Dinamarca e OTAN discutem presença americana na Groenlândia
Dinamarca e Otan negociam com os Estados Unidos um acordo sobre a presença militar americana na Groenlândia. Mas uma declaração de Donald Trump voltou a criar atritos com os aliados europeus.
Um corre-corre na política dinamarquesa - que tenta arrefecer as tensões com os Estados Unidos. A primeira-ministra, Mette Friederiksen, desembarcou nesta sexta-feira (23) na Groenlândia. E não escondeu a gravidade do momento:
"Estamos numa situação séria, como todos podem ver. Existe agora um caminho político, diplomático, e é para isso que temos que nos preparar".
A Groenlândia é um território autônomo, e faz parte do Reino da Dinamarca. Nos bastidores, dinamarqueses e americanos já iniciaram as negociações. O ministro do Exterior da Dinamarca evitou dar detalhes - mas pediu calma.
"O lado positivo é que o presidente americano em vez das ideias violentas de possuir a Groenlândia. Agora quer negociar conosco e incluir a Otan".
Um dos objetivos de Donald Trump - segundo analistas europeus - é atualizar o Tratado de 1951 - que criou a base legal da presença militar dos americanos na Groenlândia. Na época, quando foi assinado, o foco era conter o avanço da União Soviética. Mas o contexto agora é bem mais complexo: além da Rússia, tem a ascensão da China - sem falar em toda a riqueza mineral da Groenlândia, que é estratégica na economia moderna.
Donald Trump recuou das ameaças, mas não parou com as críticas. Na quinta-feira (22), declarou que os Estados Unidos "nunca precisaram" da Otan. E afirmou que os aliados não lutaram na linha de frente durante a guerra no Afeganistão.
A Europa reagiu. Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, chamou o comentário de "revoltante", um "insulto". O Reino Unido perdeu no conflito mais de 450 soldados. Canadá, França, Dinamarca e vários outros membros da Otan também tiveram baixas. Foram mais de mil mortes entre os aliados.
No monumento aos dinamarqueses mortos em guerras, o veterano Niels Jespersen mostra as medalhas que ganhou no Afeganistão. Ele diz que os dinamarqueses sentiram o dever de ajudar os amigos americanos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.
"Leva muito tempo para construir amizade e confiança, mas parece que destruir isso tudo é muito rápido", ele lamentou.
Dinamarca e Otan discutem presença americana na Groenlândia
Escrito em 24/01/2026

