Crise no STF piorou durante o Carnaval, avaliam ministros

Escrito em 18/02/2026


O Carnaval acabou, mas não serviu para melhorar o clima dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ministros da Corte, o ambiente segue tenso e com muita desconfiança entre eles depois do vazamento e suspeita de gravação das reuniões sobre o ministro Dias Toffoli e o caso Master. "Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna", alerta um integrante do STF. A dúvida é se o presidente do Supremo, Edson Fachin, vai abrir investigação para descobrir o que aconteceu. Para aumentar a temperatura, a PF fez uma operação durante as festas carnavalescas a partir de um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O resultado pode ser explosivo e muito importante para elucidar ataques ao Supremo, mas a iniciativa de incluir todos os ministros no rol dos supostos alvos de espionagem desagradou colegas de Moraes. A Polícia Federal apura se sigilos de ministros do STF e parentes foram quebrados ilegalmente para venda de dados ou uso político. Ou até as duas coisas ao mesmo tempo. A depender das descobertas, o clima dentro do Supremo pode ficar ainda mais quente e contaminar de vez o ano eleitoral, principalmente se prevalecer a linha do uso político. Prédio do STF, em Brasília Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Vítimas O inquérito foi aberto por Moraes, mas as ações desta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Gonet também estava na lista dos que deveriam ter seus registros checados para descobrir se houve alguma quebra de sigilo. A Receita Federal informou, porém, que não foi encontrada violação nos registros de dados do procurador nem de seus parentes. A PF e a Receita Federal já descobriram que Viviane Barci Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, foi alvo de invasão de seus registros por um funcionário cedido à Receita, que trabalha no Rio. Além dele, outros três servidores estão sendo investigados.