Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes no plenário do STF Gustavo Moreno/STF O Supremo Tribunal Federal (STF) teve nesta terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento, marcado por embates entre os ministros, terminou sem uma decisão. Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito sobre a abertura ou não de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Veja, em dez pontos, um resumo do que aconteceu na sessão: Nada resolvido Após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, o STF interrompeu a sessão sem definir como julgará os casos de Moraes e Mendonça. Até o momento, o placar é de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master. Veja abaixo como votaram os ministros: Casos separados: Edson Fachin André Mendonça Luiz Fux Cármen Lúcia Análise conjunta: Gilmar Mendes Cristiano Zanin Alexandre de Moraes Dino havia votado com a corrente que defende análise conjunta, mas fez um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento. O prazo do pedido de vista é de até 90 dias corridos. Se Dino não se posicionar dentro desse prazo, o caso é liberado automaticamente para voltar à pauta. Sem definição sobre a análise conjunta dos casos, prevalece por enquanto a decisão de Fachin de julgá-los separadamente. Cabe a ele decidir se mantém para o dia 23 o julgamento sobre Mendonça ou se adia a sessão. Ministros alinhados a Mendonça defendem o adiamento. Relatoria de Fachin em xeque A votação sobre a análise conjunta ou separada dos casos foi levada ao plenário após os ministros abrirem divergência sobre a relatoria do presidente Edson Fachin. Foi o decano Gilmar Mendes quem apresentou uma questão de ordem e propôs que os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados em conjunto. Fachin se posicionou contra a proposta e também rejeitou a redistribuição do relatório sobre Moraes, que havia levado para seu gabinete. Gilmar defendia que a relatoria fosse definida por sorteio, sob o argumento de que esse é o procedimento previsto no Regimento Interno da Corte. Fachin defende preservação do STF Ao abrir a sessão, o presidente do STF, Edson Fachin, fez um discurso marcado por referências históricas e defendeu a preservação da Corte e que os ministros evitassem ataques pessoais. Fachin ressaltou que divergências jurídicas não devem se transformar em conflitos pessoais. "Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. A divergência é legítima; o confronto pessoal não", declarou. "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos", afirmou. O ministro reforçou ainda que as decisões cabem ao plenário, e não a seus integrantes individualmente. Nunes Marques e Toffoli decidem não votar Após a fala inicial do presidente Edson Fachin, o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de votar, alegando que não se sentia confortável em participar do julgamento por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Tenho uma missão que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido", disse Nunes Marques. Os nomes de Nunes Marques e de seu filho, Kevin Marques, surgiram em diálogos no celular de Daniel Vorcaro, nos quais o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, cita dados de Kevin e menciona a quantia de R$ 500 mil mensais. Durante a sessão, Nunes Marques abordou as mensagens, negou qualquer irregularidade e deixou o plenário. O ministro Dias Toffoli declarou suspeição alegando foro íntimo, segundo ele, para a "preservação da Corte". Toffoli foi relator das apurações sobre o Banco Master no STF até fevereiro, quando deixou o caso após investigações da Polícia Federal apontarem sua ligação com a instituição financeira. O ministro afirmou que não participará da votação, mas decidiu permanecer no plenário durante o julgamento. "Declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei", disse. Toffoli acrescentou que poderá pedir a palavra durante os debates caso considere necessário. 'Quem tem medo da PF?' 'Quem tem medo da Polícia Federal?', questiona Moraes Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca durante o julgamento. O embate ocorreu durante a discussão sobre a atuação da Polícia Federal nas investigações e a suspeita da relação de Daniel Vorcaro com Moraes. O ministro defendeu que o julgamento sobre sua conduta e a análise da atuação de Mendonça no caso fossem feitos conjuntamente. Moraes acusa o colega de parcialidade. "Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou Moraes. "Não é questão de medo, não", respondeu Mendonça. "Eu não estou perguntando a vossa excelência", retrucou Moraes. "Mas eu estou lhe respondendo", disse Mendonça. Moraes então acusou Mendonça de ter pressionado a PF para incluí-lo em uma delação premiada e afirmou ter testemunhas sobre o episódio. "Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: 'Peçam isso'", declarou. "Isso é mentira", rebateu Mendonça. Diante da resposta, Moraes propôs que as testemunhas fossem chamadas. "Mentira, mentira. Podem chamar quem quiser, vão mentir", afirmou Mendonça. Moraes acusou Mendonça de agir "a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país" e classificou como "fraudulenta" a apuração usada pelo colega para pedir uma investigação contra ele. O ministro voltou a defender o julgamento conjunto dos dois casos. Gilmar x Mendonça O plenário do STF também foi palco de uma discussão acalorada entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Ao criticar a condução do caso, o decano da Corte afirmou que havia "inequívoco viés eleitoral" na forma como o processo foi conduzido por Mendonça. "Até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral", declarou. A declaração provocou reação imediata do relator do caso, ministro André Mendonça. "O senhor está sendo leviano", respondeu Mendonça. 'Pode chorar' Gilmar Mendes tem fala rebatida por André Mendonça: 'Não ponha palavras na minha boca' Em outro momento do julgamento, Gilmar Mendes voltou a bater boca com André Mendonça, desta vez ao defender o procurador-geral da República, Paulo Gonet. "É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito", esbravejou Gilmar. "A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!", gritou André Mendonça. "Pode chorar, pode chorar", disse Gilmar Mendes. "Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!", declarou Mendonça. 'PF paralela' Ao comentar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça, o ministro Luiz Fux declarou que o órgão não pode agir peitando integrantes da Corte. "Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF", disse Fux. Em concordância com o colega, o ministro André Mendonça, que falava fora do microfone, afirmou: "Temos hoje uma PF paralela". O julgamento virtual da Segunda Turma já conta com maioria de votos para referendar o afastamento. No entanto, a conclusão da sessão foi interrompida após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Bilhete de Mendonça a Toffoli e abraço de Dino e Fachin Nos bastidores da sessão, logo após Dias Toffoli expor as razões de sua suspeição, André Mendonça enviou-lhe um bilhete por intermédio de um assistente pessoal. O ministro Toffoli recebeu o papel, leu o conteúdo e o guardou. Nos momentos de maior tensão, como nos bate-bocas entre Moraes e Mendonça, houve troca de olhares entre os ministros. Quando Mendonça falou sobre a existência de uma “PF paralela”, Moraes olhou para ele. Já durante as críticas de Gilmar Mendes a Mendonça, o ministro balançou repetidamente a cabeça em sinal de discordância. Quando Fachin suspendeu temporariamente o julgamento, porém, as conversas assumiram um tom mais amistoso. Gilmar e Moraes deixaram juntos o plenário, conversando, enquanto Dino permaneceu conversando com Mendonça. Antes de deixar o plenário, Dino se levantou, foi até Fachin e o abraçou. Os dois saíram juntos e conversando, seguidos por Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. Cármen Lúcia pede desculpas pela crise A ministra Cármen Lúcia afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” durante a sessão do STF convocada para discutir os relatórios da Polícia Federal sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ao se manifestar, Cármen Lúcia disse que a crise no Supremo provocou um “mal-estar cívico” no país e pediu desculpas aos brasileiros. “Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, afirmou. A ministra disse que gostaria de ter contribuído para conter a crise, mas reconheceu que as questões não foram resolvidas e se agravaram. “Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”, declarou. A crise na Corte começou no início de setembro, após a retirada do sigilo de relatórios da PF produzidos nas investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master. Um dos documentos identificou 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025.
Bate-bocas, pedido de vista e indefinição: veja em 10 pontos como foi a sessão do STF sobre o caso Moraes
Escrito em 16/09/2026
Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes no plenário do STF Gustavo Moreno/STF O Supremo Tribunal Federal (STF) teve nesta terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento, marcado por embates entre os ministros, terminou sem uma decisão. Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito sobre a abertura ou não de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Veja, em dez pontos, um resumo do que aconteceu na sessão: Nada resolvido Após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, o STF interrompeu a sessão sem definir como julgará os casos de Moraes e Mendonça. Até o momento, o placar é de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master. Veja abaixo como votaram os ministros: Casos separados: Edson Fachin André Mendonça Luiz Fux Cármen Lúcia Análise conjunta: Gilmar Mendes Cristiano Zanin Alexandre de Moraes Dino havia votado com a corrente que defende análise conjunta, mas fez um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento. O prazo do pedido de vista é de até 90 dias corridos. Se Dino não se posicionar dentro desse prazo, o caso é liberado automaticamente para voltar à pauta. Sem definição sobre a análise conjunta dos casos, prevalece por enquanto a decisão de Fachin de julgá-los separadamente. Cabe a ele decidir se mantém para o dia 23 o julgamento sobre Mendonça ou se adia a sessão. Ministros alinhados a Mendonça defendem o adiamento. Relatoria de Fachin em xeque A votação sobre a análise conjunta ou separada dos casos foi levada ao plenário após os ministros abrirem divergência sobre a relatoria do presidente Edson Fachin. Foi o decano Gilmar Mendes quem apresentou uma questão de ordem e propôs que os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem analisados em conjunto. Fachin se posicionou contra a proposta e também rejeitou a redistribuição do relatório sobre Moraes, que havia levado para seu gabinete. Gilmar defendia que a relatoria fosse definida por sorteio, sob o argumento de que esse é o procedimento previsto no Regimento Interno da Corte. Fachin defende preservação do STF Ao abrir a sessão, o presidente do STF, Edson Fachin, fez um discurso marcado por referências históricas e defendeu a preservação da Corte e que os ministros evitassem ataques pessoais. Fachin ressaltou que divergências jurídicas não devem se transformar em conflitos pessoais. "Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. A divergência é legítima; o confronto pessoal não", declarou. "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos", afirmou. O ministro reforçou ainda que as decisões cabem ao plenário, e não a seus integrantes individualmente. Nunes Marques e Toffoli decidem não votar Após a fala inicial do presidente Edson Fachin, o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de votar, alegando que não se sentia confortável em participar do julgamento por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Tenho uma missão que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido", disse Nunes Marques. Os nomes de Nunes Marques e de seu filho, Kevin Marques, surgiram em diálogos no celular de Daniel Vorcaro, nos quais o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, cita dados de Kevin e menciona a quantia de R$ 500 mil mensais. Durante a sessão, Nunes Marques abordou as mensagens, negou qualquer irregularidade e deixou o plenário. O ministro Dias Toffoli declarou suspeição alegando foro íntimo, segundo ele, para a "preservação da Corte". Toffoli foi relator das apurações sobre o Banco Master no STF até fevereiro, quando deixou o caso após investigações da Polícia Federal apontarem sua ligação com a instituição financeira. O ministro afirmou que não participará da votação, mas decidiu permanecer no plenário durante o julgamento. "Declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei", disse. Toffoli acrescentou que poderá pedir a palavra durante os debates caso considere necessário. 'Quem tem medo da PF?' 'Quem tem medo da Polícia Federal?', questiona Moraes Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca durante o julgamento. O embate ocorreu durante a discussão sobre a atuação da Polícia Federal nas investigações e a suspeita da relação de Daniel Vorcaro com Moraes. O ministro defendeu que o julgamento sobre sua conduta e a análise da atuação de Mendonça no caso fossem feitos conjuntamente. Moraes acusa o colega de parcialidade. "Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou Moraes. "Não é questão de medo, não", respondeu Mendonça. "Eu não estou perguntando a vossa excelência", retrucou Moraes. "Mas eu estou lhe respondendo", disse Mendonça. Moraes então acusou Mendonça de ter pressionado a PF para incluí-lo em uma delação premiada e afirmou ter testemunhas sobre o episódio. "Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: 'Peçam isso'", declarou. "Isso é mentira", rebateu Mendonça. Diante da resposta, Moraes propôs que as testemunhas fossem chamadas. "Mentira, mentira. Podem chamar quem quiser, vão mentir", afirmou Mendonça. Moraes acusou Mendonça de agir "a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país" e classificou como "fraudulenta" a apuração usada pelo colega para pedir uma investigação contra ele. O ministro voltou a defender o julgamento conjunto dos dois casos. Gilmar x Mendonça O plenário do STF também foi palco de uma discussão acalorada entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Ao criticar a condução do caso, o decano da Corte afirmou que havia "inequívoco viés eleitoral" na forma como o processo foi conduzido por Mendonça. "Até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral", declarou. A declaração provocou reação imediata do relator do caso, ministro André Mendonça. "O senhor está sendo leviano", respondeu Mendonça. 'Pode chorar' Gilmar Mendes tem fala rebatida por André Mendonça: 'Não ponha palavras na minha boca' Em outro momento do julgamento, Gilmar Mendes voltou a bater boca com André Mendonça, desta vez ao defender o procurador-geral da República, Paulo Gonet. "É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito", esbravejou Gilmar. "A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!", gritou André Mendonça. "Pode chorar, pode chorar", disse Gilmar Mendes. "Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!", declarou Mendonça. 'PF paralela' Ao comentar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça, o ministro Luiz Fux declarou que o órgão não pode agir peitando integrantes da Corte. "Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF", disse Fux. Em concordância com o colega, o ministro André Mendonça, que falava fora do microfone, afirmou: "Temos hoje uma PF paralela". O julgamento virtual da Segunda Turma já conta com maioria de votos para referendar o afastamento. No entanto, a conclusão da sessão foi interrompida após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Bilhete de Mendonça a Toffoli e abraço de Dino e Fachin Nos bastidores da sessão, logo após Dias Toffoli expor as razões de sua suspeição, André Mendonça enviou-lhe um bilhete por intermédio de um assistente pessoal. O ministro Toffoli recebeu o papel, leu o conteúdo e o guardou. Nos momentos de maior tensão, como nos bate-bocas entre Moraes e Mendonça, houve troca de olhares entre os ministros. Quando Mendonça falou sobre a existência de uma “PF paralela”, Moraes olhou para ele. Já durante as críticas de Gilmar Mendes a Mendonça, o ministro balançou repetidamente a cabeça em sinal de discordância. Quando Fachin suspendeu temporariamente o julgamento, porém, as conversas assumiram um tom mais amistoso. Gilmar e Moraes deixaram juntos o plenário, conversando, enquanto Dino permaneceu conversando com Mendonça. Antes de deixar o plenário, Dino se levantou, foi até Fachin e o abraçou. Os dois saíram juntos e conversando, seguidos por Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. Cármen Lúcia pede desculpas pela crise A ministra Cármen Lúcia afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” durante a sessão do STF convocada para discutir os relatórios da Polícia Federal sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ao se manifestar, Cármen Lúcia disse que a crise no Supremo provocou um “mal-estar cívico” no país e pediu desculpas aos brasileiros. “Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, afirmou. A ministra disse que gostaria de ter contribuído para conter a crise, mas reconheceu que as questões não foram resolvidas e se agravaram. “Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais”, declarou. A crise na Corte começou no início de setembro, após a retirada do sigilo de relatórios da PF produzidos nas investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master. Um dos documentos identificou 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025.

