Um ano após filmagem de agressão com pilha de livros, professora tem condenação mantida por maus-tratos a 4 crianças

Escrito em 21/08/2026


Professora é filmada agredindo aluno com pilha de livros no RS A condenação da professora de educação infantil Leonice Batista dos Santos por agredir quatro crianças em uma escola de Caxias do Sul, foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) nesta quinta-feira (20). Com a decisão, a pena total foi fixada em 8 anos, 3 meses e 17 dias de reclusão, além de 8 meses e 9 dias de detenção, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O g1 entrou em contato com a defesa de Leonice, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Os casos aconteceram em uma escola de Educação Infantil de Caxias do Sul. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a professora praticou agressões contra quatro alunos que tinham entre 4 e 5 anos de idade. Dois dos episódios aconteceram em agosto de 2025 e foram registrados pelas câmeras de monitoramento da escola. Em um deles, um aluno levou um tapa na cabeça. Em outra ocorrência, uma criança sofreu lesões graves nos dentes depois de ser atingida na cabeça por livros e bater a boca em uma mesa. Na época, o aluno tinha 4 anos, perdeu um dos dentes e outros cinco ficaram comprometidos após ser golpeado na cabeça com uma pilha de livros. Relembre o caso abaixo. As investigações também identificaram outros dois casos ocorridos em 2024. Conforme os relatos reunidos no processo, as crianças teriam sido vítimas de tapas, apertões nos braços e nos dedos, além de agressões físicas e psicológicas. A defesa recorreu da sentença de primeiro grau e pediu, entre outros pontos, a absolvição da professora sob o argumento de insuficiência de provas. No entanto, a relatora rejeitou as preliminares apresentadas e concluiu que o conjunto probatório confirmou a autoria dos fatos e as agressões denunciadas. Na análise do caso, foram considerados vídeos, laudos periciais, fotografias, depoimentos das vítimas e de testemunhas, além da confissão da ré em relação a dois dos episódios. Sobre uma das agressões registradas, a magistrada afirmou que atingir a cabeça de uma criança de 4 anos com uma pilha de livros, em sala de aula e diante dos colegas, provocando o choque da boca da vítima contra a mesa, não poderia ser tratado como um simples excesso pedagógico sem intenção. Agressão a aluno com pilha de livros Professora foi filmada agredindo criança de 4 anos em escola particular no RS Reprodução/ Câmera de segurança Nas imagens registradas pela câmera de segurança da escola em 18 de agosto, a professora aparece gritando com o menino e, logo depois, atingindo ele com uma pilha de livros. É possível ouvir o barulho da batida. Em seguida, a docente coloca os materiais sobre uma mesa, pega um papel para limpar a criança e, por fim, a conduz para outro local. Veja o vídeo acima. Segundo os pais, a educadora entrou em contato com eles e afirmou que a criança havia sofrido uma queda no banheiro e batido a boca. No entanto, ao levarem o filho ao consultório de uma dentista, ficaram sabendo que os ferimentos talvez não fossem resultado de uma queda. "E pelo que as dentistas também falaram... 'Rapaz, só um tombo, né? Causar tanto machucado numa criança?' Com isso começou a surgir a dúvida", conta o pai. A escola teria entrado em contato por telefone em seguida. Os pais pediram imagens de câmeras de segurança para verificar o que realmente havia acontecido. Pouco tempo depois, a escola retornou a ligação dizendo que o assunto era urgente e pedindo que eles fossem até a instituição. Lá, os pais viram o vídeo e ficaram sabendo o que aconteceu. A escola se desculpou com os pais. A Escola Infantil Xodó Da Vovó demitiu a profissional após verificar as imagens das câmeras de segurança. Conforme informado pelos pais, o menino se recuperou, mas chegou a enfrentar restrições alimentares e emocionais. Além disso, precisou usar aparelho. "Ele não pode fazer força nos dentes. Então, é só papinha, só iogurte, sopinha, arroz e feijão amassado. É triste falar, é ruim. Sinto ele muito com medo. Qualquer barulho para ele, ele está assustado, até conosco. E é um trauma. Fica um trauma. Trauma para sempre", desabafou o pai na época. VÍDEOS: Tudo sobre o RS