PF indicia pai, duas filhas e mais 25 pessoas por esquema milionário de tráfico de drogas em Uberlândia

Escrito em 15/07/2026


Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação 'Mens Occulta' e indiciou 28 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. De acordo com o relatório final, o grupo tinha base em Uberlândia e era liderado por Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC". As filhas dele, Brenda Silva Nunes e Bruna Silva Nunes, também foram indiciadas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo a PF, os investigados foram divididos em três núcleos: o familiar, formado por pai e filhas; o responsável pela logística do tráfico; e o financeiro, voltado para a lavagem de dinheiro da organização. A investigação começou após a apreensão de 312 quilos de cocaína no Triângulo Mineiro, em setembro de 2024, segundo a PF. Durante as apurações, os policiais relacionaram o grupo a pelo menos dez carregamentos de drogas interceptados em diferentes estados. As cargas eram transportadas em caminhões com compartimentos escondidos e somavam toneladas de cocaína. Conforme o relatório, a organização atuava de forma "estruturada, estável e permanente". Ainda segundo a PF, havia divisão de tarefas entre os integrantes e uso de empresas, familiares e terceiros para esconder bens e recursos. Núcleo familiar comandava esquema, diz PF Segundo o inquérito, Mario Sergio chefiava a organização criminosa. Ele seria responsável por coordenar a logística do tráfico de cocaína em larga escala e administrar o patrimônio supostamente adquirido com dinheiro ilícito. Ele foi indiciado por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As filhas também foram indiciadas por integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, Brenda auxiliava no controle de contas usadas pelo grupo, cuidava de assuntos financeiros ligados ao pai e participava da ocultação de patrimônio. Já Bruna Silva Nunes é apontada como responsável por permitir a movimentação de recursos por meio de suas contas bancárias e por atuar na administração financeira de valores atribuídos ao grupo criminoso. Para os investigadores, as duas tinham participação ativa na manutenção da estrutura financeira da organização e não atuavam apenas como familiares dos investigados. Procurada pelo g1, a defesa da família Nunes, representada pelo advogado José Carlos de Oliveira Campos, informou que aguarda acesso aos autos para se manifestar. Leia a íntegra da nota ao final da reportagem. Entendo como funcionava o esquema da família investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Uberlândia g1 PF aponta movimentações incompatíveis e patrimônio milionário A investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos integrantes do núcleo familiar. Segundo a PF, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram cerca de R$ 79 milhões em movimentações ligadas a Mario Sergio Nunes. Os investigadores também identificaram imóveis urbanos e rurais, veículos de luxo, empresas e outros bens registrados em nome de terceiros, familiares e pessoas ligadas ao grupo. No caso de Brenda, a PF afirmou que ela não tinha vínculo formal de trabalho desde 2018, mas mantinha um padrão de vida considerado incompatível com a renda declarada. Entre os bens citados pelos investigadores estão ranchos, embarcações, cavalos de raça, motor home e veículos de alto valor. Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia Ex-genro também foi indiciado Entre os indiciados está Rhanniery Nunes Graciano, ex-companheiro de Brenda e ex-genro de Mario Sergio Nunes. Segundo a PF, ele integrava o núcleo financeiro e patrimonial da organização criminosa e foi indiciado por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, Rhanniery teria atuado como "laranja" do grupo ao emprestar o próprio nome para ocultar bens ligados a Mario Sergio. A PF aponta que um caminhão de alto valor utilizado pela organização estava registrado formalmente em nome dele. Em depoimento, Rhanniery admitiu que o veículo pertencia ao então sogro e que apenas retirou o caminhão em Campo Grande (MS). O relatório também pontuou que o investigado disponibilizava contas bancárias para movimentações financeiras do grupo. Segundo a PF, ele mantinha um padrão de vida incompatível com a renda declarada. Os investigadores citaram publicações em redes sociais mostrando viagens internacionais e veículos de luxo, como Ferrari e Lamborghini, embora ele estivesse desempregado e tivesse registrado anteriormente renda mensal de cerca de R$ 4 mil. O advogado de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, reafirmou ao g1 a confiança no Poder Judiciário de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos. Leia mais ao final da reportagem. LEIA TAMBÉM: Quem é quem no esquema de família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro O que se sabe sobre esquema de família investigada por tráfico de drogas PF apreende cavalo de competição e flutuante com pista de dança ligados à família Clínica para filha motivou pedido de sequestro de imóvel Além do indiciamento dos investigados, a PF também pediu à Justiça Federal o sequestro de um imóvel avaliado em R$ 1,4 milhão em Uberlândia. A corporação alegou que Mario Sergio teria adquirido um terreno de aproximadamente 600 metros quadrados para a construção de uma clínica de psicologia destinada à filha Bruna. Conforme a investigação, o imóvel estaria registrado em nome de um suposto "laranja" e seria usado pela família para ocultação patrimonial. Ainda segundo a PF, uma empresa funcionou no local até janeiro de 2026. Depois, a construção foi demolida para o início das obras da futura clínica. A polícia requer o sequestro do terreno para futura alienação e reversão dos recursos à União. PF pediu sequestro de imóvel ligado à família Nunes, investigada na operação Mens Occulta PF/Reprodução Investigação aponta esvaziamento patrimonial antes da operação Outro ponto destacado pela investigação foi o que a PF classificou como um "intenso processo de esvaziamento patrimonial" promovido por Mario Sergio nos dias anteriores à operação. A análise de celulares apreendidos revelou que ele negociou imóveis rurais, ranchos, terrenos e veículos, além de adotar medidas para retirar seu nome de registros públicos relacionados aos bens. Entre os casos citados pela investigação está a negociação de uma chácara no Condomínio Praia de Miranda. Segundo a PF, o investigado teria demonstrado urgência na transferência da propriedade porque queria "tirar isso do meu nome". A PF também apontou a devolução de dois veículos BMW que teriam sido entregues às filhas como presente. Os automóveis foram encontrados em uma concessionária de Uberlândia no dia da operação. Apesar da conclusão do inquérito e dos indiciamentos, a Polícia Federal informou que as investigações continuam, já que dezenas de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação ainda passam por análise. O que disse a defesa da família Nunes "A defesa tomou conhecimento, por meio da imprensa da conclusão do inquérito policial. Contudo, até o presente momento, não teve acesso ao relatório final nem aos elementos produzidos na investigação. Em respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, qualquer manifestação sobre o mérito seria precipitada e irresponsável antes da análise integral dos autos. Assim que for franqueado o acesso à defesa, será realizada a devida avaliação técnica, oportunidade em que eventuais esclarecimentos poderão ser prestados. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e seguirá adotando todas as medidas legais necessárias para assegurar o pleno exercício do direito de defesa de seus constituintes." O que disse a defesa de Rhanniery Graciano "A defesa de Rhanniery Nunes Graciano, por seu advogado constituído, vem a público esclarecer o que segue. A defesa recebeu com absoluta serenidade a notícia do indiciamento de seu constituído, ato que se insere na fase meramente investigativa e que não representa qualquer juízo de culpa, prevalecendo, na sua plenitude, a presunção de inocência assegurada pelo art. 5º, LVII, da Constituição da República. A defesa reafirma sua integral confiança no Poder Judiciário e nos órgãos de persecução penal, certa de que, no curso regular do processo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, todos os fatos serão devidamente esclarecidos e a verdade restará demonstrada. O constituído colaborou e seguirá colaborando com as autoridades no que for necessário, na convicção de que o devido processo legal é o único caminho legítimo para a apuração dos fatos. A defesa não se manifestará sobre o conteúdo da investigação, em respeito ao sigilo que resguarda os autos e à seriedade dos trabalhos em curso, e adotará todas as medidas cabíveis na esfera própria — o processo. Uberlândia/MG, 15 de julho de 2026. Sergio Luiz da Silva OAB/MG 174.367 " Mario Sergio Nunes preso operação "Mens Occulta" Uberlândia Redes Sociais/Reprodução Brenda Nunes foi indiciada junto ao pai, a irmã e o ex-namorado Reprodução/Redes Sociais frota família tráfico uberlândia mens occulta PF/Divulgação VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas