Queixas contra população em situação de rua sobem e chegam a 522 em 2025 em Campinas

Escrito em 27/04/2026


Reclamações sobre pessoas em situação de rua crescem 20% em Campinas em 2025 O número de reclamações sobre a população em situação de rua em Campinas (SP) cresceu 20% em 2025, atingindo o maior patamar dos últimos cinco anos, segundo dados do serviço 156 da prefeitura. Veja os dados: 2021: 225 reclamações 2022: 282 reclamações 2023: 402 reclamações 2024: 435 reclamações 2025: 522 reclamações 2026: 68 reclamações (até o momento) O último Censo para retratar essa população em Campinas, realizado em 2024, apontou 1,3 mil pessoas em situação de rua na metrópole. Moradores de bairros como Cambuí, Jardim Londres, Bonfim, Cidade Jardim e Vila Industrial, que lideram as queixas, associam a presença crescente de pessoas nas ruas a furtos e sensação de abandono. O sociólogo e professor da PUC-Campinas, Everton Silveira, que estuda o tema há mais de 30 anos, afirma que a situação é resultado de múltiplos fatores. "As pessoas não estão na rua somente pela falta de moradia, [...] pelo uso do álcool, ou porque elas estão fugindo da sua família, ou porque elas estão sem trabalho. [...] Nós temos um complexo de fatores que geram a situação de rua", explica. Segundo o especialista, a solução exige uma abordagem mais sofisticada e articulada. "Nós temos serviços muito competentes também do município, mas também existem insuficiências. [...] A gente precisaria hoje ter serviços mais complexos do que mais serviços. É uma articulação entre o Estado, as organizações sociais e a sociedade civil como um todo", analisa. Insegurança e furtos "Tem uns quatro anos que tem muito morador de rua, eles estão concentrados agora todos ali na praça. Eu acho um absurdo isso. E tem muito aqui, roubo de lixeira, roubaram todas as lixeiras da rua", relata a costureira Roserci Boletini, da Vila Industrial. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Na mesma rua, o manobrista Carlos Cabral confirma a situação. "Pusemos uma lixeira na frente de casa, que era de ferro, e não demorou muito tempo, arrancaram, roubaram ela. Aí tivemos que fazer de madeira para não acontecer novamente", conta. Para a faxineira Solange Cavalcante, as ações parecem insuficientes. "Eles só jogam de um lado para o outro, mas o problema acaba não sendo resolvido", opina. Reclamações no serviço 156 de Campinas sobre a população em situação de rua cresceram 20% em 2025 Reprodução/EPTV O que diz a prefeitura A secretária de Assistência Social de Campinas, Vandecleya Moro, afirma que o município oferece uma rede de apoio no albergue municipal (SAMIM), com alimentação, banho, pernoite, assistência psicológica e social. Segundo ela, a maioria das pessoas em situação de rua na cidade é de fora, e por isso também há um serviço de recâmbio para os municípios de origem. A gestão diz ainda que promove ações para a superação da condição de rua. "São encaminhamentos para o mercado de trabalho, encaminhamentos para entrevistas de emprego, formação, capacitação profissional", detalha a secretária, que reconhece a necessidade de ampliar os serviços diante do agravamento do problema percebido pela população. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas