Primeiro mapa dos nervos do clitóris nasce de pesquisa liderada por neurocientista coreana

Escrito em 02/06/2026


A real responsável pelo mapeamento inédito dos nervos do clitóris O órgão feminino finalmente teve seus nervos mapeados pela primeira vez. E esse avanço se deu graças a uma mulher coreana. "Eu liderei o projeto de mapeamento dos nervos do clitóris", afirma Ju Young Lee, PhD em neurociência e autora principal do estudo, que nasceu e se graduou na Coreia do Sul.  Mas, se você busca o nome dela no Google Acadêmico, é como se ela só existisse a partir do momento em que vai para a Europa e passa a dividir a autoria com colegas de lá.   Tanto é que as reportagens sobre o estudo dizem apenas que ele foi feito por cientistas da Amsterdam University Medical Center.  Ou seja, Ju Young Lee precisou contornar o viés geopolítico da ciência, que segue predominantemente eurocêntrica - marginalizando a importância das contribuições de culturas fora da Europa e do Norte Global no geral para o nascimento e desenvolvimento da ciência moderna. Como se as únicas ideias intelectuais que importassem fossem as produzidas em solo europeu.  Além disso, o foco inicial da carreira dela nem era esse.   Imagem 3D mostra extensão de nervos do clitóris Divulgação "Minha formação foi em neurociência. Fiz meu mestrado e doutorado no Instituto Max Planck, na Alemanha, e quase tudo o que estudei foi sobre o cérebro", diz Ju Young Lee. Foi só depois de participar da maior conferência europeia de neurociência que o foco dela mudou.  "Havia um grande entusiasmo sobre como o intestino e o cérebro interagem entre si. E eu me lembro de perguntar: 'Alguém está fazendo a mesma pergunta sobre os órgãos ginecológicos? Como esses nervos interagem com o cérebro?' E a resposta deles foi: 'Ah, eu nunca pensei nisso'", afirma. Mas os nervos do pênis a ciência já tinham pensado em mapear três décadas atrás. Há cerca de 20 vezes mais artigos científicos sobre a glande peniana do que sobre a glande clitoriana. Isso diz tudo sobre quanta atenção esse órgão tem recebido. Será que se Ju Young Lee não tivesse um clitóris, ela teria pensado nisso? "Historicamente, a urologia focou no pênis. Já a ginecologia focou mais nos órgãos reprodutivos, como o útero e os ovários. O clitóris fica na lacuna entre eles, e essa é uma das principais razões por que a ciência dele está tão atrasada", diz, Isso a motivou a buscar alguém da ginecologia que tivesse interesse no tema. O que a levou até o Centro Médico da Universidade de Amsterdã, onde passou a integrar o Human Organ Atlas Hub (HOAHub) - um projeto internacional cujo objetivo é mapear o corpo humano em 3D. Basicamente um Google Earth da anatomia.  "A reação do público foi o que mais me surpreendeu. Acreditamos que o público estava esperando por essa discussão. Acho que a comunidade científica agora está começando a perceber isso" diz Lee. Mas, para ela, esse é apenas o começo. "E esse campo precisa não só de mais financiamento, mas também de mais conscientização. A maioria das pessoas, incluindo médicos, nunca recebeu um ensino adequado sobre a anatomia do clitóris. Acho que isso precisa mudar", afirma. E ela segue fazendo sua parte nessa conscientização. Tanto dentro do laboratório, com a pesquisa quanto fora dele, com um podcast chamado IGWA Women, que começou apenas em coreano, mas logo ganhou uma versão em inglês.  "IGWA é uma palavra coreana para especialização em ciências. Então 'IGWA Women' basicamente significa 'mulheres na ciência'. Abordamos diversos tópicos, desde machine learning até filosofia da ciência e, claro, saúde da mulher. E, para mim, o podcast e o trabalho de laboratório são duas faces da mesma moeda. A ciência do clitóris não pode avançar apenas no laboratório", diz a cientista. Cientistas mapeiam o clitóris pela primeira vez Arte/g1