Mitos e verdades sobre o sono Virar noites e dormir menos no carnaval é quase parte do roteiro da folia. Mas a combinação entre pouco sono, consumo de álcool e calor pode trazer riscos reais à saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde associam a falta de sono a maior risco de acidentes de trânsito, falhas de julgamento e redução da imunidade. Em entrevista ao g1, George do Lago Pinheiro, otorrinolaringologista e membro titular da Academia Brasileira do Sono (ABS), afirmou que a privação de descanso provoca efeitos que vão além do cansaço e explicou estratégias para redução de danos. O que significa, na prática, dormir menos? Dormir pouco por vários dias seguidos compromete atenção, memória e tempo de resposta. “A curto prazo, a pessoa apresenta lapsos de atenção e respostas mais lentas a situações de perigo, o que aumenta o risco de acidentes, especialmente no trânsito”, explica George do Lago. Além disso, o corpo entra em um estado semelhante ao estresse intenso, com impacto na digestão, na regulação hormonal e na defesa imunológica. Combinação entre pouco sono e consumo de álcool pode trazer riscos reais à saúde, alerta especialista GETTY IMAGES Situações reais: como o risco muda conforme o consumo de álcool e o sono Nível 1: Bebeu pouco álcool. Mesmo com consumo moderado de bebida alcoólica, dormir pouco traz prejuízos. O álcool pode até facilitar o início do sono, mas fragmenta o descanso e reduz sua qualidade. Segundo o especialista, dormir no mínimo 6 horas já ajuda a reduzir impactos negativos, mas não elimina os riscos. “O corpo vai sinalizar se esse tempo foi suficiente ou não”, diz. Nível 2: Bebeu muito álcool. Quando o consumo de álcool é elevado, o risco aumenta. A bebida favorece a fragmentação do sono e pode agravar quadros de apneia obstrutiva do sono, devido ao relaxamento muscular. “A combinação de álcool e privação de sono compromete ainda mais o raciocínio e a atenção, criando situações de perigo iminente”, alerta o médico. Nesses casos, dormir menos de 6 horas eleva significativamente os riscos, especialmente de quedas, desidratação e acidentes. ➡️ Na prática: quanto mais álcool, maior a necessidade de descanso. Dormir pouco após beber muito pode trazer riscos. Nível 3: Bebeu muito álcool e dormiu pouco. Esse é o cenário mais perigoso. A restrição intensa de sono, associada ao álcool, pode causar: lapsos de atenção irritabilidade e confusão mental respostas lentificadas dor de cabeça, tremores musculares e fadiga intensa aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca Em dias intensos como os do Carnaval, a atenção ao corpo e aos próprios limites ajuda a manter o bem-estar. Freepik. Como minimizar os prejuízos durante o carnaval Especialistas reforçam que sempre haverá algum impacto quando o sono é reduzido, mas algumas estratégias ajudam a diminuir os danos: dormir antes de sair para a folia fazer cochilos programados ao longo do dia evitar álcool próximo ao horário de dormir manter alimentação e hidratação adequadas evitar exposição à luz artificial e a eletrônicos cerca de 1h30 antes de dormir respeitar os sinais do corpo “Cochilos podem ser uma estratégia importante em períodos em que há menor disponibilidade de tempo de sono. Eles restauram a energia, melhoram o humor e a concentração”, ressalta o médico. Dormir mais quando o carnaval acaba ajuda, mas não apaga totalmente o prejuízo acumulado. “É uma estratégia de redução de danos”, diz o especialista. A mudança brusca de rotina funciona como um jet lag social, e o organismo pode levar de 4 a 7 dias para se reajustar. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)
Guia do sono no carnaval: como aproveitar a folia sem prejudicar a saúde
Escrito em 06/02/2026
Mitos e verdades sobre o sono Virar noites e dormir menos no carnaval é quase parte do roteiro da folia. Mas a combinação entre pouco sono, consumo de álcool e calor pode trazer riscos reais à saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde associam a falta de sono a maior risco de acidentes de trânsito, falhas de julgamento e redução da imunidade. Em entrevista ao g1, George do Lago Pinheiro, otorrinolaringologista e membro titular da Academia Brasileira do Sono (ABS), afirmou que a privação de descanso provoca efeitos que vão além do cansaço e explicou estratégias para redução de danos. O que significa, na prática, dormir menos? Dormir pouco por vários dias seguidos compromete atenção, memória e tempo de resposta. “A curto prazo, a pessoa apresenta lapsos de atenção e respostas mais lentas a situações de perigo, o que aumenta o risco de acidentes, especialmente no trânsito”, explica George do Lago. Além disso, o corpo entra em um estado semelhante ao estresse intenso, com impacto na digestão, na regulação hormonal e na defesa imunológica. Combinação entre pouco sono e consumo de álcool pode trazer riscos reais à saúde, alerta especialista GETTY IMAGES Situações reais: como o risco muda conforme o consumo de álcool e o sono Nível 1: Bebeu pouco álcool. Mesmo com consumo moderado de bebida alcoólica, dormir pouco traz prejuízos. O álcool pode até facilitar o início do sono, mas fragmenta o descanso e reduz sua qualidade. Segundo o especialista, dormir no mínimo 6 horas já ajuda a reduzir impactos negativos, mas não elimina os riscos. “O corpo vai sinalizar se esse tempo foi suficiente ou não”, diz. Nível 2: Bebeu muito álcool. Quando o consumo de álcool é elevado, o risco aumenta. A bebida favorece a fragmentação do sono e pode agravar quadros de apneia obstrutiva do sono, devido ao relaxamento muscular. “A combinação de álcool e privação de sono compromete ainda mais o raciocínio e a atenção, criando situações de perigo iminente”, alerta o médico. Nesses casos, dormir menos de 6 horas eleva significativamente os riscos, especialmente de quedas, desidratação e acidentes. ➡️ Na prática: quanto mais álcool, maior a necessidade de descanso. Dormir pouco após beber muito pode trazer riscos. Nível 3: Bebeu muito álcool e dormiu pouco. Esse é o cenário mais perigoso. A restrição intensa de sono, associada ao álcool, pode causar: lapsos de atenção irritabilidade e confusão mental respostas lentificadas dor de cabeça, tremores musculares e fadiga intensa aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca Em dias intensos como os do Carnaval, a atenção ao corpo e aos próprios limites ajuda a manter o bem-estar. Freepik. Como minimizar os prejuízos durante o carnaval Especialistas reforçam que sempre haverá algum impacto quando o sono é reduzido, mas algumas estratégias ajudam a diminuir os danos: dormir antes de sair para a folia fazer cochilos programados ao longo do dia evitar álcool próximo ao horário de dormir manter alimentação e hidratação adequadas evitar exposição à luz artificial e a eletrônicos cerca de 1h30 antes de dormir respeitar os sinais do corpo “Cochilos podem ser uma estratégia importante em períodos em que há menor disponibilidade de tempo de sono. Eles restauram a energia, melhoram o humor e a concentração”, ressalta o médico. Dormir mais quando o carnaval acaba ajuda, mas não apaga totalmente o prejuízo acumulado. “É uma estratégia de redução de danos”, diz o especialista. A mudança brusca de rotina funciona como um jet lag social, e o organismo pode levar de 4 a 7 dias para se reajustar. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

