De La Espriella, candidato à presidência na Colômbia. Reprodução Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a apuração preliminar das eleições presidenciais da Colômbia neste domingo (21). Figura conhecida da elite colombiana, o ultradireitista construiu sua imagem pública muito antes da campanha eleitoral e acumula episódios que o transformaram em um personagen controverso. Entre rugidos de tigre em eventos públicos, vídeos exibindo bebidas e carros de luxo e até uma polêmica envolvendo a exposição das próprias genitais durante uma entrevista, De la Espriella cultivou uma imagem de celebridade e adotou um estilo "showman". Advogado criminalista de sucesso e fundador de um dos escritórios mais conhecidos da Colômbia, ele passou duas décadas atuando em casos de grande repercussão nacional antes de migrar para a política. Durante esse período, representou empresários, políticos e figuras ligadas a escândalos de corrupção, argumentando que defender clientes controversos faz parte do exercício da profissão e não significa endossar suas ações. O "Tigre" Um dos principais elementos da identidade pública do novo líder colombiano é o apelido "El Tigre" ("O Tigre"). A imagem do animal aparece em seus discursos, campanhas e nas redes sociais. Em eventos políticos, De la Espriella costuma utilizar a figura do tigre como símbolo de força, autoridade e combate ao crime. O político também recorre aos próprios rugidos em aparições públicas e em vídeos de campanha, uma estratégia que ajudou a consolidar sua marca pessoal entre os apoiadores. De La Espriella, candidato à presidência na Colômbia. Reprodução/Redes Sociais O estilo de vida luxuoso Muito antes de entrar na política, De la Espriella já exibia nas redes sociais uma rotina marcada pelo consumo de produtos de luxo. Garrafas de bebidas caras, relógios, carros esportivos e viagens frequentes aparecem em vídeos compartilhados por ele ao longo dos últimos anos. Essa ostentação, porém, se tornou alvo de críticas durante a campanha, principalmente porque o então candidato buscou se apresentar como um político antissistema e próximo dos cidadãos comuns. Segundo a Reuters, apesar de afirmar ter financiado a própria campanha, parte de seus negócios enfrenta dificuldades financeiras, e algumas empresas ligadas ao empresário acumulam dívidas ou já foram encerradas. Espriella mostrou as genitálias para jornalista Um dos episódios mais polêmicos de sua trajetória ocorreu durante uma entrevista concedida anos antes da corrida presidencial. Na ocasião, De la Espriella foi alvo de críticas após mostrar suas genitais à jornalista que conduzia a conversa. O caso provocou repercussão na imprensa colombiana e voltou a circular nas redes sociais durante a campanha eleitoral. Segundo o processo, o candidato "exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem". Em seguida, ele "insistiu para que a jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela, mediante frases como: 'aproxime e me diga o que você vê aí' e 'não seja tímida'". O advogado alegou que se tratava de uma brincadeira, mas o episódio continuou sendo usado por adversários como exemplo de seu comportamento provocador. Abelardo De La Espriella Charlie Cordero/Reuters Relação com Bukele Outra comparação recorrente é com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Admirador declarado da política de segurança adotada pelo líder salvadorenho, De la Espriella prometeu construir dez megapresídios, endurecer as penas criminais e encerrar as negociações de paz com grupos armados ilegais. A proximidade vai além do discurso. Ao longo da campanha, o colombiano repetiu a fórmula que tornou Bukele popular na América Latina: forte presença nas redes sociais, comunicação direta com os eleitores e a promessa de uma política de "mão dura" contra a criminalidade. Além disso, De la Espriella defende a redução de 40% da estrutura do Estado, a ampliação da exploração de petróleo e a autorização do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. O advogado, que também possui cidadania italiana e norte-americana, assumirá a Presidência da Colômbia em 7 de agosto, caso a vitória seja confirmada após a conclusão do escrutínio oficial. A carreira musical de Espriella Para além da carreira política e empresarial, Espriella também é cantor de vallenato, um gênero musical folclórico colombiano. Seu perfil no Spotify conta com pouco mais de 16 mil ouvintes e tem na primeira colocação a música "A mi manera", com mais de 130 mil reproduções. Durante a campanha presidencial, a ligação com o vallenato também funcionou como ferramenta política. Em um país onde o gênero é símbolo de identidade nacional, se apresentar como cantor aproxima o candidato das raízes culturais colombianas. Abelardo de la Espriella também é cantor de vallenato. Reprodução/Redes Sociais Quem é Abelardo de la Espriella, presidente eleito em apuração preliminar na Colômbia
Rugidos de tigre, bebidas de luxo, nude em entrevista: as polêmicas de Abelardo de la Espriella, eleito na Colômbia
Escrito em 23/06/2026
De La Espriella, candidato à presidência na Colômbia. Reprodução Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a apuração preliminar das eleições presidenciais da Colômbia neste domingo (21). Figura conhecida da elite colombiana, o ultradireitista construiu sua imagem pública muito antes da campanha eleitoral e acumula episódios que o transformaram em um personagen controverso. Entre rugidos de tigre em eventos públicos, vídeos exibindo bebidas e carros de luxo e até uma polêmica envolvendo a exposição das próprias genitais durante uma entrevista, De la Espriella cultivou uma imagem de celebridade e adotou um estilo "showman". Advogado criminalista de sucesso e fundador de um dos escritórios mais conhecidos da Colômbia, ele passou duas décadas atuando em casos de grande repercussão nacional antes de migrar para a política. Durante esse período, representou empresários, políticos e figuras ligadas a escândalos de corrupção, argumentando que defender clientes controversos faz parte do exercício da profissão e não significa endossar suas ações. O "Tigre" Um dos principais elementos da identidade pública do novo líder colombiano é o apelido "El Tigre" ("O Tigre"). A imagem do animal aparece em seus discursos, campanhas e nas redes sociais. Em eventos políticos, De la Espriella costuma utilizar a figura do tigre como símbolo de força, autoridade e combate ao crime. O político também recorre aos próprios rugidos em aparições públicas e em vídeos de campanha, uma estratégia que ajudou a consolidar sua marca pessoal entre os apoiadores. De La Espriella, candidato à presidência na Colômbia. Reprodução/Redes Sociais O estilo de vida luxuoso Muito antes de entrar na política, De la Espriella já exibia nas redes sociais uma rotina marcada pelo consumo de produtos de luxo. Garrafas de bebidas caras, relógios, carros esportivos e viagens frequentes aparecem em vídeos compartilhados por ele ao longo dos últimos anos. Essa ostentação, porém, se tornou alvo de críticas durante a campanha, principalmente porque o então candidato buscou se apresentar como um político antissistema e próximo dos cidadãos comuns. Segundo a Reuters, apesar de afirmar ter financiado a própria campanha, parte de seus negócios enfrenta dificuldades financeiras, e algumas empresas ligadas ao empresário acumulam dívidas ou já foram encerradas. Espriella mostrou as genitálias para jornalista Um dos episódios mais polêmicos de sua trajetória ocorreu durante uma entrevista concedida anos antes da corrida presidencial. Na ocasião, De la Espriella foi alvo de críticas após mostrar suas genitais à jornalista que conduzia a conversa. O caso provocou repercussão na imprensa colombiana e voltou a circular nas redes sociais durante a campanha eleitoral. Segundo o processo, o candidato "exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem". Em seguida, ele "insistiu para que a jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela, mediante frases como: 'aproxime e me diga o que você vê aí' e 'não seja tímida'". O advogado alegou que se tratava de uma brincadeira, mas o episódio continuou sendo usado por adversários como exemplo de seu comportamento provocador. Abelardo De La Espriella Charlie Cordero/Reuters Relação com Bukele Outra comparação recorrente é com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Admirador declarado da política de segurança adotada pelo líder salvadorenho, De la Espriella prometeu construir dez megapresídios, endurecer as penas criminais e encerrar as negociações de paz com grupos armados ilegais. A proximidade vai além do discurso. Ao longo da campanha, o colombiano repetiu a fórmula que tornou Bukele popular na América Latina: forte presença nas redes sociais, comunicação direta com os eleitores e a promessa de uma política de "mão dura" contra a criminalidade. Além disso, De la Espriella defende a redução de 40% da estrutura do Estado, a ampliação da exploração de petróleo e a autorização do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. O advogado, que também possui cidadania italiana e norte-americana, assumirá a Presidência da Colômbia em 7 de agosto, caso a vitória seja confirmada após a conclusão do escrutínio oficial. A carreira musical de Espriella Para além da carreira política e empresarial, Espriella também é cantor de vallenato, um gênero musical folclórico colombiano. Seu perfil no Spotify conta com pouco mais de 16 mil ouvintes e tem na primeira colocação a música "A mi manera", com mais de 130 mil reproduções. Durante a campanha presidencial, a ligação com o vallenato também funcionou como ferramenta política. Em um país onde o gênero é símbolo de identidade nacional, se apresentar como cantor aproxima o candidato das raízes culturais colombianas. Abelardo de la Espriella também é cantor de vallenato. Reprodução/Redes Sociais Quem é Abelardo de la Espriella, presidente eleito em apuração preliminar na Colômbia

