Eleições 2026: Conheça os desafios da Região Metropolitana de São José do Rio Preto A região metropolitana de São José do Rio Preto (SP), uma das principais potências do agronegócio paulista, enfrenta um problema que tem afetado diretamente a produção agrícola: a falta de mão de obra no campo. O cenário impacta diferentes culturas, como a seringueira e o limão-taiti, e já levou produtores a reduzir áreas de cultivo diante da dificuldade para encontrar trabalhadores especializados, que possam atuar desde as lavouras até as beneficiadoras. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp O trabalho exige precisão, delicadeza e cortes específicos em árvores com superfícies irregulares. Por isso, as máquinas ainda não conseguem executar a atividade com a mesma eficiência. Produtores enfrentam falta de mão de obra na região de Rio Preto (SP) Reprodução/TV TEM A reportagem faz parte de uma série do Bom Dia São Paulo que apresenta os principais desafios das nove regiões metropolitanas do estado de São Paulo para o próximo governador. Ao longo das próximas semanas, serão mostradas as demandas que impactam diretamente a população e que devem estar entre as prioridades de quem assumir o Palácio dos Bandeirantes após as eleições de 2026. Produtores ouvidos pela reportagem da TV TEM explicam que o problema se intensificou nos últimos cinco anos e acompanha uma realidade observada em diferentes regiões do país. Em Ruilândia, distrito de Mirassol (SP), uma propriedade que cultiva seringueiras há mais de quatro décadas precisou reduzir pela metade a área destinada à produção de látex. Dos cerca de 120 mil pés que existiam no auge da atividade, restam aproximadamente 60 mil. A decisão foi tomada pela produtora de borracha Noêmia Rolemberg Hansen porque parte da plantação permaneceu sem exploração por falta de sangradores, profissionais responsáveis pela extração do látex. “Em 2023, eu erradicou metade da fazenda e plantei cana-de-açúcar para conseguir, quando o preço da borracha abaixa, ter a cana para suprir”, explica a produtora. Atualmente, a fazenda conta com 16 trabalhadores, menos da metade dos 35 que já atuaram na propriedade. Segundo o gerente da fazenda, Vinicius Antonio Gomes Barreto, o modelo de remuneração, baseado na parceria agrícola, também tem afastado novos profissionais. "A gente dá 50% da produção final de renda para essa pessoa poder vir morar com a gente, trabalhar com a gente e mesmo assim a gente tem 25% de seringal parado. Hoje a gente não sabe o que que vai acontecer no preço da borracha, né? Então é isso que não atrai a pessoa, que a pessoa não tem mais a vontade de vir trabalhar no campo com a seringueira”, afirma o gerente. Noroeste de SP é o maior produtor de seringueira no estado de SP Reprodução/TV TEM Déficit de profissionais São Paulo é o maior produtor de borracha natural do país, com destaque para o noroeste paulista. De acordo com a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), o setor enfrenta um déficit de aproximadamente 2,4 mil sangradores. A entidade estima que cerca de 20% das árvores em produção deixam de ser exploradas por falta desses profissionais, reduzindo a produtividade dos seringais. 🍋 Problema também atinge o limão Escassez de trabalhadores também preocupa produtores de limão-taiti no noroeste de SP Reprodução/TV TEM A escassez de trabalhadores também preocupa produtores de limão-taiti. Em Itajobi (SP), considerada a Capital Nacional do Limão Tahiti e responsável por cerca de 80% da produção brasileira, as beneficiadoras afirmam enfrentar dificuldades para preencher vagas. Em uma das empresas visitadas pela TV TEM, aproximadamente 200 toneladas de limão são processadas por semana, grande parte destinada à exportação. LEIA MAIS Escorpião pode nadar? Conheça espécie que resiste 48h debaixo d'água e que pode trazer riscos para o seu pet Fiel carrega imagem de Jesus Cristo nas costas durante romaria a pé até Santuário dos Castores: 'Agradecer' Embora etapas como limpeza e classificação já sejam automatizadas, diversas funções ainda dependem da mão de obra humana. Segundo o produtor Vagner Promicia, a dificuldade para contratar trabalhadores se tornou constante nos últimos quatro anos. “A gente já vem sentindo isso aos no mínimo uns quatro anos e a cada ano que passa tá ficando pior, né? A gente não consegue preencher todas as vagas que a gente tem”, complementa o produtor. Indústria produtora de limão-taiti enfrenta dificuldade de mão de obra no noroeste de SP Reprodução/TV TEM 📝 Capacitação alternativa O engenheiro agrônomo Emerson Fachini reforça que uma das saídas está na qualificação profissional. O Sindicato Rural de Mirassol (SP) oferece cursos gratuitos para formação de sangradores, combinando aulas teóricas e práticas. Segundo Emerson, investir em capacitação é uma forma de preparar novos profissionais e garantir a continuidade da atividade no campo. "O produtor busca esses órgãos públicos para tentar fomentar todo esse processo. Isso daí também é imprescindível, que entra na parte de educação Quanto mais você capacita as pessoas, menos problema você vai ter”, aposta o engenheiro. Para o setor, formar novos trabalhadores é essencial para manter a competitividade de uma região que ocupa posição de destaque na produção agrícola paulista. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM
Falta de mão de obra afeta produção de borracha e limão e preocupa agricultores no noroeste de SP
Escrito em 06/08/2026
Eleições 2026: Conheça os desafios da Região Metropolitana de São José do Rio Preto A região metropolitana de São José do Rio Preto (SP), uma das principais potências do agronegócio paulista, enfrenta um problema que tem afetado diretamente a produção agrícola: a falta de mão de obra no campo. O cenário impacta diferentes culturas, como a seringueira e o limão-taiti, e já levou produtores a reduzir áreas de cultivo diante da dificuldade para encontrar trabalhadores especializados, que possam atuar desde as lavouras até as beneficiadoras. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp O trabalho exige precisão, delicadeza e cortes específicos em árvores com superfícies irregulares. Por isso, as máquinas ainda não conseguem executar a atividade com a mesma eficiência. Produtores enfrentam falta de mão de obra na região de Rio Preto (SP) Reprodução/TV TEM A reportagem faz parte de uma série do Bom Dia São Paulo que apresenta os principais desafios das nove regiões metropolitanas do estado de São Paulo para o próximo governador. Ao longo das próximas semanas, serão mostradas as demandas que impactam diretamente a população e que devem estar entre as prioridades de quem assumir o Palácio dos Bandeirantes após as eleições de 2026. Produtores ouvidos pela reportagem da TV TEM explicam que o problema se intensificou nos últimos cinco anos e acompanha uma realidade observada em diferentes regiões do país. Em Ruilândia, distrito de Mirassol (SP), uma propriedade que cultiva seringueiras há mais de quatro décadas precisou reduzir pela metade a área destinada à produção de látex. Dos cerca de 120 mil pés que existiam no auge da atividade, restam aproximadamente 60 mil. A decisão foi tomada pela produtora de borracha Noêmia Rolemberg Hansen porque parte da plantação permaneceu sem exploração por falta de sangradores, profissionais responsáveis pela extração do látex. “Em 2023, eu erradicou metade da fazenda e plantei cana-de-açúcar para conseguir, quando o preço da borracha abaixa, ter a cana para suprir”, explica a produtora. Atualmente, a fazenda conta com 16 trabalhadores, menos da metade dos 35 que já atuaram na propriedade. Segundo o gerente da fazenda, Vinicius Antonio Gomes Barreto, o modelo de remuneração, baseado na parceria agrícola, também tem afastado novos profissionais. "A gente dá 50% da produção final de renda para essa pessoa poder vir morar com a gente, trabalhar com a gente e mesmo assim a gente tem 25% de seringal parado. Hoje a gente não sabe o que que vai acontecer no preço da borracha, né? Então é isso que não atrai a pessoa, que a pessoa não tem mais a vontade de vir trabalhar no campo com a seringueira”, afirma o gerente. Noroeste de SP é o maior produtor de seringueira no estado de SP Reprodução/TV TEM Déficit de profissionais São Paulo é o maior produtor de borracha natural do país, com destaque para o noroeste paulista. De acordo com a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), o setor enfrenta um déficit de aproximadamente 2,4 mil sangradores. A entidade estima que cerca de 20% das árvores em produção deixam de ser exploradas por falta desses profissionais, reduzindo a produtividade dos seringais. 🍋 Problema também atinge o limão Escassez de trabalhadores também preocupa produtores de limão-taiti no noroeste de SP Reprodução/TV TEM A escassez de trabalhadores também preocupa produtores de limão-taiti. Em Itajobi (SP), considerada a Capital Nacional do Limão Tahiti e responsável por cerca de 80% da produção brasileira, as beneficiadoras afirmam enfrentar dificuldades para preencher vagas. Em uma das empresas visitadas pela TV TEM, aproximadamente 200 toneladas de limão são processadas por semana, grande parte destinada à exportação. LEIA MAIS Escorpião pode nadar? Conheça espécie que resiste 48h debaixo d'água e que pode trazer riscos para o seu pet Fiel carrega imagem de Jesus Cristo nas costas durante romaria a pé até Santuário dos Castores: 'Agradecer' Embora etapas como limpeza e classificação já sejam automatizadas, diversas funções ainda dependem da mão de obra humana. Segundo o produtor Vagner Promicia, a dificuldade para contratar trabalhadores se tornou constante nos últimos quatro anos. “A gente já vem sentindo isso aos no mínimo uns quatro anos e a cada ano que passa tá ficando pior, né? A gente não consegue preencher todas as vagas que a gente tem”, complementa o produtor. Indústria produtora de limão-taiti enfrenta dificuldade de mão de obra no noroeste de SP Reprodução/TV TEM 📝 Capacitação alternativa O engenheiro agrônomo Emerson Fachini reforça que uma das saídas está na qualificação profissional. O Sindicato Rural de Mirassol (SP) oferece cursos gratuitos para formação de sangradores, combinando aulas teóricas e práticas. Segundo Emerson, investir em capacitação é uma forma de preparar novos profissionais e garantir a continuidade da atividade no campo. "O produtor busca esses órgãos públicos para tentar fomentar todo esse processo. Isso daí também é imprescindível, que entra na parte de educação Quanto mais você capacita as pessoas, menos problema você vai ter”, aposta o engenheiro. Para o setor, formar novos trabalhadores é essencial para manter a competitividade de uma região que ocupa posição de destaque na produção agrícola paulista. 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