El Niño deve ser mais forte e com aumento de seca e calor extremo no Acre A capital acreana registrou, no mês de junho, apenas dois dias de chuvas concentradas que resultaram em 106 milímetros. No entanto, segundo a Defesa Civil de Rio Branco, embora as chuvas tenham contribuído para atrasar a redução do nível do Rio Acre na capital, o efeito foi limitado. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que as precipitações concentradas mascaram a realidade enfrentada pela capital durante o período de estiagem, mesmo que tenha ultrapassado o previsto para junho, que era de 39,4 milímetros. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp "Se não tivesse ocorrido essa chuva concentrada nesses dois dias, teríamos em torno de 3 milímetros de chuva no mês todo. Tirando esses dias, praticamente não choveu mais. É por isso que estamos nessa situação crítica e ela pode agravar mais daqui para frente", detalhou. As chuvas mencionadas pelo coordenador são referentes aos dias 9 e 10 de junho. No primeiro dia, foram registrados 70,20 milímetros. Já no segundo, a precipitação foi de 33,60 milímetros. Somado, o volume corresponde a 169% acima do previsto. Segundo ele, a expectativa era que, no final do mês de junho, o Rio Acre estivesse próximo de 2 metros. Porém, na medição da última terça (30), marcou 2,61 metros. "Teve um efeito. O rio não está tão baixo quanto era esperado, mas essa chuva foi muito concentrada. Então, ela não melhorou significativamente o cenário", complementou. Junho tem apenas dois dias de chuva em Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica LEIA MAIS: El Niño deste ano deve superar o anterior, que foi o mais forte em 7 décadas no Acre Com previsões de seca, órgãos discutem ações para enfrentar estiagem no AC: 'Mitigar os efeitos' Rio Acre volta a fica abaixo dos 3 metros na capital apesar de chuvas acima da média no mês Mesmo com o acumulado de chuva acima da média neste mês, a Defesa Civil explicou que os dados mostram uma situação atípica. Em 2024, junho registrou apenas 21,10 milímetros de chuvas e, em 2025, foram 29,09 milímetros. Sobre os meses de julho, agosto e setembro, a Defesa Civil Municipal detalhou que costumam registrar baixos índices de chuva. Cenário que, segundo Falcão, pode ser agravado pela influência do El Niño. "Estamos entrando no trimestre mais complicado. Julho, agosto e setembro são os meses mais críticos em relação às chuvas e a tendência é que os efeitos do El Niño se intensifiquem. Por isso, já estamos preparados e prevendo um agravamento do cenário", destacou. Embora as chuvas tenham contribuído para atrasar a redução do nível do Rio Acre na capital, o efeito foi limitado Amanda Oliveira/ Rede Amazônica Acre El Niño Com a influência do fenômeno El Niño, estimativas apontam calor intensificado no Acre. Conforme pesquisadores, a manifestação climática ganhará força a partir de agosto e pode se desenvolver com forte intensidade até o final de 2026, trazendo impactos significativos para o estado acreano. 🔎O El Niño é um fenômeno criado a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, gerando uma alteração nos ventos e correntes marítimas, modificando assim, a distribuição de temperaturas ao redor do planeta. Ao g1, o cientista ambiental da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, afirma que o principal impacto na região deve ser sentido com ondas de calor e picos de temperatura elevada anormais, principalmente a partir de setembro. Calor intenso e chegada de El Niño elevam risco de estiagem no Acre “Um dos principais sinais da formação do fenômeno já está sendo observado: a atmosfera aqui na região central do Oceano Pacífico está com temperaturas elevadas em comparação à sua tendência natural”, explica. A experiência mais recente com o fenômeno ainda está viva na memória dos acreanos. Em 2024, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, o menor nível do Rio Acre, além de temperaturas elevadas em toda a região. Em 2023, o estado chegou a ter o El Niño mais intenso em 70 anos. No dia 21 de setembro, o Rio Acre, principal manancial do estado, marcou a menor cota já registrada, de 1,23 metro. “Temos a experiência do El Niño de 2023/2024, com períodos de baixíssimas chuvas, níveis dos rios extremamente baixos, pouca água, mortalidade de peixes e temperaturas elevadas. Então, os estudos indicam que este seria mais forte do que o El Niño anterior”, acrescenta. VÍDEOS: g1
Junho teve apenas dois dias de chuva em Rio Branco: ‘Pode agravar mais’, diz Defesa Civil
Escrito em 02/07/2026
El Niño deve ser mais forte e com aumento de seca e calor extremo no Acre A capital acreana registrou, no mês de junho, apenas dois dias de chuvas concentradas que resultaram em 106 milímetros. No entanto, segundo a Defesa Civil de Rio Branco, embora as chuvas tenham contribuído para atrasar a redução do nível do Rio Acre na capital, o efeito foi limitado. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que as precipitações concentradas mascaram a realidade enfrentada pela capital durante o período de estiagem, mesmo que tenha ultrapassado o previsto para junho, que era de 39,4 milímetros. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp "Se não tivesse ocorrido essa chuva concentrada nesses dois dias, teríamos em torno de 3 milímetros de chuva no mês todo. Tirando esses dias, praticamente não choveu mais. É por isso que estamos nessa situação crítica e ela pode agravar mais daqui para frente", detalhou. As chuvas mencionadas pelo coordenador são referentes aos dias 9 e 10 de junho. No primeiro dia, foram registrados 70,20 milímetros. Já no segundo, a precipitação foi de 33,60 milímetros. Somado, o volume corresponde a 169% acima do previsto. Segundo ele, a expectativa era que, no final do mês de junho, o Rio Acre estivesse próximo de 2 metros. Porém, na medição da última terça (30), marcou 2,61 metros. "Teve um efeito. O rio não está tão baixo quanto era esperado, mas essa chuva foi muito concentrada. Então, ela não melhorou significativamente o cenário", complementou. Junho tem apenas dois dias de chuva em Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica LEIA MAIS: El Niño deste ano deve superar o anterior, que foi o mais forte em 7 décadas no Acre Com previsões de seca, órgãos discutem ações para enfrentar estiagem no AC: 'Mitigar os efeitos' Rio Acre volta a fica abaixo dos 3 metros na capital apesar de chuvas acima da média no mês Mesmo com o acumulado de chuva acima da média neste mês, a Defesa Civil explicou que os dados mostram uma situação atípica. Em 2024, junho registrou apenas 21,10 milímetros de chuvas e, em 2025, foram 29,09 milímetros. Sobre os meses de julho, agosto e setembro, a Defesa Civil Municipal detalhou que costumam registrar baixos índices de chuva. Cenário que, segundo Falcão, pode ser agravado pela influência do El Niño. "Estamos entrando no trimestre mais complicado. Julho, agosto e setembro são os meses mais críticos em relação às chuvas e a tendência é que os efeitos do El Niño se intensifiquem. Por isso, já estamos preparados e prevendo um agravamento do cenário", destacou. Embora as chuvas tenham contribuído para atrasar a redução do nível do Rio Acre na capital, o efeito foi limitado Amanda Oliveira/ Rede Amazônica Acre El Niño Com a influência do fenômeno El Niño, estimativas apontam calor intensificado no Acre. Conforme pesquisadores, a manifestação climática ganhará força a partir de agosto e pode se desenvolver com forte intensidade até o final de 2026, trazendo impactos significativos para o estado acreano. 🔎O El Niño é um fenômeno criado a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, gerando uma alteração nos ventos e correntes marítimas, modificando assim, a distribuição de temperaturas ao redor do planeta. Ao g1, o cientista ambiental da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, afirma que o principal impacto na região deve ser sentido com ondas de calor e picos de temperatura elevada anormais, principalmente a partir de setembro. Calor intenso e chegada de El Niño elevam risco de estiagem no Acre “Um dos principais sinais da formação do fenômeno já está sendo observado: a atmosfera aqui na região central do Oceano Pacífico está com temperaturas elevadas em comparação à sua tendência natural”, explica. A experiência mais recente com o fenômeno ainda está viva na memória dos acreanos. Em 2024, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, o menor nível do Rio Acre, além de temperaturas elevadas em toda a região. Em 2023, o estado chegou a ter o El Niño mais intenso em 70 anos. No dia 21 de setembro, o Rio Acre, principal manancial do estado, marcou a menor cota já registrada, de 1,23 metro. “Temos a experiência do El Niño de 2023/2024, com períodos de baixíssimas chuvas, níveis dos rios extremamente baixos, pouca água, mortalidade de peixes e temperaturas elevadas. Então, os estudos indicam que este seria mais forte do que o El Niño anterior”, acrescenta. VÍDEOS: g1

