Operação prende ex-servidores suspeitos de fraudar licitação para compra de tintas de combate à dengue

Escrito em 11/03/2026


Ex-secretária e aliado são investigados por fraude em contratos contra a dengue Uma operação da Polícia Civil de Goiás (PC-GO) prendeu dois ex-servidores públicos de Goiânia suspeitos de fraudar licitação para compra de tinta inseticida usada no combate à dengue. Segundo a investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na capital e em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia (Semasdh) e o ex-prefeito Rogério Cruz se manifestaram através de nota. O g1 não conseguiu falar com as defesas dos investigados até a última atualização dessa matéria. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A prisão dos ex-servidores aconteceu nesta terça-feira (10) e de acordo com o delegado Ricardo Pina, os investigados de envolvimento no esquema eram servidores comissionados que faziam parte da gestão anterior nos municípios. Além deles, os proprietários da empresa que forneceu as tintas também são investigados. "O Poder Judiciário decretou 13 mandados judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão: seis no Distrito Federal, quatro em Goiânia e um em Valparaíso", disse o delegado. LEIA TAMBÉM: Entenda fraude em concurso e desvios da educação em caso que investiga delegado e presidente da Câmara de Rio Verde Operação investiga fraude milionária em contrato da Prefeitura de Goiânia com pagamento antecipado Fraude em manutenção de ambulâncias do Samu entre 2022 e 2024 incluiu abastecimento e lavagem a veículos sucateados, dizem PF e CGU Investigação Ricardo Pina disse que a investigação começou em 2024 e, em Goiânia, teve como alvo a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (Semasdh). Segundo ele, foi apurado que, em um dos contratos, a pasta adquiriu 2.500 latas de tinta inseticida, onde foi verificada existência de fraude no procedimento licitatório, na execução contratual e na fiscalização. "Verificou-se a existência de um núcleo paralelo de compras, denominado informalmente Departamento de Compras 2, formado por servidores públicos e ex-servidores públicos comissionados, os quais conferiam uma celeridade desproporcional ao procedimento licitatório, violando princípios administrativos como transparência e segregação de função", afirmou Ricardo. A investigação apontou ainda que produtos foram encaminhados próximo à data de vencimento e entregues de maneira diferente do que estava no contrato. Foi identificada ainda falha na fiscalização, explicou o delegado. Em nota, a Semasdh disse que está à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações. A pasta afirmou que tem compromisso com a transparência e com a correta aplicação das verbas públicas (veja a nota completa no final da matéria). Também por meio de nota, o ex-prefeito Rogério Cruz disse que não é parte no processo judicial relacionado à apuração conduzida pela Polícia Civil e, portanto, não tem conhecimento sobre o conteúdo dos autos. Disse ainda que não participou de qualquer ato relacionado à execução contratual ou à condução dos processos administrativos mencionados (veja a nota completa no final da matéria). Tinta inseticida Segundo a polícia, a tinta é usada para combater o mosquito vetor da dengue, Aedes aegypti, e seria usada em órgãos da Semasdh. Porém, a quantidade prevista na licitação não condizia com o rendimento previsto da tinta. "2.500 latas de tinta têm uma cobertura de 100 mil metros quadrados. A ordem de serviço previa algo em torno de cinco vezes a metragem adequada para aquela cobertura de tinta, demonstrando a inexatidão e a impossibilidade de utilização dessa tinta para pintar todos aqueles órgãos", afirma Ricardo Pina. Os órgãos onde as tintas deveriam ser aplicadas eram Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Capacitação de Profissionais da Educação (CAS) e até mesmo cemitérios. Mas a investigação descobriu que parte foi aplicada em imóveis desativados, transitórios e imóveis que não tinham nenhuma funcionalidade para o poder público municipal. Prejuízo O delegado disse ainda que foi representado junto ao Poder Judiciário o sequestro de R$ 2,7 milhões, que é o prejuízo ao erário público. O contrato está em torno de R$ 4.437.500,00. A polícia mostrou dados colhidos através de auditoria da Controladoria Geral do Município que mostra parte do pedido e, segundo os dados, 2.500 latas, onde cada uma contém quatro litros, totalizando 10.000 litros, custaram aos cofres públicos R$ 1.775 cada. O delegado reforçou que um dos problemas encontrados foi na data de validade das tintas entregues, já que ela perde a eficácia se usada após esse período. "Só que ela tem uma data de fabricação, ela tem um período de ação duradoura que o edital e o termo de referência preveem, e ela foi entregue, na sua grande maioria, próxima ao prazo de vencimento", disse o delegado. De acordo com a polícia, estão sendo apurados os crimes de associação criminosa, o crime de modificação irregular de contrato e fraude em contrato administrativo. Investigação descobriu fraude em contratos de licitação Reprodução/TV Anhanguera 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás