Disco de bossa nova de Luísa Sonza é correto e bonito, mas falta… bossa; leia crítica

Escrito em 15/01/2026


Título: "Bossa Sempre Nova" Artista: Luísa Sonza, Roberto Menescal e Toquinho Nota: 6,5/10 A bossa nova é um gênero elegante, refinado. E ao que parece, Luísa Sonza quer um pouco disso. Depois de “Chico”, a bossinha autoral que fez sucesso em parte pela fofoca, em parte pela música, a cantora quis apostar no estilo de vez. Nesta terça (13), a cantora lançou o disco "Bossa Sempre Nova", uma homenagem ao gênero, em parceria com Roberto Menescal e Toquinho. É um nítido movimento de reposicionamento de imagem e, claro, Luísa tem os recursos pra isso. Então, segue a cartilha do "disco de bossa nova": a foto à beira do mar, a estética intimista, os arranjos de Menescal. Está tudo aí. E claro, os standards. São 14 faixas, entre músicas já regravadas à exaustão ("O Barquinho", "Onde Anda Você"), algumas menos populares ("Nós e o mar") e só uma inédita: “Um pouco de mim”, composição dela. Luísa Sonza conta com a produção musical, os arranjos e o violão de Roberto Menescal no álbum 'Bossa sempre nova' Pam Martins / Divulgação O conjunto do disco soa bem: são belas canções, com arranjos parecidos aos que já conhecemos. Não dá pra dizer que “Tarde em Itapoã” e “Diz que fui por aí” são ruins ou que o violão de Toquinho perdeu o brilho. No meio disso, a inédita é bonita, mas acaba sumindo perto das outras. A voz de Luísa está bela, muito mais em casa que naquele canto americanizado dos seus álbuns anteriores. Ela canta no detalhe e o resultado é inegavelmente bonito. Um destaque é “Carta ao Tom 74”. Mas não é porque é bossa nova que precisa ser borocoxô e conservador, coisa que esse disco acaba sendo. Mesmo tímida, a bossa de João Gilberto, Nara e afins sempre foi charmosa, flertando ao pé do ouvido. Luísa sabe fazer isso, tanto que se fez à base de músicas sedutoras e sensuais. Mas aqui, parece outra cantora – a solar “Samba de Verão”, por exemplo, não vem com aquela gracinha que a música pede. A responsa aqui é grande e Luísa cumpre a obrigação, mas não vai muito além. Para a cantora, que cita o disco “Elis & Tom” (1974) como referência (três faixas do clássico são regravadas pela novata), a comparação é desleal e inevitável. Principalmente quando ela se propõe a cantar “Águas de Março”, cuja versão de Elis e Tom tornou a música mundialmente famosa. É um dueto vivo, sorridente. Essa mágica da canção, que descreve esperançosa a chegada de um novo tempo, não aparece na versão de Luísa. Luísa Sonza em foto da capa do álbum 'Bossa sempre nova' Divulgação Também não tem muito propósito: se já existe uma versão tão icônica (e que repercute até hoje), só faz sentido regravá-la se for para propor uma leitura bem diferente. Essa é a grande questão de "Bossa Sempre Nova". Por um lado, o disco cumpre o papel de elevar o nível da artista – principalmente se ela conseguir ajustá-lo ao seu próprio repertório, o que pode ser um desafio mais pra frente. Mas por outro, não é um álbum inovador, nem na seleção das músicas, nem na realização delas: são arranjos cautelosos e bons vocais. Mostra que a cantora é uma boa cantora, não muito mais do que isso. Se não é para brincar ou atualizar, pra que regravar? Ao todo, “Bossa Sempre Nova” é correto, mas não tem muito propósito nem charme. Falta justamente... um pouco de bossa.