Comandante relembra os mais de 200 voos no avião Bandeirante no AP: ‘missões para salvar vidas’

Escrito em 22/05/2026


Avião Bandeirante do ex-território foi transportado para o Parque Residência Aos 72 anos, Carlos Lima, conhecido como “Comandante Carlão”, é um nome marcante da história do Amapá. À frente de mais de 200 voos com o avião Bandeirante do Governo do Estado, ele guarda memórias emocionantes. Para o piloto, a maior missão sempre foi salvar vidas. O Bandeirante, fabricado em 1975 e incorporado ao Amapá em 1979, marcou a aviação regional. Além de agendas oficiais, serviu como apoio em emergências médicas no interior do Estado. Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça Nesta quinta-feira (21), o avião foi levado pelas ruas de Macapá e passou a integrar o acervo cultural do Parque Residência. O espaço reforça a preservação da memória e amplia os atrativos turísticos da capital. LEIA MAIS: Inscrições da Expo Favela Innovation Amapá são prorrogadas até segunda-feira (25) Festival AfroEstima, concurso de cosplay e mais: veja o que fazer neste fim de semana em Macapá Carlão iniciou o curso de aviação em Belém, mas precisou ir ao Rio de Janeiro para obter a carteira de piloto comercial. Morou alguns anos na cidade e voltou ao Amapá após a morte da mãe. O retorno marcou um novo capítulo em sua vida. Na gestão do governador Anibal Barcellos, o Amapá recebeu o Bandeirante por meio de doação articulada com o Ministério do Interior, então comandado por Mário Andreazza. Na época, o Amapá ainda era território federal, com poucos recursos e tecnologia. A chegada da aeronave representou um novo momento para a região. “Esse avião nos trouxe outra visão da aviação. Tivemos que estudar e nos aprimorar. Ele é veloz e, embora fosse para 14 passageiros, veio na versão executiva, com apenas sete lugares”, contou Carlão. Avião Bandeirante está estacionado no Parque Residência Mariana Ferreira/g1 Ao relembrar as histórias, Carlão se emociona. Para ele, a trajetória é símbolo de honra, por ter ajudado no tratamento de tantas pessoas que precisavam ser levadas do interior para a capital. Sem celular na época, Carlão vivia de plantão, pronto para atender qualquer emergência. "As missões aconteciam nas pistas de Oiapoque, Calçoene, Amapá, Porto Grande e Monte Dourado. Além dos voos diários, haviam missões para salvar vidas. Muitas pessoas foram atendidas em emergências, e são inúmeros os depoimentos de familiares que tiveram vidas salvas”, relembrou. Entre as memórias, Carlão lembra o resgate de um bebê prematuro no município de Amapá. A criança precisou ser transferida com urgência para a capital. De carro, seriam três horas de viagem; de avião, apenas 30 minutos. Para Carlão, a integração da aeronave ao acervo do Parque Residência garante que a história continue viva. Localizado no Centro de Macapá, o espaço permitirá que a população tenha acesso a uma relíquia do ex-território. “Fico feliz. Essa máquina vai atravessar o tempo e perpetuar a história da aviação no Amapá”, disse Carlão emocionado. Carlos Lima, conhecido como “Comandante Carlão” Albenir Souza/Rede Amazônica Para o piloto, a aviação é um dos maiores orgulhos. Ele descreve a relação como uma troca de energia que vai além da condução. O amor é tão grande que seus dois filhos também seguiram a carreira de piloto O Parque Residência será inaugurado nesta sexta-feira (29) e estará aberto para visitação dos amapaenses. Parque Residência, em Macapá Mariana Ferreira/g1 Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá: