AVCB: entenda importância de laudo de segurança pendente em 40 escolas públicas de Limeira

Escrito em 05/05/2026


AVCB garante segurança contra incêndio em imóveis e é obrigatório em SP desde 1978 A Escola Prada, destruída por um incêndio nesta sexta-feira (1º), não tem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), assim como outras 39 escolas municipais de Limeira (SP). O AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros e certifica que o imóvel possui condições adequadas de segurança, como extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio; além disso, é fundamental para a emissão do alvará de funcionamento de qualquer local, conforme explicou o engenheiro civil Gustavo Luiz Yansen à EPTV, afiliada da TV Globo 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram O documento, que deve ser mantido em local visível, também reúne informações como endereço, tipo de ocupação, responsáveis legais e técnicos, a metragem da área, além da validade do laudo e sua autenticação. Início do AVCB Até a década de 1970, não havia normas rígidas de prevenção contra incêndios em imóveis no Estado de São Paulo. Esse cenário mudou após duas grandes tragédias: os incêndios nos edifícios Andraus, em 1972, e Joelma, em 1974, que resultaram em mais de 200 mortes. História de São Paulo é marcada pela tragédia dos incêndios Andraus e Joelma; A partir desses fatos, o governo decidiu criar, em 1978, o primeiro Regulamento Unificado de Segurança Contra Incêndio, conhecido hoje como AVCB. Nos anos seguintes às tragédias, houve uma evolução nas exigências técnicas de segurança contra incêndios — desde a definição do tipo de escada com circulação de ar em prédios até a padronização das vistorias. Hoje, um decreto estadual de 2024 concede poder de polícia ao Corpo de Bombeiros para multar e interditar prédios irregulares. 'Não impediria o incêndio' Incêndio atinge Escola Prada, em Limeira (SP) Wesley Almeida/EPTV O secretário municipal de assuntos jurídicos, Flávio Magdesian, informou que o laudo de segurança não impediria o incêndio no caso da Escola Prada. "O AVCB não impediria o incêndio, porém, uma das maiores preocupações do prefeito e da atual gestão é regularizar isso. Nós estamos dando andamento, estamos dando trâmite e pedindo, claro, a urgência de CONDEFALI e de outros órgãos que precisam autorizar para a gente poder dar andamento nessa regularização", disse Montesano Neto. Já o secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, afirmou que também seria preciso uma restauração no prédio escolar. "A gente tinha problema no telhado, nós tínhamos alguns problemas de infiltração, piso que estava já precisando ser trocado... Infelizmente, nós não temos o AVCB em várias escolas, mas isso não quer dizer que elas não tenham extintor, que não tenham comunicação visual. As crianças estão seguras", afirma o chefe da Educação. Regularização O Centro Infantil Estela Regina Furlan, que fica no Jardim Nossa Senhora do Amparo, é uma das escolas que renovou o AVCB em 2026. O prédio tem 45 anos e atende 270 estudantes. O novo certificado, emitido no dia 25 de março, fica exposto na entrada da unidade com data de validade para 2029. Pelo menos seis adequações precisaram ser feitas: O quadro de energia teve aumento de carga. Foi exigida a troca de lâmpadas das luzes de emergência. Foi necessário um teste nas mangueiras que já existiam na escola. Uma adequação referente à bomba de incêndio. A parte elétrica foi refeita. Abrigo para a bomba de incêndio. "Nós temos algumas escolas que necessitam elaborar um projeto, licitar e fazer algumas obras até. Outras escolas, nós estamos apenas dependendo de uma necessidade da visita do bombeiro, de uma vistoria para poder ser emitida a renovação", disse Cristiane Abbade Masson, diretora do Departamento de Equipamentos Públicos. Remanejar estudantes A Prefeitura analisa três locais para remanejar os cerca de 300 alunos de cinco a 11 anos que estudavam no prédio histórico. O prefeito Murilo Felix havia informado à EPTV que os estudantes seriam transferidos nesta quarta-feira (6) para o prédio de uma antiga faculdade. No entanto, na tarde desta segunda-feira (4), a Prefeitura confirmou que o local ainda não foi definido. Representantes de diferentes secretarias estiveram reunidos no Paço Municipal para definir como será o remanejamento dos estudantes, quando haverá o retorno das aulas e como será feita a reforma do edifício destruído pelo fogo. "A previsão inicial é que nós consigamos fazer isso na quarta-feira, mas ainda nós não podemos confirmar porque os contratos ainda não foram assinados, existem ainda algumas pendências administrativas para que a gente possa definir essa data com precisão", disse o secretário de Educação, Antônio Montesano Neto. Escola Prada em 2022 Reprodução/Redes sociais Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.