A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Marilene de Fátima Reprodução/Redes Sociais O corpo de Marilene de Fátima, de 53 anos, foi encontrado em avançado estado de decomposição dentro do próprio apartamento, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, na quinta-feira (5). A descoberta foi feita pela nova proprietária do imóvel, que havia comprado o apartamento em um leilão e entrou no local com a ajuda de um chaveiro. A suspeita é que Marilene estivesse morta havia aproximadamente um ano. A família acredita que ela tenha tirado a própria vida, mas a causa da morte ainda depende de exames periciais. A Polícia Civil investiga o caso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp O irmão da vítima, que preferiu não ser identificado, lamentou a morte e disse que os familiares não conseguiram perceber a situação a tempo. Segundo ele, a família perdeu contato com Marilene em outubro de 2025, depois que ela relatou problemas financeiros e disse que se mudaria para Varjão de Minas. O caso também levanta questionamentos sobre como o apartamento permaneceu fechado por tanto tempo, por que ninguém comunicou o desaparecimento da moradora e se ela ainda estava viva quando foi notificada sobre a dívida que levou o imóvel a leilão. Agora no g1 Veja abaixo o que já se sabe e o que ainda falta esclarecer. Como o corpo foi encontrado? O corpo foi descoberto por Kalina Poliana, que comprou o apartamento em um leilão no dia 9 de outubro. Após receber autorização do filho da antiga proprietária para entrar no imóvel, ela chamou um chaveiro para ajudá-la a abrir a porta. O apartamento estava fechado. Segundo Kalina, não havia cheiro incomum no local, e os vizinhos também não sentiram odor vindo do imóvel. Após abrir a porta do quarto, ela percebeu um volume sobre a cama, coberto por uma coberta e com travesseiros ao lado. A princípio, teve a impressão de que havia alguém dormindo. "Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama", contou. Desconfiada, Kalina pediu ao chaveiro que verificasse o quarto. Ao voltar, ele informou que havia uma mulher morta no local. A nova proprietária ficou abalada e não conseguiu acionar a polícia. O chaveiro chamou as autoridades. Prédio onde o corpo da mulher foi encontrado Reprodução/Redes Sociais Há quanto tempo Marilene estava morta? A investigação inicial da Polícia Civil indica que o corpo permaneceu dentro do apartamento por aproximadamente um ano. O estado avançado de decomposição reforça que a morte aconteceu há bastante tempo. No entanto, a data exata depende dos exames periciais. O Instituto Médico-Legal (IML) recebeu o corpo e coletou amostras de material biológico, que foram enviadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. Qual foi a causa da morte? A família acredita que Marilene tenha tirado a própria vida. A reportagem também apurou que o imóvel estava limpo e em bom estado e ela também teria deixado a chave do apartamento para o filho único. Em nota, a corporação informou que a perícia técnica não constatou lesões no corpo. A hipótese investigada é de morte por intoxicação por medicamentos ou substâncias venenosas. Os exames laboratoriais precisam confirmar ou descartar a hipótese de intoxicação. Até o momento, a causa da morte não foi esclarecida. Por que a família perdeu contato com Marilene? O irmão de Marilene vítima contou que o último contato mais próximo com a irmã aconteceu em outubro de 2025. Na ocasião, Marilene ligou desesperada e disse que o apartamento havia sido penhorado. Ela pediu R$ 1,8 mil emprestados, mas o irmão informou que não tinha o dinheiro. O filho e uma irmã de Marilene chegaram a ir até o imóvel para tentar ajudá-la a resolver a situação, mas a ajuda foi negada. No dia seguinte, ela voltou a pedir dinheiro, dessa vez R$ 400. Após o pedido, a família de Marilene procurou entender a origem da cobrança. Segundo o irmão da vítima, os familiares entraram em contato com a Caixa para buscar informações sobre os procedimentos de penhora do imóvel e descobriram que a abordagem recebida por ela possivelmente se tratava de um trote. Para ele, Marilene pode ter acreditado na cobrança por já estar abalada emocionalmente com a possibilidade de perder o apartamento. Depois disso, Marilene entrou em contato com os familiares e disse que iria morar em Varjão de Minas. Em seguida, bloqueou o contato de todos eles. De acordo com o irmão, ela tinha o hábito de se afastar dos parentes por longos períodos. Ele também contou que Marilene trabalhava como empregada doméstica, mas perdeu o emprego. Após a demissão, ela teria entrado em depressão. A irmã também tinha diabetes, condição que, na avaliação dele, agravou o quadro emocional. O filho chegou a oferecer ajuda para pagar as dívidas da mãe, mas ela não aceitou. "É triste, agora, vamos descobrir o que aconteceu. Infelizmente, não conseguimos perceber a tempo. Agora é seguir em frente", lamentou o irmão. Segundo ele, o filho de Marilene está desesperado com a morte da mãe. A investigação ainda precisa esclarecer as circunstâncias da morte e o que aconteceu com Marilene depois que ela informou aos familiares que se mudaria para Varjão de Minas. Leia também: Homem morre afogado no Poção Azul, entre Uberlândia e Araguari Jovens que morreram afogados na cachoeira de Sucupira eram amigos Homem afogado em Paracatu apresentava marcas de ferroadas de abelhas Por que ninguém comunicou o desaparecimento? Apesar de a família ter perdido contato com Marilene, a Polícia Civil informou que não havia registros de boletins de ocorrência ou informações anteriores sobre o desaparecimento dela. A investigação aponta que a mulher teria dito a vizinhos que se mudaria para Varjão de Minas. A informação pode ajudar a explicar por que a ausência dela não levantou suspeitas imediatas. O irmão também relatou que a irmã tinha o hábito de se afastar dos familiares, o que pode ter contribuído para que a falta de contato não fosse inicialmente percebida como um desaparecimento. A polícia ainda investiga as circunstâncias do caso e não informou se pretende ouvir vizinhos e outros familiares para reconstruir os últimos dias de Marilene. Por que o apartamento foi a leilão? O imóvel foi leiloado depois que Marilene deixou de pagar o financiamento. Vanilda Sousa, responsável pela empresa Chave7 & Sousa, que presta assessoria a arrematantes de imóveis, explicou que a venda de propriedades em leilão acontece sem vistoria prévia. Segundo ela, a antiga proprietária poderia quitar a dívida em até 15 dias após a notificação feita pela Caixa Econômica Federal, evitando que o imóvel fosse levado a leilão. "Então, a Caixa notificou ela e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo desse imóvel vir a leilão", explicou. O apartamento foi adquirido por Kalina Poliana em 9 de outubro. Ainda não está esclarecido se Marilene recebeu as notificações do banco enquanto estava viva ou se já havia morrido quando os procedimentos foram realizados. O leilão pode ser anulado? A nova proprietária manifestou o desejo de cancelar a compra do apartamento. A advogada responsável pelo caso, Lahra Lopes, informou que a equipe jurídica pretende entrar com uma ação para tentar anular o leilão. A possibilidade depende, entre outros pontos, da confirmação da data da morte de Marilene. "Precisamos verificar se a antiga proprietária estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria", explicou a advogada. A equipe jurídica aguarda o resultado da perícia do IML para avaliar se Marilene já havia morrido quando recebeu as notificações relacionadas à dívida. A partir dessa informação, poderá questionar judicialmente a validade do procedimento que levou o apartamento a leilão. Em nota, a Caixa Econômica Federal disse que tomou conhecimento da situação pela imprensa. O banco aguardará a conclusão das apurações pelas autoridades competentes e prestará, se necessário, os esclarecimentos pertinentes. O banco também ressaltou que a comercialização dos imóveis da Caixa observa as condições previstas em edital, documento oficial que rege a venda, inclusive quanto à situação de ocupação e conservação do imóvel e às responsabilidades relacionadas à sua eventual desocupação. Como está a investigação? A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A perícia esteve no apartamento, realizou os levantamentos necessários e não identificou lesões no corpo. Amostras biológicas foram encaminhadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. A corporação informou que as investigações continuam para a conclusão dos laudos técnicos e a elucidação completa do caso. O sepultamento de Marilene ocorreu às 10h de sexta-feira (6), no cemitério de Major Porto, em Patos de Minas. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo e
O que se sabe e o que falta saber sobre mulher encontrada morta em apartamento após 1 ano em MG
Escrito em 08/11/2026
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Marilene de Fátima Reprodução/Redes Sociais O corpo de Marilene de Fátima, de 53 anos, foi encontrado em avançado estado de decomposição dentro do próprio apartamento, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, na quinta-feira (5). A descoberta foi feita pela nova proprietária do imóvel, que havia comprado o apartamento em um leilão e entrou no local com a ajuda de um chaveiro. A suspeita é que Marilene estivesse morta havia aproximadamente um ano. A família acredita que ela tenha tirado a própria vida, mas a causa da morte ainda depende de exames periciais. A Polícia Civil investiga o caso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp O irmão da vítima, que preferiu não ser identificado, lamentou a morte e disse que os familiares não conseguiram perceber a situação a tempo. Segundo ele, a família perdeu contato com Marilene em outubro de 2025, depois que ela relatou problemas financeiros e disse que se mudaria para Varjão de Minas. O caso também levanta questionamentos sobre como o apartamento permaneceu fechado por tanto tempo, por que ninguém comunicou o desaparecimento da moradora e se ela ainda estava viva quando foi notificada sobre a dívida que levou o imóvel a leilão. Agora no g1 Veja abaixo o que já se sabe e o que ainda falta esclarecer. Como o corpo foi encontrado? O corpo foi descoberto por Kalina Poliana, que comprou o apartamento em um leilão no dia 9 de outubro. Após receber autorização do filho da antiga proprietária para entrar no imóvel, ela chamou um chaveiro para ajudá-la a abrir a porta. O apartamento estava fechado. Segundo Kalina, não havia cheiro incomum no local, e os vizinhos também não sentiram odor vindo do imóvel. Após abrir a porta do quarto, ela percebeu um volume sobre a cama, coberto por uma coberta e com travesseiros ao lado. A princípio, teve a impressão de que havia alguém dormindo. "Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama", contou. Desconfiada, Kalina pediu ao chaveiro que verificasse o quarto. Ao voltar, ele informou que havia uma mulher morta no local. A nova proprietária ficou abalada e não conseguiu acionar a polícia. O chaveiro chamou as autoridades. Prédio onde o corpo da mulher foi encontrado Reprodução/Redes Sociais Há quanto tempo Marilene estava morta? A investigação inicial da Polícia Civil indica que o corpo permaneceu dentro do apartamento por aproximadamente um ano. O estado avançado de decomposição reforça que a morte aconteceu há bastante tempo. No entanto, a data exata depende dos exames periciais. O Instituto Médico-Legal (IML) recebeu o corpo e coletou amostras de material biológico, que foram enviadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. Qual foi a causa da morte? A família acredita que Marilene tenha tirado a própria vida. A reportagem também apurou que o imóvel estava limpo e em bom estado e ela também teria deixado a chave do apartamento para o filho único. Em nota, a corporação informou que a perícia técnica não constatou lesões no corpo. A hipótese investigada é de morte por intoxicação por medicamentos ou substâncias venenosas. Os exames laboratoriais precisam confirmar ou descartar a hipótese de intoxicação. Até o momento, a causa da morte não foi esclarecida. Por que a família perdeu contato com Marilene? O irmão de Marilene vítima contou que o último contato mais próximo com a irmã aconteceu em outubro de 2025. Na ocasião, Marilene ligou desesperada e disse que o apartamento havia sido penhorado. Ela pediu R$ 1,8 mil emprestados, mas o irmão informou que não tinha o dinheiro. O filho e uma irmã de Marilene chegaram a ir até o imóvel para tentar ajudá-la a resolver a situação, mas a ajuda foi negada. No dia seguinte, ela voltou a pedir dinheiro, dessa vez R$ 400. Após o pedido, a família de Marilene procurou entender a origem da cobrança. Segundo o irmão da vítima, os familiares entraram em contato com a Caixa para buscar informações sobre os procedimentos de penhora do imóvel e descobriram que a abordagem recebida por ela possivelmente se tratava de um trote. Para ele, Marilene pode ter acreditado na cobrança por já estar abalada emocionalmente com a possibilidade de perder o apartamento. Depois disso, Marilene entrou em contato com os familiares e disse que iria morar em Varjão de Minas. Em seguida, bloqueou o contato de todos eles. De acordo com o irmão, ela tinha o hábito de se afastar dos parentes por longos períodos. Ele também contou que Marilene trabalhava como empregada doméstica, mas perdeu o emprego. Após a demissão, ela teria entrado em depressão. A irmã também tinha diabetes, condição que, na avaliação dele, agravou o quadro emocional. O filho chegou a oferecer ajuda para pagar as dívidas da mãe, mas ela não aceitou. "É triste, agora, vamos descobrir o que aconteceu. Infelizmente, não conseguimos perceber a tempo. Agora é seguir em frente", lamentou o irmão. Segundo ele, o filho de Marilene está desesperado com a morte da mãe. A investigação ainda precisa esclarecer as circunstâncias da morte e o que aconteceu com Marilene depois que ela informou aos familiares que se mudaria para Varjão de Minas. Leia também: Homem morre afogado no Poção Azul, entre Uberlândia e Araguari Jovens que morreram afogados na cachoeira de Sucupira eram amigos Homem afogado em Paracatu apresentava marcas de ferroadas de abelhas Por que ninguém comunicou o desaparecimento? Apesar de a família ter perdido contato com Marilene, a Polícia Civil informou que não havia registros de boletins de ocorrência ou informações anteriores sobre o desaparecimento dela. A investigação aponta que a mulher teria dito a vizinhos que se mudaria para Varjão de Minas. A informação pode ajudar a explicar por que a ausência dela não levantou suspeitas imediatas. O irmão também relatou que a irmã tinha o hábito de se afastar dos familiares, o que pode ter contribuído para que a falta de contato não fosse inicialmente percebida como um desaparecimento. A polícia ainda investiga as circunstâncias do caso e não informou se pretende ouvir vizinhos e outros familiares para reconstruir os últimos dias de Marilene. Por que o apartamento foi a leilão? O imóvel foi leiloado depois que Marilene deixou de pagar o financiamento. Vanilda Sousa, responsável pela empresa Chave7 & Sousa, que presta assessoria a arrematantes de imóveis, explicou que a venda de propriedades em leilão acontece sem vistoria prévia. Segundo ela, a antiga proprietária poderia quitar a dívida em até 15 dias após a notificação feita pela Caixa Econômica Federal, evitando que o imóvel fosse levado a leilão. "Então, a Caixa notificou ela e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo desse imóvel vir a leilão", explicou. O apartamento foi adquirido por Kalina Poliana em 9 de outubro. Ainda não está esclarecido se Marilene recebeu as notificações do banco enquanto estava viva ou se já havia morrido quando os procedimentos foram realizados. O leilão pode ser anulado? A nova proprietária manifestou o desejo de cancelar a compra do apartamento. A advogada responsável pelo caso, Lahra Lopes, informou que a equipe jurídica pretende entrar com uma ação para tentar anular o leilão. A possibilidade depende, entre outros pontos, da confirmação da data da morte de Marilene. "Precisamos verificar se a antiga proprietária estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria", explicou a advogada. A equipe jurídica aguarda o resultado da perícia do IML para avaliar se Marilene já havia morrido quando recebeu as notificações relacionadas à dívida. A partir dessa informação, poderá questionar judicialmente a validade do procedimento que levou o apartamento a leilão. Em nota, a Caixa Econômica Federal disse que tomou conhecimento da situação pela imprensa. O banco aguardará a conclusão das apurações pelas autoridades competentes e prestará, se necessário, os esclarecimentos pertinentes. O banco também ressaltou que a comercialização dos imóveis da Caixa observa as condições previstas em edital, documento oficial que rege a venda, inclusive quanto à situação de ocupação e conservação do imóvel e às responsabilidades relacionadas à sua eventual desocupação. Como está a investigação? A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A perícia esteve no apartamento, realizou os levantamentos necessários e não identificou lesões no corpo. Amostras biológicas foram encaminhadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. A corporação informou que as investigações continuam para a conclusão dos laudos técnicos e a elucidação completa do caso. O sepultamento de Marilene ocorreu às 10h de sexta-feira (6), no cemitério de Major Porto, em Patos de Minas. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo e

