Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidência da CVM O Senado aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. A indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da CVM foi feita pelo presidente Lula em janeiro de 2026. A escolha recebeu críticas da equipe econômica do governo por ele não ser um técnico. A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa. A comissão fiscaliza o mercado de capitais no Brasil – que engloba ações e fundos de investimento, por exemplo. Só em 2025, o mercado regulado pela CVM somou R$ 18 trilhões. A comissão é formada por cinco membros: quatro diretores e um presidente – todos são nomeados pelo presidente da República e precisam da aprovação do Senado. Um acordo com o governo previa que dois diretores fossem indicados pelo Congresso. Mas o Senado pressionou para fazer também a indicação do presidente da CVM. Nesta quarta-feira (20), na sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Otto Lobo foi questionado sobre a escolha para comandar a CVM: “Eu fui diretor da CVM por três anos e meio, fui escolhido pelo presidente da República, ao meu ver, porque eu já atuava como presidente interino. Eu acho que a decisão que foi tomada foi baseada no que todas as instituições fazem: se escolhe uma pessoa que já atuava no cargo”, disse Otto Lobo. Otto Lobo assumiu o cargo de diretor da CVM em 2022 e exerceu a presidência da comissão de forma interina em 2025, após a renúncia de João Pedro Nascimento, dois anos antes do fim do mandato. É acusado de tomar decisões controversas que favoreceram estruturas financeiras ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, contrariando pareceres técnicos, em um processo envolvendo a empresa de gestão ambiental Ambipar. Na sabatina desta quarta-feira (20), Otto Lobo negou favorecimento ao Master: "No caso da Ambipar, novamente, o TCU não viu qualquer tipo de irregularidade. O TCU já arquivou, por falta de indícios de irregularidade, os dois processos que foram abertos, decisões unânimes. Com relação a benefício do Banco Master, jamais houve qualquer benefício ao Banco Master, que inclusive está liquidado já. Não houve benefício ao Banco Master no caso Ambipar". Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários Jornal Nacional/ Reprodução A nomeação dele foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos e, em seguida, no plenário do Senado por 31 votos a 13. A Comissão de Valores Mobiliários é uma das peças centrais no combate a fraudes financeiras como a do Banco Master. Especialistas reforçam que a independência técnica aumenta a capacidade de fiscalização da CVM e que a autarquia deve ser blindada de influências políticas. “A CVM é uma instituição que precisa de autonomia, menos interferência política possível. É uma grande guardiã de confiabilidade sobre como funciona o mercado financeiro. Então, quanto mais autônoma ela puder ser, eu acho que isso traz mais maturidade para o nosso mercado como um todo”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. “O primeiro ponto é compreender a importância das agências de Estado. Uma coisa é um ministério, uma secretaria, que são órgãos de governo. Agências de Estado têm uma outra natureza. Elas foram criadas para disciplinar os mercados, para proteger o cidadão e precisam ter blindagens para não sofrer influência de governantes, de setores privados organizados, para conseguirem cumprir suas missões com autonomia técnica, com independência técnica. Então, isso coloca ali, quer dizer, um mandato ou uma missão muito clara e coloca uma responsabilidade na hora da indicação”, afirma a economista Zeina Latif. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Comissão do Senado aprova indicação do advogado Otto Lobo para presidir órgão que regula fundos de investimento
Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários
Escrito em 21/05/2026
Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidência da CVM O Senado aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. A indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da CVM foi feita pelo presidente Lula em janeiro de 2026. A escolha recebeu críticas da equipe econômica do governo por ele não ser um técnico. A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa. A comissão fiscaliza o mercado de capitais no Brasil – que engloba ações e fundos de investimento, por exemplo. Só em 2025, o mercado regulado pela CVM somou R$ 18 trilhões. A comissão é formada por cinco membros: quatro diretores e um presidente – todos são nomeados pelo presidente da República e precisam da aprovação do Senado. Um acordo com o governo previa que dois diretores fossem indicados pelo Congresso. Mas o Senado pressionou para fazer também a indicação do presidente da CVM. Nesta quarta-feira (20), na sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Otto Lobo foi questionado sobre a escolha para comandar a CVM: “Eu fui diretor da CVM por três anos e meio, fui escolhido pelo presidente da República, ao meu ver, porque eu já atuava como presidente interino. Eu acho que a decisão que foi tomada foi baseada no que todas as instituições fazem: se escolhe uma pessoa que já atuava no cargo”, disse Otto Lobo. Otto Lobo assumiu o cargo de diretor da CVM em 2022 e exerceu a presidência da comissão de forma interina em 2025, após a renúncia de João Pedro Nascimento, dois anos antes do fim do mandato. É acusado de tomar decisões controversas que favoreceram estruturas financeiras ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, contrariando pareceres técnicos, em um processo envolvendo a empresa de gestão ambiental Ambipar. Na sabatina desta quarta-feira (20), Otto Lobo negou favorecimento ao Master: "No caso da Ambipar, novamente, o TCU não viu qualquer tipo de irregularidade. O TCU já arquivou, por falta de indícios de irregularidade, os dois processos que foram abertos, decisões unânimes. Com relação a benefício do Banco Master, jamais houve qualquer benefício ao Banco Master, que inclusive está liquidado já. Não houve benefício ao Banco Master no caso Ambipar". Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários Jornal Nacional/ Reprodução A nomeação dele foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos e, em seguida, no plenário do Senado por 31 votos a 13. A Comissão de Valores Mobiliários é uma das peças centrais no combate a fraudes financeiras como a do Banco Master. Especialistas reforçam que a independência técnica aumenta a capacidade de fiscalização da CVM e que a autarquia deve ser blindada de influências políticas. “A CVM é uma instituição que precisa de autonomia, menos interferência política possível. É uma grande guardiã de confiabilidade sobre como funciona o mercado financeiro. Então, quanto mais autônoma ela puder ser, eu acho que isso traz mais maturidade para o nosso mercado como um todo”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. “O primeiro ponto é compreender a importância das agências de Estado. Uma coisa é um ministério, uma secretaria, que são órgãos de governo. Agências de Estado têm uma outra natureza. Elas foram criadas para disciplinar os mercados, para proteger o cidadão e precisam ter blindagens para não sofrer influência de governantes, de setores privados organizados, para conseguirem cumprir suas missões com autonomia técnica, com independência técnica. Então, isso coloca ali, quer dizer, um mandato ou uma missão muito clara e coloca uma responsabilidade na hora da indicação”, afirma a economista Zeina Latif. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Comissão do Senado aprova indicação do advogado Otto Lobo para presidir órgão que regula fundos de investimento

