Valores, foragidos e presos: entenda o avanço das investigações sobre roubo milionário em prédio de luxo em SP

Escrito em 29/11/2025


Imagens mostram detalhes do 'arrastão' em prédio de Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV A Justiça aceitou esta semana uma denúncia do Ministério Público contra 17 pessoas acusadas por participação em um roubo milionário em um edifício de alto padrão no Centro de Ribeirão Preto (SP) associado a uma rede de receptação de joias roubadas que passava por três estados. Destas, 15 dessas pessoas foram presas, a última delas a jovem de 21 anos Júlia Moretti, que se entregou à polícia em Araçatuba (SP), cidade de sua família, depois de ficar por dois meses foragida. O crime foi cometido em 24 de setembro, na Rua Campos Salles, e envolveu diferentes núcleos com funções diferentes, criminosos armados e disfarçados, além de uma logística que incluiu a locação antecipada de um apartamento no mesmo condomínio, com uso de documentos falsos, para facilitar a circulação dos ladrões. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Ao todo, seis apartamentos foram invadidos depois que moradores e prestadores de serviço do prédio foram rendidos. A Polícia Civil estima que a quadrilha levou em torno de R$ 4 milhões em objetos pertencentes às vítimas. A seguir, entenda o que se sabe sobre a conclusão das investigações do 'arrastão' no prédio: Quem está preso? Desde o início das investigações, 17 pessoas foram identificadas por participação direta no crime, com 15 presas até esta semana e já incluídas no processo. Entre os que foram detidos até agora estão ao menos quatro pessoas suspeitas de atuarem no chamado núcleo financeiro do grupo, responsável por intermediar movimentações bancárias, receber valores extorquidos das vítimas e fazer pagamentos logísticos. São eles: Sidney Américo Vieira, Felipe Moreira da Mata, João Paulo César Freires de Oliveira e Widman Henrique Américo Barbosa. LEIA TAMBÉM Logística, finanças e assalto: quem são os suspeitos e quais as funções no 'arrastão' em prédio de Ribeirão Preto Jovem suspeita de roubo milionário em prédio de luxo em Ribeirão Preto se entrega à polícia Delegado nega poder de liderança de jovem em roubo milionário de joias em prédio de Ribeirão Preto: 'Foi cooptada' Roubo de joias: esquema milionário em 3 estados e 'arrastão' em prédio foram planejados pela mesma quadrilha, diz delegado Júlia Moretti, sem cobrir o rosto, aparece em portaria do prédio que foi alvo de arrastão em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Do chamado núcleo logístico, encarregado por tarefas como a locação do apartamento do nono andar do prédio com documentação falsa e suporte material aos executores, são ao menos três pessoas presas: Fabiana de Paula Fernandes Miranda e Pablo Rodrigues Cardoso, presos em Ribeirão Preto, além de Júlia Moretti de Paula, que se entregou à polícia em Araçatuba esta semana após ficar por dois meses foragida. A Polícia Civil descartou que ela seja uma das lideranças da quadrilha e acredita que ela tenha sido cooptada a participar do esquema. Também há pessoas ligadas ao chamado núcleo operacional, ou seja, que agiram diretamente no assalto. Entre os presos estão: Carlos Alberto da Silva e Henrique Eduardo, detidos no bairro João Rossi, zona sul da cidade, em datas distintas, além de André Luiz Pereira Nunes, abordado enquanto dirigia um carro pelo cruzamento das avenidas Francisco Junqueira e Plínio de Castro Prado no início de outubro. Além disso, também está entre os presos Diego de Freitas, conhecido nas redes sociais como "Diego Ouro", suspeito de ser o responsável por comandar a receptação das joias roubadas, de dentro da cadeia, onde já estava preso por suspeita de participação em um roubo a uma casa na Ribeirânia, em maio. Diego seria parte do chamado núcleo financeiro da quadrilha. Stephanie de Freitas Santos e Emerson dos Santos de Jesus, foragidos após investigações sobre roubo milionário em prédio de Ribeirão Preto. Reprodução/EPTV Quem está foragido? Entre os investigados, são considerados foragidos Stephanie de Freitas Santos e Emerson dos Santos de Jesus, respectivamente irmã e amigo de Diego. Para a Polícia Civil, os dois ajudaram Diego na receptação e negociação das joias roubadas no condomínio em setembro. "Aqueles que adquiriram [as joias] tinham ciência que o roubo estava acontecendo, em questão de 20, 30 minutos após o roubo. Eles estiveram com os roubadores já para apesar e precificar tudo, inclusive deram algum apoio logístico a eles na prática do roubo. Nós identificamos que o funcionário do Diego estava presente, o irmão de consideração, e a própria irmã", afirmou o delegado André Baldocchi. Diego de Freitas, o Diego Ouro, preso suspeito de participar de esquema de receptação de joias roubadas. Reprodução/Fantástico O que a polícia conseguiu recuperar do roubo? A estimativa inicial é de os criminosos levaram em torno de R$ 4 milhões em pertences das vítimas do prédio. De acordo com o delegado André Baldocchi, dos valores roubados, sobretudo relacionado a joias, a Polícia Civil identificou que os criminosos conseguiram vender e acumular R$ 280 mil. "Apesar do montante das joias roubadas, eles não conseguiram vender tudo, alguma coisa nós recuperamos na hora, alguns relógios, algum dinheiro nós recuperamos na hora", diz. Desse montante, R$ 100 mil foram recuperados e ficarão bloqueados pela Justiça. "Nós depositamos em sede de inquérito, mas agora no processo judicial, fica à disposição do poder judiciário, para eventual ressarcimento das vítimas." Mesma quadrilha planejou arrastão em prédio e roubo de joias reconhecidas pela TV Quem está por trás desse roubo no condomínio? Segundo o delegado, por trás desse crime na Rua Campos Salles está a organização criminosa que atuou em três estados, em um esquema de roubo de joias que acabariam reconhecidas em um programa de TV. De acordo com Baldocchi, as investigações indicaram não só que os suspeitos tinham a mesma forma de agir, como também apontaram que se tratava dos mesmos receptadores das joias, entre eles Diego de Freitas, além de alguns executores diretos do roubo em comum. "Em que pese nem todos terem sido autores em ambos, foi praticado pela mesma organização criminosa, com o mesmo núcleo financeiro", disse. Deic prende em São Paulo suspeito de participação em 'arrastão' em prédio de Ribeirão Preto. Divulgação/ Polícia Civil É possível que mais pessoas estejam envolvidas? Baldocchi não descarta que mais pessoas possam estar envolvidas não só no assalto, mas em outras questões relacionadas, como uma possível lavagem de dinheiro. "Nada impede que a gente, paralelamente, instale o inquérito para identificação desses que não foram identificados, e também nós estamos analisando a viabilidade de instalação de um inquérito policial por lavagem de dinheiro, tendo em vista o poder aquisitivo dessa organização criminosa e a estrutura que ela apresentou", disse o delegado. Quadrilha rouba apartamentos em prédio de Ribeirão Preto, SP O que dizem os investigados? A defesa de Júlia Moretti afirma que a jovem foi convidada a fazer parte do esquema criminoso após conhecer um dos integrantes no litoral paulista, inicialmente para tirar fotos do prédio que iria ser roubado, e que apenas prosseguiu porque recebeu ameaças contra a filha. A defesa de Diego de Freitas foi contatada pela EPTV, afiliada da TV Globo, esta semana, mas preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Durante as investigações, os advogados de Pablo Rodrigues Cardoso e de Fabiana de Paula Fernandes Miranda também preferiram não se posicionar. Até a publicação desta notícia, a reportagem não tinha conseguido falar com os advogados de: Sidney Américo Vieira Felipe Moreira da Mata João Paulo César Freires de Oliveira Widman Henrique Américo Barbosa Carlos Alberto da Silva Henrique Eduardo André Luiz Pereira Nunes Stephanie de Freitas Santos Emerson dos Santos de Jesus Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região e