Jovem com 'a pior dor do mundo' diz que é vítima de stalking e ameaça e registra boletim de ocorrência em MG

Escrito em 22/05/2026


Prints de mensagens enviadas por suspeito de perseguição à jovem com pior dor do mundo - Bambuí Carolina Arruda/Arquivo pessoal Carolina Arruda, jovem que convive com neuralgia do trigêmeo — condição neurológica conhecida por causar dores intensas e chamada por especialistas de “a pior dor do mundo” — registrou um boletim de ocorrência após denunciar perseguição virtual, ameaças e crimes contra a honra nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Carolina afirmou ser alvo de comentários maliciosos, perfis falsos e divulgação de informações pessoais e íntimas na internet. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp No boletim de ocorrência, Carolina relatou que um seguidor publicou comentários maliciosos nas redes sociais com o objetivo de difamar sua imagem. Segundo o registro, as publicações podem configurar crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria, além de perseguição virtual. A vítima apresentou prints das publicações com informações como nome de usuário, datas, horários, perfil utilizado e comentários feitos pelo suspeito. No entanto, nas imagens às quais o g1 teve acesso, o nome do usuário não aparece. Segundo o boletim de ocorrência, Carolina bloqueou o usuário inicialmente. Mesmo assim, ela afirmou que o homem passou a usar perfis falsos para continuar a perseguição. Ainda segundo o relato, Carolina passou a receber ameaças após expor a situação publicamente nas redes sociais. A denúncia aponta que, em uma das mensagens, o suspeito divulgou informações pessoais e íntimas da vítima, o que aumentou a sensação de insegurança. No boletim de ocorrência, Carolina informou que pretende representar criminalmente contra o suspeito. O documento também informa que a mãe do suspeito entrou em contato com uma seguidora da ONG fundada por Carolina Arruda, que orienta pacientes sobre neuralgia do trigêmeo. Segundo o relato, ela afirmou que o filho tem problemas psiquiátricos, é dependente químico e queria ter acesso à medicação usada pela vítima. O caso foi registrado na 24ª Delegacia da Polícia Civil de Bambuí e segue sob investigação. Relação de obsessão e monitoramento Segundo os prints apresentados por Carolina Arruda, a perseguição teria começado a partir de um comportamento de obsessão e monitoramento constante nas redes sociais. Nas mensagens, o homem afirmou que acompanha a jovem há mais de dois anos e que ela “faz parte da rotina” dele, mesmo sem contato direto. O homem também relatou desconforto ao tentar se aproximar de Carolina e demonstrou fixação na relação dela com um médico responsável pelo tratamento da neuralgia do trigêmeo. Em outro trecho das conversas, o homem admitiu que alternava entre admiração e ataques contra Carolina. Segundo as mensagens, ele afirmou que já a defendeu nas redes sociais, mas também passou a agir como “hater”, chegando a expô-la publicamente na internet. Depois, segundo a própria mensagem, ele voltava a apoiá-la e a citá-la como exemplo, demonstrando comportamento instável em relação à vítima. Os prints também mostram que o suspeito acompanhava detalhadamente a rotina, o trabalho e a atuação pública de Carolina. Nas mensagens, ele comentava sobre projetos sociais, ações de conscientização sobre neuralgia do trigêmeo, aparência física, posicionamentos pessoais e até questões íntimas da vida da jovem. Em uma das mensagens, o homem escreveu que se considera um “seguidor fiel” de Carolina. Ainda segundo as mensagens, o homem associou os ataques ao próprio estado emocional e psicológico. Ele afirmou que acumulava sentimentos de ódio, frustração e inveja relacionados ao tratamento médico e ao acesso de Carolina a medicamentos como a morfina. Em um dos textos, o homem admitiu ter “jogado” essa revolta contra Carolina “sem papas na língua”, principalmente ao vê-la com acesso a medicamentos que ele também queria usar. Os prints também mostram comentários considerados invasivos e perturbadores pela vítima. Nas mensagens, o homem fez referências à dependência química de opioides — analgésicos potentes usados para bloquear sinais de dor no sistema nervoso central — e citou medicamentos usados no tratamento da neuralgia. Segundo Carolina, ele também afirmou que ela estaria em uma situação sem saída, em um discurso interpretado por ela como intimidador e ameaçador. De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, mesmo após ser bloqueado, o suspeito teria criado perfis falsos para continuar entrando em contato e perseguindo Carolina nas redes sociais. Rotina de Carolina Doença com 'pior dor do mundo': Entenda Há dois meses Carolina retornou a Bambuí para concluir a graduação em medicina veterinária no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), que estava trancada desde 2023, quando a doença se agravou. Carolina Arruda convive com a chamada 'pior dor do mundo', causada pela neuralgia do trigêmeo Arquivo Pessoal Tratamentos e crises de dor A estudante ganhou notoriedade nacional ao relatar crises severas de dor. Para o médico que acompanha Carolina, Carlos Marcelo de Barros, a retomada da rotina acadêmica pode trazer benefícios importantes ao tratamento. “A dor crônica é um fenômeno complexo que envolve, além do estímulo físico, questões sociais e emocionais. O fato de Carolina poder retomar a rotina, concluir o curso e se preparar para o trabalho ativa áreas do cérebro que também contribuem para o tratamento e podem proporcionar melhores condições de vida”, destacou o médico. Entenda a condição Carolina Arruda compartilha nas redes sociais a rotina do tratamento Redes Sociais/Reprodução Desde 2013, a estudante enfrenta a neuralgia do trigêmeo, conhecida como a 'pior dor do mundo'. A condição provoca episódios intensos e incapacitantes no rosto e a levou a recorrer a diversos tratamentos para aliviar o sofrimento. Veja abaixo perguntas e repostas sobre o caso da jovem: Quem é Carolina Arruda? O que é a neuralgia do trigêmeo? Quando começaram os sintomas? Como era a vida dela antes do diagnóstico? Como a doença afeta a rotina dela? Quais tratamentos ela já fez? Carol vai continuar em tratamento? 1. Quem é Carolina Arruda? Carolina Arruda, de 28 anos, é natural de São Lourenço, no Sul de Minas, e mora em Bambuí, no Centro-Oeste. Estudante de medicina veterinária, casada e mãe de uma menina de 11 anos, a jovem começou a sentir as dores aos 16 anos, durante a gravidez e a recuperação de uma dengue. Ela ganhou notoriedade nacional em julho de 2024 ao revelar o desejo de recorrer ao suicídio assistido na Suíça, país onde o procedimento é legalizado, devido à dor e ao desgaste causados pela doença. 2. O que é a neuralgia do trigêmeo? É uma doença neurológica rara que provoca dores intensas no rosto, comparadas a choques elétricos. Afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade facial, e pode ser desencadeada por ações simples, como falar, mastigar ou escovar os dentes. A doença atinge menos de 0,3% da população mundial, mas o caso é ainda mais raro: a jovem sente dor nos dois lados do rosto e de forma contínua. 3. Quando começaram os sintomas? A jovem começou a sentir as dores aos 16 anos, durante a gravidez e a recuperação de uma dengue. No início, os sintomas chegaram a ser confundidos com problemas odontológicos. Só após exames detalhados os médicos confirmaram a neuralgia do trigêmeo, e o atraso no diagnóstico retardou o início de um cuidado mais direcionado. 4. Como era a vida dela antes do diagnóstico? Antes de conviver com a doença, a estudante estudava e trabalhava normalmente. Ela relatou ter planos acadêmicos e profissionais, mas precisou interrompê-los quando os episódios se intensificaram. 5. Como a doença afeta a rotina dela? A neuralgia do trigêmeo torna atividades simples, como escovar os dentes, falar ou mastigar, extremamente dolorosas. 6. Quais tratamentos ela já fez? A estudante passou por uso de medicamentos, sessões de radiocirurgia, fisioterapia e uma cirurgia de descompressão do nervo trigêmeo. Os resultados foram temporários, e os episódios sempre retornaram. O procedimento mais recente foi uma sedação profunda, com o objetivo de 'reiniciar' o cérebro e melhorar a resposta aos medicamentos. Porém, ela relatou que não houve melhora, que os sintomas ficaram ainda mais intensos e afirmou que daria um tempo nos tratamentos médicos para priorizar o cuidado emocional. 7. Carol vai continuar em tratamento? A estudante afirmou que não pretende passar por novas cirurgias ou procedimentos experimentais, mas seguirá com as terapias já implantadas, como a bomba de fármacos e os eletrodos. Segundo o médico responsável, novas intervenções invasivas foram descartadas. A prioridade agora é preservar conforto, funcionalidade e respeitar a vontade expressa da paciente. LEIA TAMBÉM: Como é viver com doença que causa 'pior dor do mundo' Jovem com a 'pior dor do mundo' revela que vizinho tentou estuprá-la VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas