SP tem 197 shoppings, um para cada 225 mil habitantes, aponta censo; veja curiosidades

Escrito em 04/02/2026


A nova cara da "praia" dos paulistanos O estado de São Paulo tem hoje 197 shoppings centers espalhados por 75 cidades. Os dados fazem parte de um censo divulgado nesta quarta-feira (4) pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e ajudam a dimensionar o peso desse tipo de empreendimento na rotina dos paulistas: há, em média, um shopping para cada 225 mil habitantes. O levantamento também aponta mudanças no perfil dos centros comerciais ao longo dos anos, com crescimento do setor de serviços e de entretenimento, que atualmente divide protagonismo com o varejo tradicional. Segundo o presidente da Abrasce, Glauco Humai, as compras ainda são o principal motivo que leva as pessoas aos shoppings, mas esse cenário vem mudando. A motivação principal ainda da ida ao shopping são as compras, com 49%, seguido de serviço, entretenimento e alimentação. Quando a gente soma esse bloco, ele é maior que compras: soma 51%. Então a gente pode dizer que existe uma procura muito grande dos paulistanos por outras questões que não apenas compras. Parte da vida Os shoppings fazem parte da vida do paulistano desde a década de 1960, quando o primeiro do Brasil foi inaugurado na capital, na Avenida Faria Lima. Por muitos anos, os corredores eram dominados por lojas de roupas, calçados, acessórios e eletrodomésticos. As exceções ficavam por conta dos cinemas e das praças de alimentação. De acordo com o censo, esse modelo foi sendo adaptado ao longo do tempo para acompanhar mudanças no estilo de vida dos consumidores, cada vez mais atentos à saúde e ao bem-estar. Hoje, 90% dos shoppings do estado oferecem clínicas de estética, e mais de 70% contam com academias, agências de viagem e farmácias. Em um estado com tantos empreendimentos desse tipo, nem todos conseguem se manter. No bairro de Artur Alvim, na Zona Leste da capital, um shopping faliu nos anos 1990 e deixou um grande espaço vazio no meio do bairro. Na Mooca, outro exemplo chama atenção: um shopping abandonado há 13 anos em plena Avenida Paes de Barros, um dos endereços mais valorizados da região. Os que resistem ao tempo perceberam que o sucesso não depende apenas de um mix variado de lojas e serviços. Em uma cidade marcada por extremos climáticos, os shoppings também passaram a funcionar como refúgio contra o calor intenso ou a chuva. Segundo Humai, "em São Paulo, sobretudo, a gente tem umas especificidades que favorecem esse equipamento, que é a dificuldade de locomoção, aspectos climáticos e de segurança, que fortalecem as características de um shopping". O shopping tem temperatura constante, é muito seguro, tem acesso fácil com estacionamento e modais de transporte público, além de um mix de serviços, compras e entretenimento muito amplo, que faz com que a pessoa, no corre do dia, consiga ir a um local e resolver a sua vida. Para os próximos anos, a Abrasce projeta crescimento. A associação estima que, em 2026, o faturamento dos shoppings tenha aumento de quase 1,5%. A expectativa é de que esse avanço seja impulsionado pelo aumento do orçamento das famílias com a isenção do Imposto de Renda e também pela Copa do Mundo, que tradicionalmente movimenta bares e restaurantes nos dias de jogos. Movimentação no Shopping Piracicaba no domingo (18) Reprodução/EPTV