Uma embarcação no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 30 de junho de 2026 Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Os Estados Unidos acreditam que haja uma disputa de poder se desenrolando em tempo real no Irã entre os líderes linha-dura e os pragmáticos, segundo autoridades disseram autoridades norte-americanas na sexta-feira (10) Isso porque o Irã informou a Washington que os recentes ataques à navegação no Estreito foram causados por "uma parte desorientada de seu sistema", disse uma autoridade sênior a um pequeno grupo de repórteres durante uma teleconferência. Os Estados Unidos estão exigindo que o Irã declare publicamente que cessará os ataques a navios no Estreito de Ormuz e que todas as vias do estreito fiquem abertas à navegação sem cobrança de pedágio. “O que estamos exigindo é que os iranianos emitam uma declaração pública reconhecendo que todas as vias do Estreito de Ormuz estão abertas e que não estão mais atirando em navios. Ou eles nos fornecem essa declaração, ou não teremos um desfecho favorável para eles”, disse uma das autoridades norte-americanas. Três navios foram atacados nesta semana, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a responder com ataques norte-americanos contra alvos iranianos. Ele declarou que o cessar-fogo assinado pelas duas partes em junho acabou. Irã abre túmulo de Ali Khamenei para visitas e iranianos lotam espaço Qual o motivo da disputa no Estreito de Ormuz? A mais recente troca de ataques entre EUA e Irã têm como cenário uma disputa que vai além dos bombardeios: quem exerce, na prática, o controle sobre o Estreito de Ormuz. A rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima. Sem sinal de Mojtaba Khamenei A ausência do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, das cerimônias fúnebres do pai Ali Khamenei levantou questionamentos sobre sua saúde e sobre o medo de um assassinato, além de indicar que ele pode exercer uma função bastante diferente em comparação com seu pai todo-poderoso. Entre os presentes estavam o presidente do parlamento e principal negociador nas conversas com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, o poderoso chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e o filho mais velho de Ali Khamenei, Mostafa Khamenei. Mas não houve nenhum sinal de Mojtaba Khamenei, que foi nomeado líder supremo logo após o assassinato de seu pai e que, desde então, só se comunicou por meio de declarações escritas, sem nenhuma aparição pública. Rosto desfigurado Alçado ao poder com o apoio da poderosa Guarda Revolucionária, Mojtaba sofreu uma desfiguração facial e outros ferimentos no ataque, segundo fontes de alto escalão do governo iraniano ouvidas pela agência Reuters. Elas afirmam que ele tem tomado decisões, mas ainda não recuperou a saúde de forma suficiente para aparecer em público. Os riscos de segurança também são substanciais, visto o assassinato de seu pai no ataque inicial dos EUA e de Israel contra o Irã. Embora a Guarda Revolucionária pareça manter as rédeas firmes do país por enquanto, não está claro por quanto tempo o líder de um Estado teocrático pode permanecer fora de vista. "Como fazer uma sucessão carismática quando o sucessor não está presente? Isso vai ser um problema para eles, mesmo que consigam contornar a situação por enquanto. Não é sustentável a longo prazo", disse Ali Ansari, professor de história moderna na Universidade de St Andrews, na Escócia, em entrevista à agência de notícias Reuters. Homem passa por outdoor que mostra fotos do ex-líder iraniano Ali Khamenei e o atual líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, com os dizeres em árabe 'Obrigado, Irã', em Dahiyeh, no sul de Beirute, capital do Líbano, no dia 15 de junho de 2026 Hussein Malla/AP
EUA suspeitam de disputa de poder entre líderes linha-dura e pragmáticos no Irã
Escrito em 11/07/2026
Uma embarcação no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 30 de junho de 2026 Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Os Estados Unidos acreditam que haja uma disputa de poder se desenrolando em tempo real no Irã entre os líderes linha-dura e os pragmáticos, segundo autoridades disseram autoridades norte-americanas na sexta-feira (10) Isso porque o Irã informou a Washington que os recentes ataques à navegação no Estreito foram causados por "uma parte desorientada de seu sistema", disse uma autoridade sênior a um pequeno grupo de repórteres durante uma teleconferência. Os Estados Unidos estão exigindo que o Irã declare publicamente que cessará os ataques a navios no Estreito de Ormuz e que todas as vias do estreito fiquem abertas à navegação sem cobrança de pedágio. “O que estamos exigindo é que os iranianos emitam uma declaração pública reconhecendo que todas as vias do Estreito de Ormuz estão abertas e que não estão mais atirando em navios. Ou eles nos fornecem essa declaração, ou não teremos um desfecho favorável para eles”, disse uma das autoridades norte-americanas. Três navios foram atacados nesta semana, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a responder com ataques norte-americanos contra alvos iranianos. Ele declarou que o cessar-fogo assinado pelas duas partes em junho acabou. Irã abre túmulo de Ali Khamenei para visitas e iranianos lotam espaço Qual o motivo da disputa no Estreito de Ormuz? A mais recente troca de ataques entre EUA e Irã têm como cenário uma disputa que vai além dos bombardeios: quem exerce, na prática, o controle sobre o Estreito de Ormuz. A rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima. Sem sinal de Mojtaba Khamenei A ausência do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, das cerimônias fúnebres do pai Ali Khamenei levantou questionamentos sobre sua saúde e sobre o medo de um assassinato, além de indicar que ele pode exercer uma função bastante diferente em comparação com seu pai todo-poderoso. Entre os presentes estavam o presidente do parlamento e principal negociador nas conversas com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, o poderoso chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e o filho mais velho de Ali Khamenei, Mostafa Khamenei. Mas não houve nenhum sinal de Mojtaba Khamenei, que foi nomeado líder supremo logo após o assassinato de seu pai e que, desde então, só se comunicou por meio de declarações escritas, sem nenhuma aparição pública. Rosto desfigurado Alçado ao poder com o apoio da poderosa Guarda Revolucionária, Mojtaba sofreu uma desfiguração facial e outros ferimentos no ataque, segundo fontes de alto escalão do governo iraniano ouvidas pela agência Reuters. Elas afirmam que ele tem tomado decisões, mas ainda não recuperou a saúde de forma suficiente para aparecer em público. Os riscos de segurança também são substanciais, visto o assassinato de seu pai no ataque inicial dos EUA e de Israel contra o Irã. Embora a Guarda Revolucionária pareça manter as rédeas firmes do país por enquanto, não está claro por quanto tempo o líder de um Estado teocrático pode permanecer fora de vista. "Como fazer uma sucessão carismática quando o sucessor não está presente? Isso vai ser um problema para eles, mesmo que consigam contornar a situação por enquanto. Não é sustentável a longo prazo", disse Ali Ansari, professor de história moderna na Universidade de St Andrews, na Escócia, em entrevista à agência de notícias Reuters. Homem passa por outdoor que mostra fotos do ex-líder iraniano Ali Khamenei e o atual líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, com os dizeres em árabe 'Obrigado, Irã', em Dahiyeh, no sul de Beirute, capital do Líbano, no dia 15 de junho de 2026 Hussein Malla/AP

