Esqueçam a democracia, diz líder militar de Burkina Faso

Escrito em 03/04/2026


O líder militar de Burkina Faso, Ibrahim Traore, em 8 de maio de 2025. Alexander Kryazhev/Agência anfitriã RIA Novosti via REUTERS O líder militar de Burkina Faso, que tomou o poder em um golpe em setembro de 2022, disse a jornalistas que “as pessoas precisam esquecer a democracia” e que “a democracia mata”, no mais recente sinal de que pretende governar por um longo período. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O capitão Ibrahim Traoré havia se comprometido a organizar eleições em 2024 quando assumiu o poder do país. Porém, um ano após o golpe, ele afirmou que não haverá eleições até que o país esteja seguro o suficiente para que todos possam votar. Questionado sobre eleições durante uma mesa-redonda com jornalistas exibida na TV estatal na noite de quinta-feira (2), Traoré disse que seu governo está focado em outros desafios. “As pessoas precisam esquecer a questão da democracia”, disse. “Temos que dizer a verdade: a democracia não é para nós”. Invocando o exemplo da Líbia, onde, segundo ele, atores externos tentaram “impor a democracia”, acrescentou que “a democracia mata”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Burkina Faso enfrenta há mais de uma década dificuldades para conter ações de milícias islamistas ligadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico (EI), e é possível que Traoré tenha se referido a elas quando mencionou outros desafios. Mesmo assim, um relatório publicado na quinta-feira pela Human Rights Watch indicou que as forças militares de Burkina Faso e seus aliados mataram mais que o dobro de civis em comparação aos militantes islamistas desde 2023. Segundo a ONG, são 1.225 mortes de civis atribuídas às forças governamentais e aliadas do governo entre janeiro de 2023 e agosto de 2025 em 33 incidentes separados. Já as mortes atribuídas às milícias giram em torno das 600. O governo de Traoré dissolveu todos os partidos políticos em janeiro, mas anteriormente ele já havia suspendido atividades políticas no país. Antes do golpe, o país tinha mais de 100 partidos registrados, com 15 representados no parlamento após as eleições gerais de 2020. Os vizinhos Mali e Níger, também governados por militares que chegaram ao poder por golpes, adotaram medidas semelhantes, dissolvendo partidos políticos. As milícias ligadas à Al-Qaeda e ao EI nos três países africanos já mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões ao longo da última década.