Casarão da Serra da Mantiqueira de quase 300 anos preserva histórias do Brasil Colônia Construído em 1738, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, o casarão da Fazenda da Roseta, em Baependi (MG), atravessou quase três séculos sem deixar as mãos da mesma família. Cercado pelas montanhas, o local reúne história, natureza e turismo. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Depois de passar pelos períodos colonial, imperial e republicano, a propriedade, administrada pela sexta geração da família Maciel, se abriu para os visitantes após a descoberta de um desejo da mãe do proprietário, Paulo Maciel Júnior. Casarão de quase 300 anos na Fazenda da Roseta, em Baependi, conserva características do Brasil colônia Arquivo pessoal Durante a organização de documentos antigos da família, entre os papéis, ele encontrou um manuscrito deixado pela mãe, que tinha o hábito de registrar os sonhos logo ao acordar. "Ela escreveu que a fazenda deveria se transformar em um empreendimento turístico. Aquilo nos marcou muito. Entendemos que abrir as portas seria uma forma de manter a fazenda e a história vivas", conta. O lugar tem vários elementos que despertam o interesse dos visitantes. Em 1993, a fazenda recebeu o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por integrar a Rede Internacional de Reservas da Biosfera, criada pelo Programa Homem e a Biosfera (MAB). O título é concedido a áreas protegidas consideradas estratégicas para a conservação dos principais ecossistemas do planeta. Além de proteger a natureza, a reserva contribui para a produção de conhecimento e para a promoção de práticas que conciliam conservação e desenvolvimento sustentável. A fazenda ainda abriga museus e construções históricas. Patrimônio que resiste ao tempo Casarão da época do Brasil colônia passou por várias reformas, mas ainda mantém características históricas em Baependi Arquivo pessoal A história da Fazenda da Roseta começou a partir de uma sesmaria, modelo de concessão de terras adotado pela Coroa Portuguesa durante o período colonial, quando a ocupação do Sul de Minas ainda avançava pelo interior do país. O nome faz referência ao antigo Ribeirão das Rosetas, citado no documento original da concessão. Posteriormente, a área foi adquirida pela família Maciel. Ao longo dos séculos, a sede passou por transformações, mas preserva elementos históricos como os muros e calçamentos de pedra, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e o antigo moinho de fubá, atualmente transformado em Museu do Trabalhador Rural. Na década de 1940, o casarão passou por uma grande reforma que alterou parte das características coloniais para o estilo neocolonial. Em 2006, novas intervenções permitiram recuperar e adaptar parte da estrutura para receber visitantes. Hoje, a Fazenda da Roseta reúne 16 edificações e estruturas históricas preservadas, formando um conjunto que ajuda a contar diferentes momentos da ocupação do Sul de Minas. Sonho mudou o destino da fazenda Fazenda da Roseta atrai turistas com suas características da época do Brasil colônia Arquivo pessoal Quando foi iniciada, a restauração de 2006 não tinha como objetivo criar um empreendimento turístico. Segundo o proprietário, a prioridade era impedir que o casarão continuasse se deteriorando. Mas, a partir da descoberta dos escritos da mãe, a família decidiu investir na atividade turística como forma de ajudar a preservar o patrimônio. Aberta aos visitantes desde 2013, a Fazenda da Roseta recebe cerca de 600 pessoas por ano e conta com 15 quartos, 40 leitos e uma equipe de quatro funcionários. Quem visita a propriedade encontra espaços dedicados à memória rural, como o casarão transformado em museu, o Museu do Trabalhador Rural, o Museu dos Coches, uma biblioteca histórica e o Pouso do Tropeiro. O complexo possui reconhecimento do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Turismo como ferramenta de preservação Fazenda da Roseta, em Baependi, une preservação histórica, natureza e vida rural para atrair turistas Arquivo pessoal Manter um patrimônio de quase 300 anos exige investimentos permanentes. Segundo a família, a conservação da Fazenda da Roseta demanda cerca de R$ 350 mil por ano. Desde o início do processo de restauração, aproximadamente R$ 1,8 milhão foi investido na recuperação das edificações e estruturas históricas. Hoje, a hospedagem, as visitas guiadas e as experiências oferecidas aos visitantes ajudam a financiar a conservação do patrimônio. Para Maciel Júnior, a grande missão é que esse conjunto histórico continue sendo cuidado e compartilhado com as próximas gerações. "O maior desafio é conseguir sustentabilidade financeira para a manutenção. Muitas benfeitorias, como o engenho de cana, a máquina de café e o armazém, acabaram se perdendo por falta de manutenção. Dependemos do turismo e estamos sujeitos às crises econômicas do país e até ao clima. É preciso equilibrar a conservação do patrimônio com a sustentabilidade do negócio", afirma. A motivação permanece ligada à possibilidade de manter viva a história da propriedade. "Durante séculos, a fazenda produziu alimentos. Hoje produzimos experiências, conhecimento e memória. Quando uma pessoa visita a Roseta e entende a importância desse patrimônio, ela também passa a ajudar na sua preservação", diz o proprietário. Patrimônio ajuda a contar a história do país Fazenda da Roseta, em Baependi, une preservação histórica, natureza e vida rural para atrair turistas Arquivo pessoal Para a arquiteta e urbanista Daniela Bobsin, especialista em Conservação e Restauração do Patrimônio Cultural, construções desse período ajudam a compreender a formação histórica do Brasil e exigem cuidados permanentes para atravessar gerações. "Esses imóveis preservam técnicas construtivas, modos de vida e parte da memória da ocupação do território brasileiro. A longevidade de um casarão como esse não depende apenas dos materiais utilizados na época, mas principalmente da manutenção contínua realizada ao longo dos anos." A trajetória da Fazenda da Roseta acompanha a própria ocupação do Sul de Minas. Desenvolvida ao longo do antigo Caminho Velho da Estrada Real, a propriedade produziu açúcar, café, laticínios e manteiga ao longo dos séculos, refletindo diferentes momentos da economia e da formação da região. Segundo a secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Cristina, Baependi reúne um importante conjunto de imóveis históricos preservados. "Iniciativas como a da Fazenda da Roseta ajudam a manter viva essa memória e a aproximar moradores e visitantes da história do município", afirma. Para a turismóloga Cássia Almeida, o turismo pode ser um aliado da preservação quando respeita as características originais dos imóveis históricos. "O turismo bem planejado ajuda a financiar a preservação, fortalece a identidade cultural dos territórios e aproxima as pessoas de sua própria história. Quando um patrimônio é visitado e valorizado pela comunidade, ele ganha novas possibilidades de permanência", diz. Depois de quase três séculos atravessando o tempo, o futuro da propriedade segue ligado à preservação desse legado e ao contato de novas gerações com a história da região. Como resume o proprietário, inspirado em um sonho registrado pela mãe há duas décadas: "Durante séculos produzimos alimentos. Hoje produzimos sonhos." Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas
Casarão da Serra da Mantiqueira de quase 300 anos preserva histórias do Brasil Colônia
Escrito em 02/08/2026
Casarão da Serra da Mantiqueira de quase 300 anos preserva histórias do Brasil Colônia Construído em 1738, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, o casarão da Fazenda da Roseta, em Baependi (MG), atravessou quase três séculos sem deixar as mãos da mesma família. Cercado pelas montanhas, o local reúne história, natureza e turismo. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Depois de passar pelos períodos colonial, imperial e republicano, a propriedade, administrada pela sexta geração da família Maciel, se abriu para os visitantes após a descoberta de um desejo da mãe do proprietário, Paulo Maciel Júnior. Casarão de quase 300 anos na Fazenda da Roseta, em Baependi, conserva características do Brasil colônia Arquivo pessoal Durante a organização de documentos antigos da família, entre os papéis, ele encontrou um manuscrito deixado pela mãe, que tinha o hábito de registrar os sonhos logo ao acordar. "Ela escreveu que a fazenda deveria se transformar em um empreendimento turístico. Aquilo nos marcou muito. Entendemos que abrir as portas seria uma forma de manter a fazenda e a história vivas", conta. O lugar tem vários elementos que despertam o interesse dos visitantes. Em 1993, a fazenda recebeu o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por integrar a Rede Internacional de Reservas da Biosfera, criada pelo Programa Homem e a Biosfera (MAB). O título é concedido a áreas protegidas consideradas estratégicas para a conservação dos principais ecossistemas do planeta. Além de proteger a natureza, a reserva contribui para a produção de conhecimento e para a promoção de práticas que conciliam conservação e desenvolvimento sustentável. A fazenda ainda abriga museus e construções históricas. Patrimônio que resiste ao tempo Casarão da época do Brasil colônia passou por várias reformas, mas ainda mantém características históricas em Baependi Arquivo pessoal A história da Fazenda da Roseta começou a partir de uma sesmaria, modelo de concessão de terras adotado pela Coroa Portuguesa durante o período colonial, quando a ocupação do Sul de Minas ainda avançava pelo interior do país. O nome faz referência ao antigo Ribeirão das Rosetas, citado no documento original da concessão. Posteriormente, a área foi adquirida pela família Maciel. Ao longo dos séculos, a sede passou por transformações, mas preserva elementos históricos como os muros e calçamentos de pedra, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e o antigo moinho de fubá, atualmente transformado em Museu do Trabalhador Rural. Na década de 1940, o casarão passou por uma grande reforma que alterou parte das características coloniais para o estilo neocolonial. Em 2006, novas intervenções permitiram recuperar e adaptar parte da estrutura para receber visitantes. Hoje, a Fazenda da Roseta reúne 16 edificações e estruturas históricas preservadas, formando um conjunto que ajuda a contar diferentes momentos da ocupação do Sul de Minas. Sonho mudou o destino da fazenda Fazenda da Roseta atrai turistas com suas características da época do Brasil colônia Arquivo pessoal Quando foi iniciada, a restauração de 2006 não tinha como objetivo criar um empreendimento turístico. Segundo o proprietário, a prioridade era impedir que o casarão continuasse se deteriorando. Mas, a partir da descoberta dos escritos da mãe, a família decidiu investir na atividade turística como forma de ajudar a preservar o patrimônio. Aberta aos visitantes desde 2013, a Fazenda da Roseta recebe cerca de 600 pessoas por ano e conta com 15 quartos, 40 leitos e uma equipe de quatro funcionários. Quem visita a propriedade encontra espaços dedicados à memória rural, como o casarão transformado em museu, o Museu do Trabalhador Rural, o Museu dos Coches, uma biblioteca histórica e o Pouso do Tropeiro. O complexo possui reconhecimento do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Turismo como ferramenta de preservação Fazenda da Roseta, em Baependi, une preservação histórica, natureza e vida rural para atrair turistas Arquivo pessoal Manter um patrimônio de quase 300 anos exige investimentos permanentes. Segundo a família, a conservação da Fazenda da Roseta demanda cerca de R$ 350 mil por ano. Desde o início do processo de restauração, aproximadamente R$ 1,8 milhão foi investido na recuperação das edificações e estruturas históricas. Hoje, a hospedagem, as visitas guiadas e as experiências oferecidas aos visitantes ajudam a financiar a conservação do patrimônio. Para Maciel Júnior, a grande missão é que esse conjunto histórico continue sendo cuidado e compartilhado com as próximas gerações. "O maior desafio é conseguir sustentabilidade financeira para a manutenção. Muitas benfeitorias, como o engenho de cana, a máquina de café e o armazém, acabaram se perdendo por falta de manutenção. Dependemos do turismo e estamos sujeitos às crises econômicas do país e até ao clima. É preciso equilibrar a conservação do patrimônio com a sustentabilidade do negócio", afirma. A motivação permanece ligada à possibilidade de manter viva a história da propriedade. "Durante séculos, a fazenda produziu alimentos. Hoje produzimos experiências, conhecimento e memória. Quando uma pessoa visita a Roseta e entende a importância desse patrimônio, ela também passa a ajudar na sua preservação", diz o proprietário. Patrimônio ajuda a contar a história do país Fazenda da Roseta, em Baependi, une preservação histórica, natureza e vida rural para atrair turistas Arquivo pessoal Para a arquiteta e urbanista Daniela Bobsin, especialista em Conservação e Restauração do Patrimônio Cultural, construções desse período ajudam a compreender a formação histórica do Brasil e exigem cuidados permanentes para atravessar gerações. "Esses imóveis preservam técnicas construtivas, modos de vida e parte da memória da ocupação do território brasileiro. A longevidade de um casarão como esse não depende apenas dos materiais utilizados na época, mas principalmente da manutenção contínua realizada ao longo dos anos." A trajetória da Fazenda da Roseta acompanha a própria ocupação do Sul de Minas. Desenvolvida ao longo do antigo Caminho Velho da Estrada Real, a propriedade produziu açúcar, café, laticínios e manteiga ao longo dos séculos, refletindo diferentes momentos da economia e da formação da região. Segundo a secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Cristina, Baependi reúne um importante conjunto de imóveis históricos preservados. "Iniciativas como a da Fazenda da Roseta ajudam a manter viva essa memória e a aproximar moradores e visitantes da história do município", afirma. Para a turismóloga Cássia Almeida, o turismo pode ser um aliado da preservação quando respeita as características originais dos imóveis históricos. "O turismo bem planejado ajuda a financiar a preservação, fortalece a identidade cultural dos territórios e aproxima as pessoas de sua própria história. Quando um patrimônio é visitado e valorizado pela comunidade, ele ganha novas possibilidades de permanência", diz. Depois de quase três séculos atravessando o tempo, o futuro da propriedade segue ligado à preservação desse legado e ao contato de novas gerações com a história da região. Como resume o proprietário, inspirado em um sonho registrado pela mãe há duas décadas: "Durante séculos produzimos alimentos. Hoje produzimos sonhos." Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

