Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que, até hoje, não há clareza de que as operações envolvendo o Banco Master tenham configurado fraude.
Segundo ele, o que foi identificado pelo banco público foi uma mudança no padrão documental e na forma de originação dos créditos, mas não indícios claros de inexistência dos ativos. “Vou insistir naquele ponto que a gente não tem clareza até hoje que isso foi uma fraude. O que a gente percebeu foi uma mudança de padrão documental e de originação do crédito”, afirmou.
Paulo Henrique disse que os arquivos recebidos pelo BRB indicavam que os débitos e as averbações estavam ocorrendo regularmente. Destacou ainda a dimensão da operação, que envolvia cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos.
Segundo o ex-presidente, ao adquirir os créditos, o BRB adotou todos os procedimentos usuais de registro, incluindo o registro das operações na B3 e o envio das informações ao Banco Central. Questionado pela delegada responsável pelo inquérito se alterações desse tipo não seriam facilmente detectáveis, Paulo Henrique respondeu que, apesar do volume elevado de contratos, não houve registros de clientes negando a existência dos créditos.
De acordo com ele, quando consumidores procuraram a ouvidoria do banco afirmando não ter vínculo direto com o BRB, reconheceram os débitos ao serem informados de que se tratava de créditos adquiridos de terceiros. “Não tivemos registro de ninguém alegando a não existência do crédito”, afirmou.
O ex-presidente citou ainda a realização de testes em uma amostra de cerca de 130 contratos, cujas conclusões constam de relatório circunstanciado do Banco Central. Disse também que os arquivos encaminhados ao BRB demonstravam averbações e descontos mensais por vários meses.
Paulo Henrique afirmou que, no nível de acesso à informação disponível à época, o banco seguiu os procedimentos de mercado. Segundo ele, assim que foi identificado um padrão documental diferente, o BRB ampliou as auditorias, buscou a totalidade da documentação e comunicou o Banco Central diante das dificuldades encontradas.
De acordo com o ex-presidente, o banco adotou medidas para resguardar seus interesses, como a exigência de garantias e a substituição dos créditos. Ele afirmou que, no momento de seu depoimento, cerca de R$ 10,5 bilhões já haviam sido substituídos, restando aproximadamente R$ 2,5 bilhões, enquanto o BRB mantinha cerca de R$ 9 bilhões em garantias constituídas.
“O meu papel, junto com a diretoria e de forma colegiada, foi defender os interesses do BRB. Assim que identificamos uma suspeita, tomamos as medidas necessárias, independentemente de qualquer informação prévia do Banco Central”, afirmou.
Ex-presidente do BRB diz à PF que não tem clareza de fraude no caso Master
Escrito em 30/01/2026

