Celular roubado desvenda rede milionária do tráfico Um assalto em um sinal de trânsito em Fortaleza deu início a uma sequência de eventos que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro, ajudou a revelar a atuação de um dos principais fornecedores de drogas para facções criminosas. Identificado pelas autoridades como Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, ele aparecia em agendas de traficantes com os apelidos de "Gordão" e "Boss", termo que significa "chefe" em inglês. 'Boss do tráfico': como roubo de celular de criminoso ajudou polícia a descobrir rede ligada ao Comando Vermelho De acordo com a investigação, Laércio costumava separar a vida pessoal dos negócios, utilizando celulares diferentes numa tentativa de ocultar sua identidade e dificultar o rastreamento de suas atividades. O plano, porém, teria sido frustrado quando o aparelho usado para negociações criminosas foi roubado por um motociclista. Na tentativa de recuperar o telefone, Boss passou a utilizar um número pessoal que, segundo os investigadores, era o único vinculado a arquivos armazenados na nuvem. A partir desse aparelho, continuou tratando de entregas de drogas e pedindo ajuda a integrantes do crime organizado do Ceará para localizar o celular roubado. Sem perceber, teria deixado registrados os rastros que procurava esconder. Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", é apontado pela Polícia como um "fornecedor de fornecedores" de drogas Reprodução/TV Globo Fornecedor de facções Segundo os investigadores, Boss ocupava uma posição estratégica no tráfico de drogas. Ele faria a ligação entre grandes fornecedores e líderes de facções criminosas de diferentes estados. Em áudios obtidos pela investigação, o suspeito chegou a afirmar que abastecia diversas comunidades e mantinha contato com chefes do tráfico. A apuração também identificou conversas entre Boss e traficantes ligados ao Comando Vermelho. Em uma delas, um interlocutor menciona a possibilidade de distribuição de drogas para centenas de favelas controladas pela organização criminosa. A polícia afirma que ainda não conseguiu calcular o volume total de drogas movimentado pelo grupo. Uma das pistas sobre a dimensão do esquema surgiu após uma apreensão de mais de 715 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, na Grande São Paulo. Após cruzar conversas e registros de pagamentos, os investigadores concluíram que a carga pertencia a Boss. Prisão e patrimônio Nesta semana, Laércio foi preso em Maceió durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Além dele, outras cinco pessoas foram detidas em ações realizadas em quatro estados. Segundo a investigação, o suspeito foi encontrado em uma cobertura na capital alagoana. No imóvel, os agentes localizaram cerca de R$ 100 mil em espécie, além de roupas, acessórios e tênis de marcas de luxo. A polícia afirma ainda que ele possuía imóveis em áreas nobres de Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo. Boss é acusado de associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Os investigadores o descrevem como um "fornecedor de fornecedores", procurado por integrantes de facções quando surgiam problemas logísticos para abastecimento de drogas. Apenas em um período analisado pela polícia, a movimentação financeira associada ao esquema teria alcançado R$ 70 milhões. Esquema teria contado com apoio de policiais As investigações apontam que Boss não atuava sozinho. Segundo a polícia, dois policiais militares auxiliariam na coleta de dinheiro e na segurança do transporte das cargas de drogas. Há ainda apurações sobre a possível participação de um policial civil do Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, o grupo também utilizava a estrutura do tráfico para enviar armamentos e drones a criminosos do Rio de Janeiro e de outros estados. A investigação segue em andamento para identificar todos os envolvidos e a extensão das atividades da organização. 'Deus está no negócio mesmo': traficante cita pregação de pastor ao falar sobre apreensão de carga de drogas Laércio foi preso em uma cobertura em Maceió Reprodução/TV Globo
Quem é o 'Boss': criminoso que teve celular roubado e acabou deixando rastros que ajudaram investigação
Escrito em 29/09/2026
Celular roubado desvenda rede milionária do tráfico Um assalto em um sinal de trânsito em Fortaleza deu início a uma sequência de eventos que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro, ajudou a revelar a atuação de um dos principais fornecedores de drogas para facções criminosas. Identificado pelas autoridades como Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, ele aparecia em agendas de traficantes com os apelidos de "Gordão" e "Boss", termo que significa "chefe" em inglês. 'Boss do tráfico': como roubo de celular de criminoso ajudou polícia a descobrir rede ligada ao Comando Vermelho De acordo com a investigação, Laércio costumava separar a vida pessoal dos negócios, utilizando celulares diferentes numa tentativa de ocultar sua identidade e dificultar o rastreamento de suas atividades. O plano, porém, teria sido frustrado quando o aparelho usado para negociações criminosas foi roubado por um motociclista. Na tentativa de recuperar o telefone, Boss passou a utilizar um número pessoal que, segundo os investigadores, era o único vinculado a arquivos armazenados na nuvem. A partir desse aparelho, continuou tratando de entregas de drogas e pedindo ajuda a integrantes do crime organizado do Ceará para localizar o celular roubado. Sem perceber, teria deixado registrados os rastros que procurava esconder. Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", é apontado pela Polícia como um "fornecedor de fornecedores" de drogas Reprodução/TV Globo Fornecedor de facções Segundo os investigadores, Boss ocupava uma posição estratégica no tráfico de drogas. Ele faria a ligação entre grandes fornecedores e líderes de facções criminosas de diferentes estados. Em áudios obtidos pela investigação, o suspeito chegou a afirmar que abastecia diversas comunidades e mantinha contato com chefes do tráfico. A apuração também identificou conversas entre Boss e traficantes ligados ao Comando Vermelho. Em uma delas, um interlocutor menciona a possibilidade de distribuição de drogas para centenas de favelas controladas pela organização criminosa. A polícia afirma que ainda não conseguiu calcular o volume total de drogas movimentado pelo grupo. Uma das pistas sobre a dimensão do esquema surgiu após uma apreensão de mais de 715 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, na Grande São Paulo. Após cruzar conversas e registros de pagamentos, os investigadores concluíram que a carga pertencia a Boss. Prisão e patrimônio Nesta semana, Laércio foi preso em Maceió durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Além dele, outras cinco pessoas foram detidas em ações realizadas em quatro estados. Segundo a investigação, o suspeito foi encontrado em uma cobertura na capital alagoana. No imóvel, os agentes localizaram cerca de R$ 100 mil em espécie, além de roupas, acessórios e tênis de marcas de luxo. A polícia afirma ainda que ele possuía imóveis em áreas nobres de Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo. Boss é acusado de associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Os investigadores o descrevem como um "fornecedor de fornecedores", procurado por integrantes de facções quando surgiam problemas logísticos para abastecimento de drogas. Apenas em um período analisado pela polícia, a movimentação financeira associada ao esquema teria alcançado R$ 70 milhões. Esquema teria contado com apoio de policiais As investigações apontam que Boss não atuava sozinho. Segundo a polícia, dois policiais militares auxiliariam na coleta de dinheiro e na segurança do transporte das cargas de drogas. Há ainda apurações sobre a possível participação de um policial civil do Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, o grupo também utilizava a estrutura do tráfico para enviar armamentos e drones a criminosos do Rio de Janeiro e de outros estados. A investigação segue em andamento para identificar todos os envolvidos e a extensão das atividades da organização. 'Deus está no negócio mesmo': traficante cita pregação de pastor ao falar sobre apreensão de carga de drogas Laércio foi preso em uma cobertura em Maceió Reprodução/TV Globo

