zona Sul, o choro tem lotado a feira da Rua General Glicério quase todo sábado. Luciana Rabello, uma das fundadoras da Casa do Choro, tem observado o aumento do interesse pelo gênero nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, quando a escola foi forçada a abrir cursos on-line — e conseguiu manter sua base de alunos até o retorno dos encontros presenciais. Alunos da Escola Portátil se reúnem no 'bandão' Pablo Carrilho/Divulgação Nas matrículas da EPM, há filas sobretudo por alguns instrumentos de sopro nos últimos anos — uma das hipóteses é que elas tenham sido provocadas pela vontade de músicos do carnaval de rua de se aprimorar. "Isso é muito interessante porque esse carnaval de rua do Rio começa com os chorões, começa com os ranchos lá no século XIX, formado por chorões. Então, é muito curioso ver esse movimento acontecer, ver essa música nunca perder os seus fundamentos e, ao mesmo tempo, se adaptar a épocas diferentes", diz Luciana. Nesta quinta (23), integrantes da Escola Furiosa Portátil se apresentam na Casa do Choro (Rua da Carioca, 38) com o espetáculo “Clássicos do Choro”. Os ingressos estão à venda no Sympla. Trem do choro Cortejo do Trem do Choro de 2025 faz homenagem na estátua de Pixinguinha Flávio da Silveira/Arquivo pessoal Estudiosos europeus afirmam que o choro nasceu como uma forma brasileira de tocar ritmos europeus como polca, mazurca e schottisch e foi, aos poucos, ganhando identidade própria com a fusão com ritmos africanos pelas mãos de músicos negros cariocas. O apontado como grande responsável pela formatação dessa mistura é Pixinguinha, lembrado no dia 23 de abril, uma das datas já apontadas como seu nascimento. Esse é o motivo pelo qual o Dia do Choro é celebrado nesta data. Multi-instrumentista, compositor e arranjador, Pixinguinha morou durante três períodos da sua vida em Olaria, na Zona Norte do Rio, incluindo a parte final. Ele é apenas um dos músicos de choro e samba com longa relação com bairros do chamado Subúrbio da Leopoldina, entre eles artistas que foram deslocados por reformas urbanas, como a do prefeito Pereira Passos no início do século XX, ou vindos de outras regiões. Lembrando esse momento da história da música do Rio, vários coletivos (Choro no Mundo, Choro Suburbano, Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano, Lions Club da Ilha do Governador, MIC - Movimento de Integração Cultural) passaram a organizar o Trem do Choro, evento no qual músicos partem da Estação Central do Brasil e seguem tocando nas composições até a Estação Olaria, chamada simbolicamente de “Estação do Choro Zé da Velha”. “O subúrbio absorveu essas pessoas, porque era um local em que esses músicos que vinham do interior poderiam morar, já que havia certa facilidade em relação ao aluguel”, diz Luiz Carlos Nunuka, fundador do coletivo 100% Suburbano. Ele cita músicos como Canhoto, Altamiro Carrilho e Zé da Velha, morto no fim do ano passado, como exemplos de chorões com profunda relação com o subúrbio. Inspirado no Trem do Samba, o Trem do Choro sai neste sábado (23) às 11:11 na Central do Brasil (Plataforma 12). Após a chegada em Olaria está previsto um cortejo até a Travessa Pixinguinha, onde há uma estátua do músico, e roda de choro na Praça Ramos Figueira. O evento de 2026 homenageia a musicista Nilze Carvalho. Este ano, o 100% Suburbano também vai organizar uma ocupação no chamado Reduto Pixinguinha após o cortejo com exposição de fotos, outra roda de choro e feijoada. Ritmo hipnotizador de ‘gringos’ 'Mozart da geração Z' dá canja em roda de choro no Rio de Janeiro Em setembro, uma das experiências mais bem-sucedidas atualmente do choro na noite do Rio, o Choro Batucada, que ocorre às terças no Glorioso Cultural (R. do Catete, 97), recebeu o músico britânico Jacob Collier, apelidado de “Mozart da Geração Z”. No local, empolgado, ele disse que a música brasileira “é a melhor do mundo”. Luciana observa que o choro recebe ondas de interesse de estrangeiros, inclusive músicos clássicos, desde o século XIX. “O choro tem um DNA meio misturado que causa esse ‘conforto’ no músico estrangeiro. Tem vários exemplos. Aconteceu isso ao longo da história do choro, como [o francês] Darius Milhaud, que fez ‘O boi no telhado’, uma peça interessantíssima. Ele veio para o Brasil e se encantou com isso”, lembra. O Choro Batucada reúne semanalmente músicos como Eduardo Neves (flauta e saxofone), Aquiles Moraes (trompete), Kiko Horta (acordeon), João Bouhid (guitarra), Bernardo Aguiar (percussão), Antonio Neves (trombone), Lucas Videla (percussão), Luís Filipe de Lima (violão 7 cordas), Gabriel Loddo (cavaco) e Jovi Joviniano (percussão), além de convidados. No dia 28, o evento fará uma homenagem a Jacob do Bandolim. Festival em Niterói Entre os dias 23 e 26 de abril, Niterói recebe o IV Festival Internacional de Choro de Niterói. Durante quatro dias, a cidade terá apresentações de alguns dos maiores nomes do gênero e fusões com o samba, o jazz, o frevo, o funk carioca e outras vertentes da música negra contemporânea. A programação também inclui homenagens a mestres como Elizeth Cardoso, Garoto, Paulinho da Viola e Jorginho do Pandeiro. Também haverá oficinas de instrumentos em equipamentos públicos da cidade. As inscrições devem ser feitas pelo Instagram @choroniteroi. Para assistir aos espetáculos na Sala Nelson Pereira dos Santos, é necessário retirar o convite gratuitamente na bilheteria, com 2h de antecedência. Programação 23 de abril 17h30 - Duo Morgana Moreno e Francisco Pellegrini Local: Reserva Cultural 19h30 - Abertura institucional do IV Festival Internacional de Choro de Niterói Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 20h30 - Tributo ao Zé da Velha com Silvério Ponte e Everson Moraes Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 24 de abril 14h - Apresentação dos alunos das oficinas de choro Local: Reserva Cultural 16h - Rogério Souza Local: Reserva Cultural 17h30 - Amaro Freitas Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 19h30 - Choro Batucada Local: Reserva Cultural 25 de abril 14h - Orquestra Sopros do Rio Local: Reserva Cultural 15h30 - Canções e choros de Paulinho da Viola com Mário Séve Local: Palco externo da Reserva Cultural 17h - Sarau para Paulinho da Viola, com o grupo Choro da Ribeira, Beatriz Rabello, Bruno Barreto e apresentação de Claudia Macedo Local: Palco externo da Reserva Cultural 18h30 - Celso Fonseca convida Leo Gandelman Local: Palco externo da Reserva Cultural 20h30 - Jazz das Minas convida Eliana Pittman Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 26 de abril 13h - A vida é um Choro por Dudu Oliveira Local: Reserva Cultural 14h - Banda Musical do Colégio Salesiano Santa Rosa Local: Reserva Cultural 15h30 - Jorginho do Pandeiro 95 anos com Celsinho Silva e Eduardo Silva Local: Reserva Cultural 17h - Rogério Caetano Local: Reserva Cultural 18h - Homenagem aos mestres do choro — Cristovão Bastos com participação especial de Mauro Senise Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 19h - Boêmios da Rua do Rosário Local: Reserva Cultural 20h - Pife Muderno convida Edu Lobo Local: Palco externo da Reserva Cultural Serviço IV Festival Internacional de Choro de Niterói Datas: 23 a 26 de abril Local: Reserva Cultural e Sala Nelson Pereira dos Santos Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, 880 - São Domingos, Niterói
Dia do choro: ‘bandão’ em pátio de universidade, trem e eventos revitalizam o gênero no Rio
Escrito em 23/04/2026
Dia do Choro: rodas, aulas e eventos enchem e revitalizam o gênero O gênero musical urbano mais antigo do Brasil vive dias de renascimento em vários pontos do Rio. De execução complexa e parente do samba, do maxixe e até da música clássica, o choro tem lotado rodas e espaços fechados no Centro e nas zonas Sul e Norte, com público de faixa etária diversificada. Um dos termômetros do interesse pelo choro atualmente é a quantidade de alunos da Escola de Música Portátil, braço educacional da Casa do Choro, espaço referência para a conservação e o estudo do gênero. A iniciativa tem atualmente cerca de mil alunos por semestre e fila de espera para o aprendizado de vários instrumentos. Nos inícios das tardes de sábado, dezenas de estudantes da EPM, que têm aulas presenciais na UniRio neste dia, se reúnem para tocar clássicos como “Lamentos”, de Pixinguinha, no que professores chamam de “bandão”, com uma plateia de outros alunos, parentes, curiosos e até turistas a caminho de pontos turísticos na Urca. A faixa etária de estudantes e público vai de crianças a pessoas de meia-idade e idosos, reunidos para admirar um ritmo que começou a ser tocado na década de 1870 por músicos como o flautista Joaquim Callado e a pianista Chiquinha Gonzaga. Ao longo da manhã, rodas improvisadas menores podem ser vistas no local, com músicos praticando clarinetes, trombones, flautas, pandeiros, violões e cavaquinhos. Em Laranjeiras, bairro vizinho também na Zona Sul, o choro tem lotado a feira da Rua General Glicério quase todo sábado. Luciana Rabello, uma das fundadoras da Casa do Choro, tem observado o aumento do interesse pelo gênero nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, quando a escola foi forçada a abrir cursos on-line — e conseguiu manter sua base de alunos até o retorno dos encontros presenciais. Alunos da Escola Portátil se reúnem no 'bandão' Pablo Carrilho/Divulgação Nas matrículas da EPM, há filas sobretudo por alguns instrumentos de sopro nos últimos anos — uma das hipóteses é que elas tenham sido provocadas pela vontade de músicos do carnaval de rua de se aprimorar. "Isso é muito interessante porque esse carnaval de rua do Rio começa com os chorões, começa com os ranchos lá no século XIX, formado por chorões. Então, é muito curioso ver esse movimento acontecer, ver essa música nunca perder os seus fundamentos e, ao mesmo tempo, se adaptar a épocas diferentes", diz Luciana. Nesta quinta (23), integrantes da Escola Furiosa Portátil se apresentam na Casa do Choro (Rua da Carioca, 38) com o espetáculo “Clássicos do Choro”. Os ingressos estão à venda no Sympla. Trem do choro Cortejo do Trem do Choro de 2025 faz homenagem na estátua de Pixinguinha Flávio da Silveira/Arquivo pessoal Estudiosos europeus afirmam que o choro nasceu como uma forma brasileira de tocar ritmos europeus como polca, mazurca e schottisch e foi, aos poucos, ganhando identidade própria com a fusão com ritmos africanos pelas mãos de músicos negros cariocas. O apontado como grande responsável pela formatação dessa mistura é Pixinguinha, lembrado no dia 23 de abril, uma das datas já apontadas como seu nascimento. Esse é o motivo pelo qual o Dia do Choro é celebrado nesta data. Multi-instrumentista, compositor e arranjador, Pixinguinha morou durante três períodos da sua vida em Olaria, na Zona Norte do Rio, incluindo a parte final. Ele é apenas um dos músicos de choro e samba com longa relação com bairros do chamado Subúrbio da Leopoldina, entre eles artistas que foram deslocados por reformas urbanas, como a do prefeito Pereira Passos no início do século XX, ou vindos de outras regiões. Lembrando esse momento da história da música do Rio, vários coletivos (Choro no Mundo, Choro Suburbano, Instituto Cultural Grupo 100% Suburbano, Lions Club da Ilha do Governador, MIC - Movimento de Integração Cultural) passaram a organizar o Trem do Choro, evento no qual músicos partem da Estação Central do Brasil e seguem tocando nas composições até a Estação Olaria, chamada simbolicamente de “Estação do Choro Zé da Velha”. “O subúrbio absorveu essas pessoas, porque era um local em que esses músicos que vinham do interior poderiam morar, já que havia certa facilidade em relação ao aluguel”, diz Luiz Carlos Nunuka, fundador do coletivo 100% Suburbano. Ele cita músicos como Canhoto, Altamiro Carrilho e Zé da Velha, morto no fim do ano passado, como exemplos de chorões com profunda relação com o subúrbio. Inspirado no Trem do Samba, o Trem do Choro sai neste sábado (23) às 11:11 na Central do Brasil (Plataforma 12). Após a chegada em Olaria está previsto um cortejo até a Travessa Pixinguinha, onde há uma estátua do músico, e roda de choro na Praça Ramos Figueira. O evento de 2026 homenageia a musicista Nilze Carvalho. Este ano, o 100% Suburbano também vai organizar uma ocupação no chamado Reduto Pixinguinha após o cortejo com exposição de fotos, outra roda de choro e feijoada. Ritmo hipnotizador de ‘gringos’ 'Mozart da geração Z' dá canja em roda de choro no Rio de Janeiro Em setembro, uma das experiências mais bem-sucedidas atualmente do choro na noite do Rio, o Choro Batucada, que ocorre às terças no Glorioso Cultural (R. do Catete, 97), recebeu o músico britânico Jacob Collier, apelidado de “Mozart da Geração Z”. No local, empolgado, ele disse que a música brasileira “é a melhor do mundo”. Luciana observa que o choro recebe ondas de interesse de estrangeiros, inclusive músicos clássicos, desde o século XIX. “O choro tem um DNA meio misturado que causa esse ‘conforto’ no músico estrangeiro. Tem vários exemplos. Aconteceu isso ao longo da história do choro, como [o francês] Darius Milhaud, que fez ‘O boi no telhado’, uma peça interessantíssima. Ele veio para o Brasil e se encantou com isso”, lembra. O Choro Batucada reúne semanalmente músicos como Eduardo Neves (flauta e saxofone), Aquiles Moraes (trompete), Kiko Horta (acordeon), João Bouhid (guitarra), Bernardo Aguiar (percussão), Antonio Neves (trombone), Lucas Videla (percussão), Luís Filipe de Lima (violão 7 cordas), Gabriel Loddo (cavaco) e Jovi Joviniano (percussão), além de convidados. No dia 28, o evento fará uma homenagem a Jacob do Bandolim. Festival em Niterói Entre os dias 23 e 26 de abril, Niterói recebe o IV Festival Internacional de Choro de Niterói. Durante quatro dias, a cidade terá apresentações de alguns dos maiores nomes do gênero e fusões com o samba, o jazz, o frevo, o funk carioca e outras vertentes da música negra contemporânea. A programação também inclui homenagens a mestres como Elizeth Cardoso, Garoto, Paulinho da Viola e Jorginho do Pandeiro. Também haverá oficinas de instrumentos em equipamentos públicos da cidade. As inscrições devem ser feitas pelo Instagram @choroniteroi. Para assistir aos espetáculos na Sala Nelson Pereira dos Santos, é necessário retirar o convite gratuitamente na bilheteria, com 2h de antecedência. Programação 23 de abril 17h30 - Duo Morgana Moreno e Francisco Pellegrini Local: Reserva Cultural 19h30 - Abertura institucional do IV Festival Internacional de Choro de Niterói Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 20h30 - Tributo ao Zé da Velha com Silvério Ponte e Everson Moraes Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 24 de abril 14h - Apresentação dos alunos das oficinas de choro Local: Reserva Cultural 16h - Rogério Souza Local: Reserva Cultural 17h30 - Amaro Freitas Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 19h30 - Choro Batucada Local: Reserva Cultural 25 de abril 14h - Orquestra Sopros do Rio Local: Reserva Cultural 15h30 - Canções e choros de Paulinho da Viola com Mário Séve Local: Palco externo da Reserva Cultural 17h - Sarau para Paulinho da Viola, com o grupo Choro da Ribeira, Beatriz Rabello, Bruno Barreto e apresentação de Claudia Macedo Local: Palco externo da Reserva Cultural 18h30 - Celso Fonseca convida Leo Gandelman Local: Palco externo da Reserva Cultural 20h30 - Jazz das Minas convida Eliana Pittman Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 26 de abril 13h - A vida é um Choro por Dudu Oliveira Local: Reserva Cultural 14h - Banda Musical do Colégio Salesiano Santa Rosa Local: Reserva Cultural 15h30 - Jorginho do Pandeiro 95 anos com Celsinho Silva e Eduardo Silva Local: Reserva Cultural 17h - Rogério Caetano Local: Reserva Cultural 18h - Homenagem aos mestres do choro — Cristovão Bastos com participação especial de Mauro Senise Local: Sala Nelson Pereira dos Santos 19h - Boêmios da Rua do Rosário Local: Reserva Cultural 20h - Pife Muderno convida Edu Lobo Local: Palco externo da Reserva Cultural Serviço IV Festival Internacional de Choro de Niterói Datas: 23 a 26 de abril Local: Reserva Cultural e Sala Nelson Pereira dos Santos Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, 880 - São Domingos, Niterói

