Exclusivo: imagens das câmeras corporais de PM mostram ação que acabou com morte de mulher A ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, baleada durante uma abordagem da Polícia Militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, morreu por hemorragia interna aguda, segundo o atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira (10). De acordo com a médica responsável pelo exame necroscópico, a causa da morte foi a perda intensa de sangue provocada pelo disparo. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. Thawanna Salmázio esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo feito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira. PM Yasmin atirou no peito de Thawanna após discussão Reprodução O Corpo de Bombeiros instaurou uma sindicância para apurar a demora no atendimento. A Polícia Civil também investiga as circunstâncias da morte. O caso é tratado como morte decorrente de intervenção policial. A morte da mulher de 31 anos foi registrada pela câmera corporal usada por outro agente na madrugada de 3 de abril (vídeo acima). De acordo com a gravação, o disparo de Yasmin ocorreu às 2h59 na Rua Edimundo Audran; Cerca de 40 segundos depois, ainda durante a ocorrência, o PM Weden Silva, que dirigia a viatura, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e pediu resgate; A ambulância dos Bombeiros chegou apenas às 3h29, a poucos segundos das 3h30. O tempo de resposta foi superior a meia hora — ao menos 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação (leia mais abaixo). A ocorrência aconteceu por volta das 3h, horário de baixo fluxo de veículos. Thawanna foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Bases próximas da ocorrência O g1 apurou que havia unidades do Corpo de Bombeiros perto do local da ocorrência (veja mapa abaixo). A base mais próxima fica na Avenida dos Metalúrgicos, nº 678, em Cidade Tiradentes, a cerca de 6 minutos de distância. A segunda mais próxima está na Rua Luís Mateus, nº 1.000, em Guaianases, a aproximadamente 13 minutos do endereço. As estimativas de tempo foram feitas com base no aplicativo Waze, considerando a mesma faixa de horário da ocorrência, por volta das 3h. LEIA TAMBÉM: Morte na Zona Leste expõe abusos e excessos na conduta da PM, dizem especialistas; caso foi uma 'briga', não abordagem Início de 2026 registrou o maior nº de mortes de mulheres cometidas pela polícia de SP desde o início da série histórica Veja distância entre bases dos Bombeiros e local do disparo Arte/g1 Meta da PM é atendimento em até 20 minutos Dados da própria Polícia Militar indicam que o tempo de resposta esperado para ocorrências desse tipo é menor do que o registrado no caso. O Guia de Indicadores 2020-2023 da corporação estabelece como meta que atendimentos de emergência sejam realizados em até 20 minutos, tanto da PM quanto do Corpo de Bombeiros. O mesmo documento, assinado pelo então chefe do Estado-Maior da PM, coronel Fernando Alencar Medeiros, aponta que, em 2019, apenas 58% das ocorrências atendidas pelos Bombeiros ficaram dentro desse intervalo. A meta estipulada era atingir 60%. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a demora no atendimento e a dinâmica do resgate. Entre os pontos abordados, estão o local de onde saiu a ambulância que atendeu a vítima e o tempo oficial entre acionamento e chegada do resgate. A pasta, no entanto, não detalhou os pontos e afirmou apenas que o caso é investigado. "Todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. As imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos e estão sob análise da autoridade policial, integrando o conjunto probatório do caso. Todas as provas, incluindo, além das imagens, os laudos periciais e depoimentos, estão sendo analisadas com rigor. O Corpo de Bombeiros também apura o tempo de resposta no socorro da vítima", disse a secretaria. Guia de Indicadores da PM Reprodução Câmera mostra minuto a minuto da abordagem A TV Globo teve acesso às imagens que mostram o início da ocorrência, às 2h58, e o fim dela, às 3h43 (veja abaixo). A gravação mostra o momento em que o retrovisor da viatura da PM bate em Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna, que caminhava ao lado dela pela Rua Edimundo Audran. Como a calçada é estreita, com menos de um metro de largura, é comum os moradores usarem a via para se deslocar. Os agentes tinham ido ao local porque acompanhavam uma moto com suspeitos, que acabaram perdendo de vista. Vídeo de câmera corporal mostra que mulher morta por PM na Zona Leste de SP não encostou em retrovisor e nem iniciou briga Reprodução O soldado Weden Silva, que dirigia o carro da PM e filmou toda a ação com a bodycam, freia e dá marcha a ré. Depois, ele grita e ofende o casal: "A rua é lugar para você tá andando, c*?”. Thawanna rebate: “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”. A soldado Yasmin, que estava no banco do carona da viatura, sai do veículo e parte na direção de Thawanna, que diz: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Em seguida, é possível ouvir o barulho de um tiro nas imagens da câmera corporal. A bodycam de Weden não mostra Thawanna nem Yasmin quando ocorre o disparo na frente da viatura. Nesse momento, o soldado estava atrás do carro da PM discutindo com Luciano. Quando corre até Yasmin, Weden pergunta: "Você atirou nela?”. Yasmin responde, querendo justificar o disparo que fez na pedestre: “Ela deu um tapa na minha cara”. As imagens da câmera corporal do soldado ainda mostram a demora na chegada do socorro a Thawanna. Yasmin não estava com a câmera corporal porque era novata e ainda não teria recebido senha para operar o equipamento. A equipe de reportagem não conseguiu localizar as defesas dos dois PMs, que foram afastados, para comentar o assunto. Cronologia Veja abaixo os principais pontos da sequência a partir do ponto de vista da câmera corporal do soldado: 2h58 – Viatura da PM com o soldado Weden Silva Soares, que dirige o veículo e usa câmera corporal, e Yasmin Cursino Ferreira, no banco do passageiro, entra na Rua Edmundo Aldran, na Cidade Tiradentes. O retrovisor do carro atinge o braço de Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava ao lado de Thawanna. Weden para, dá ré e xinga: “A rua é lugar pra você tá andando, c*?”. Em seguida, há uma discussão. “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”, diz a mulher. Yasmin desce da viatura. Durante a discussão, Thawanna afirma: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Luciano discute com soldado Weden atrás da viatura da PM Reprodução 2h59 – Weden também desce e vai para a parte de trás da viatura discutir com Luciano. Seis segundos depois, é possível ouvir o disparo na parte da frente do veículo. Ao se aproximar, o policial pergunta: “Atirou? Cê atirou nela?”. Yasmin responde: “Ela deu um tapa na minha cara”. Luciano retruca: “Bateu, não!”. Weden manda o homem se afastar e pega o celular para pedir uma ambulância. PM Yasmin alega ter atirado em mulher porque ela bateu na sua cara Reprodução 3h – Outra viatura da PM chega. Weden informa: “A menina tá baleada. Fox atirou”. Fox é uma gíria usada por policiais para se referir a uma agente feminina. 3h03 – Sem a chegada do resgate, Weden inicia os primeiros socorros: “Peraí, já tá vindo o resgate, tá?”. 3h05 – Thawanna reclama: “Ai, tá doendo”. Weden responde: “Não faz força. Fica de boa. Já vai, já vai chegar o resgate”. Em seguida, ao ser questionado por Yasmin sobre o atendimento, ele diz: “Tá vindo já”. PMs chegam para dar apoio e entender o que soldados fizeram Reprodução 3h07 – Outros policiais chegam e perguntam o que aconteceu. Weden relata: “A gente tava passando aqui e o retrovisor acabou pegando no cara lá, e eles vieram pra cima da viatura. Aí a Fox desembarcou. Quando desembarcou foi pra cima dela, deu um tapa na cara dela, e tava continuando indo pra cima dela, e ela atirou nela.” 3h11 – Yasmin fala algo inaudível, e o colega responde: “Relaxa, agora já foi já”. 3h16 – Weden cobra a chegada do resgate ao perceber piora no estado da vítima: “Tá ficando branco já... cadê o resgate? Copom, reitera o resgate para (Rua) Edimundo Audran”. 3h24 – Weden volta a explicar pela sexta vez a ocorrência para outros policiais: “Eu tava tentando afastar o cara, ela desceu, a mulher já foi pra o lado dela, começou o embate lá, ela deu o tapa nela... Aí quando eu vi, eu ouvi o disparo... achei até que tinha atirado no chão, mas se ela tava indo pra cima dela... tá certa.” 3h26 – “Seria interessante achar uma câmera que mostra ela te dando tapa na cara”, diz Weden a Yasmin. 3h27 – Em nova fala, o soldado diz à colega: “Não era pra ter atirado não, mas... ter atirado porque ela vim pra cima de você, te bater, pegar sua arma. Porque se ela vai pra cima de você, começa a te bater, o cara ia me segurar.” Ambulância chega para socorrer Thawanna mais de 30 minutos após ela ser baleada pela PM Reprodução 3h30 – A ambulância do Corpo de Bombeiros chega ao local. Thawanna estava mais de 30 minutos aguardando socorro. 3h35 – A vítima é colocada na maca dentro da ambulância. As imagens não mostram, mas depois ela foi levada a um hospital, onde não resistiu e morreu. 3h37 – Um policial que se apresenta como PPJ chega e recolhe a arma de Yasmin. PPJ é a sigla que a PM usa para se referir a um policial militar de plantão que atua para a Justiça Militar. “A sua arma, pode deixar na minha viatura”, diz o agente. “Porque quando o delegado perguntar, o PPJ, o oficial PPJ já recolheu... já apreendeu, tá?” 3h43 – Os dois policiais envolvidos na ocorrência que terminou na morte da mulher deixam o local em outra viatura da PM. LEIA MAIS: MP-SP vai investigar morte de mulher baleada em ação policial na Zona Leste de SP Moradores fazem novo protesto na Zona Leste de SP após morte de mulher baleada em ação da PM
Mulher baleada por PM morreu por hemorragia interna, aponta IML; demora no resgate é investigada
Escrito em 10/04/2026
Exclusivo: imagens das câmeras corporais de PM mostram ação que acabou com morte de mulher A ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, baleada durante uma abordagem da Polícia Militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, morreu por hemorragia interna aguda, segundo o atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira (10). De acordo com a médica responsável pelo exame necroscópico, a causa da morte foi a perda intensa de sangue provocada pelo disparo. Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro. Thawanna Salmázio esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo feito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira. PM Yasmin atirou no peito de Thawanna após discussão Reprodução O Corpo de Bombeiros instaurou uma sindicância para apurar a demora no atendimento. A Polícia Civil também investiga as circunstâncias da morte. O caso é tratado como morte decorrente de intervenção policial. A morte da mulher de 31 anos foi registrada pela câmera corporal usada por outro agente na madrugada de 3 de abril (vídeo acima). De acordo com a gravação, o disparo de Yasmin ocorreu às 2h59 na Rua Edimundo Audran; Cerca de 40 segundos depois, ainda durante a ocorrência, o PM Weden Silva, que dirigia a viatura, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e pediu resgate; A ambulância dos Bombeiros chegou apenas às 3h29, a poucos segundos das 3h30. O tempo de resposta foi superior a meia hora — ao menos 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação (leia mais abaixo). A ocorrência aconteceu por volta das 3h, horário de baixo fluxo de veículos. Thawanna foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Bases próximas da ocorrência O g1 apurou que havia unidades do Corpo de Bombeiros perto do local da ocorrência (veja mapa abaixo). A base mais próxima fica na Avenida dos Metalúrgicos, nº 678, em Cidade Tiradentes, a cerca de 6 minutos de distância. A segunda mais próxima está na Rua Luís Mateus, nº 1.000, em Guaianases, a aproximadamente 13 minutos do endereço. As estimativas de tempo foram feitas com base no aplicativo Waze, considerando a mesma faixa de horário da ocorrência, por volta das 3h. LEIA TAMBÉM: Morte na Zona Leste expõe abusos e excessos na conduta da PM, dizem especialistas; caso foi uma 'briga', não abordagem Início de 2026 registrou o maior nº de mortes de mulheres cometidas pela polícia de SP desde o início da série histórica Veja distância entre bases dos Bombeiros e local do disparo Arte/g1 Meta da PM é atendimento em até 20 minutos Dados da própria Polícia Militar indicam que o tempo de resposta esperado para ocorrências desse tipo é menor do que o registrado no caso. O Guia de Indicadores 2020-2023 da corporação estabelece como meta que atendimentos de emergência sejam realizados em até 20 minutos, tanto da PM quanto do Corpo de Bombeiros. O mesmo documento, assinado pelo então chefe do Estado-Maior da PM, coronel Fernando Alencar Medeiros, aponta que, em 2019, apenas 58% das ocorrências atendidas pelos Bombeiros ficaram dentro desse intervalo. A meta estipulada era atingir 60%. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a demora no atendimento e a dinâmica do resgate. Entre os pontos abordados, estão o local de onde saiu a ambulância que atendeu a vítima e o tempo oficial entre acionamento e chegada do resgate. A pasta, no entanto, não detalhou os pontos e afirmou apenas que o caso é investigado. "Todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. As imagens das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos e estão sob análise da autoridade policial, integrando o conjunto probatório do caso. Todas as provas, incluindo, além das imagens, os laudos periciais e depoimentos, estão sendo analisadas com rigor. O Corpo de Bombeiros também apura o tempo de resposta no socorro da vítima", disse a secretaria. Guia de Indicadores da PM Reprodução Câmera mostra minuto a minuto da abordagem A TV Globo teve acesso às imagens que mostram o início da ocorrência, às 2h58, e o fim dela, às 3h43 (veja abaixo). A gravação mostra o momento em que o retrovisor da viatura da PM bate em Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna, que caminhava ao lado dela pela Rua Edimundo Audran. Como a calçada é estreita, com menos de um metro de largura, é comum os moradores usarem a via para se deslocar. Os agentes tinham ido ao local porque acompanhavam uma moto com suspeitos, que acabaram perdendo de vista. Vídeo de câmera corporal mostra que mulher morta por PM na Zona Leste de SP não encostou em retrovisor e nem iniciou briga Reprodução O soldado Weden Silva, que dirigia o carro da PM e filmou toda a ação com a bodycam, freia e dá marcha a ré. Depois, ele grita e ofende o casal: "A rua é lugar para você tá andando, c*?”. Thawanna rebate: “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”. A soldado Yasmin, que estava no banco do carona da viatura, sai do veículo e parte na direção de Thawanna, que diz: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Em seguida, é possível ouvir o barulho de um tiro nas imagens da câmera corporal. A bodycam de Weden não mostra Thawanna nem Yasmin quando ocorre o disparo na frente da viatura. Nesse momento, o soldado estava atrás do carro da PM discutindo com Luciano. Quando corre até Yasmin, Weden pergunta: "Você atirou nela?”. Yasmin responde, querendo justificar o disparo que fez na pedestre: “Ela deu um tapa na minha cara”. As imagens da câmera corporal do soldado ainda mostram a demora na chegada do socorro a Thawanna. Yasmin não estava com a câmera corporal porque era novata e ainda não teria recebido senha para operar o equipamento. A equipe de reportagem não conseguiu localizar as defesas dos dois PMs, que foram afastados, para comentar o assunto. Cronologia Veja abaixo os principais pontos da sequência a partir do ponto de vista da câmera corporal do soldado: 2h58 – Viatura da PM com o soldado Weden Silva Soares, que dirige o veículo e usa câmera corporal, e Yasmin Cursino Ferreira, no banco do passageiro, entra na Rua Edmundo Aldran, na Cidade Tiradentes. O retrovisor do carro atinge o braço de Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava ao lado de Thawanna. Weden para, dá ré e xinga: “A rua é lugar pra você tá andando, c*?”. Em seguida, há uma discussão. “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”, diz a mulher. Yasmin desce da viatura. Durante a discussão, Thawanna afirma: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Luciano discute com soldado Weden atrás da viatura da PM Reprodução 2h59 – Weden também desce e vai para a parte de trás da viatura discutir com Luciano. Seis segundos depois, é possível ouvir o disparo na parte da frente do veículo. Ao se aproximar, o policial pergunta: “Atirou? Cê atirou nela?”. Yasmin responde: “Ela deu um tapa na minha cara”. Luciano retruca: “Bateu, não!”. Weden manda o homem se afastar e pega o celular para pedir uma ambulância. PM Yasmin alega ter atirado em mulher porque ela bateu na sua cara Reprodução 3h – Outra viatura da PM chega. Weden informa: “A menina tá baleada. Fox atirou”. Fox é uma gíria usada por policiais para se referir a uma agente feminina. 3h03 – Sem a chegada do resgate, Weden inicia os primeiros socorros: “Peraí, já tá vindo o resgate, tá?”. 3h05 – Thawanna reclama: “Ai, tá doendo”. Weden responde: “Não faz força. Fica de boa. Já vai, já vai chegar o resgate”. Em seguida, ao ser questionado por Yasmin sobre o atendimento, ele diz: “Tá vindo já”. PMs chegam para dar apoio e entender o que soldados fizeram Reprodução 3h07 – Outros policiais chegam e perguntam o que aconteceu. Weden relata: “A gente tava passando aqui e o retrovisor acabou pegando no cara lá, e eles vieram pra cima da viatura. Aí a Fox desembarcou. Quando desembarcou foi pra cima dela, deu um tapa na cara dela, e tava continuando indo pra cima dela, e ela atirou nela.” 3h11 – Yasmin fala algo inaudível, e o colega responde: “Relaxa, agora já foi já”. 3h16 – Weden cobra a chegada do resgate ao perceber piora no estado da vítima: “Tá ficando branco já... cadê o resgate? Copom, reitera o resgate para (Rua) Edimundo Audran”. 3h24 – Weden volta a explicar pela sexta vez a ocorrência para outros policiais: “Eu tava tentando afastar o cara, ela desceu, a mulher já foi pra o lado dela, começou o embate lá, ela deu o tapa nela... Aí quando eu vi, eu ouvi o disparo... achei até que tinha atirado no chão, mas se ela tava indo pra cima dela... tá certa.” 3h26 – “Seria interessante achar uma câmera que mostra ela te dando tapa na cara”, diz Weden a Yasmin. 3h27 – Em nova fala, o soldado diz à colega: “Não era pra ter atirado não, mas... ter atirado porque ela vim pra cima de você, te bater, pegar sua arma. Porque se ela vai pra cima de você, começa a te bater, o cara ia me segurar.” Ambulância chega para socorrer Thawanna mais de 30 minutos após ela ser baleada pela PM Reprodução 3h30 – A ambulância do Corpo de Bombeiros chega ao local. Thawanna estava mais de 30 minutos aguardando socorro. 3h35 – A vítima é colocada na maca dentro da ambulância. As imagens não mostram, mas depois ela foi levada a um hospital, onde não resistiu e morreu. 3h37 – Um policial que se apresenta como PPJ chega e recolhe a arma de Yasmin. PPJ é a sigla que a PM usa para se referir a um policial militar de plantão que atua para a Justiça Militar. “A sua arma, pode deixar na minha viatura”, diz o agente. “Porque quando o delegado perguntar, o PPJ, o oficial PPJ já recolheu... já apreendeu, tá?” 3h43 – Os dois policiais envolvidos na ocorrência que terminou na morte da mulher deixam o local em outra viatura da PM. LEIA MAIS: MP-SP vai investigar morte de mulher baleada em ação policial na Zona Leste de SP Moradores fazem novo protesto na Zona Leste de SP após morte de mulher baleada em ação da PM

